Serie A

Lucarelli

 Lucarelli e os aplausos que não vieram (El País)

O título é esse. Depois de quatro anos servindo seu time do coração, Cristiano Lucarelli, já próximo de completar 32 primaveras, decidiu aceitar a interessante oferta do Shakhtar Donetsk no dia 13 de julho, assinando um contrato de três temporadas com a equipe ucraniana. Seu salário anual rodeará os 4 milhões de euros anuais, enquanto ao Livorno foram destinados entre 6 e 8 milhões de euros.

Em abril, Lucarelli havia discutido com o presidente do clube toscano, Aldo Spinelli. O artilheiro havia sido totalmente contrário à demissão do treinador Daniele Arrigoni e chegou a admitir publicamente que deixaria o clube ao final da temporada. Depois de insistência da torcida, porém, Cristiano dissera que decidiria o seu futuro no dia 6 de junho. Foi especulado por Fiorentina e Roma, mas declarou que ficaria no Livorno. Uma sensação de alívio pairava nos torcedores amaranto quando, de repente, o time dos brasileiros Elano, Jádson, Luiz Adriano, Brandão e Fernandinho chegou a um acordo com o Livorno. Os tifosi, desapontados, enviaram diversos hate-mails ao atacante através de seu site oficial.

Cristiano é comunista declarado, o que certamente já lhe fechou portas em outros clubes, talvez até na seleção. Ele, autor de mais de cem gols com a camisa do Livorno, também marcou mais que Inzaghi, Gilardino e Iaquinta nas últimas atuações da Nazionale. Mesmo assim, não foi à Copa do Mundo da Alemanha. Sua história com a seleção carrega um problema antigo: no Mundial sub-21, Lucarelli, após marcar contra a Moldávia, levantou sua camisa e, por baixo, mostrou a face de Che Guevara. Resultado? Multa e exclusão do torneio. O bomber só retornou à seleção em 2005, chamado por Marcello Lippi.

Lucarelli tatuou o escudo do Livorno em seu braço esquerdo, enquanto sua camisa  99 simboliza homenagem aos ultras Brigate Autonome Livornesi, fundados em 1999, de postura assumidamente esquerdista. Ele, que fez parte da fundação, nasceu em Livorno e se declara torcedor da equipe desde pequeno. Jogador que sabe fazer gols como poucos, Lucarelli fará falta à Serie A, e, principalmente, a seu ex-clube, que no momento conta com as incógnitas Francesco Tavano e Diego Tristán, a lutar contra o rebaixamento.

Palpite pessoal: Some do mapa até o final da carreira e então volta para o Livorno como herói, sem mágoas por parte da torcida. Ou passa um ano de intercâmbio e retorna para um clube maior da Itália.

6 comentários

  • Ele é simples como o título e eficiente como o texto. Grande centroavante, corpo e alma do Livorno nos últimos anos, o Finazzi italiano, eu diria de maneira pitoresca.

    Esse lance de vários jogadores italianos terem preferências políticas e filosóficas daria uma boa pauta.

    []’ss

  • É um jogador diferenciado no modo de pensar.Em campo, marca muitos gols e não tem medo de falar oque pensa, infelizmente, uma minoria dentro do futebol.
    Ouvi dizer que ele foi a Donestk porque era de set desejo atuar por uma equipe de um país que havia feito parte da ex-URSS, e a briga dele com o Livorno acelerou seu desejo.
    Belo post!
    Abraço!

  • “O time está unido contra o clube”

    Vai ver que o Lucarelli estava realmente certo ao dizer isso, e pensou que talvez fosse melhor deixar de capitanear um elenco que insurgia contra seu clube de coração. Só uma teoria 🙂

  • Parabéns ao comunista Lucarelli, o companheiro milionário que assinou pelo Shaktar a 4 milhões de euros por temporada….pela felicidade dos ucranianos que passam fome…..

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