Serie A

Questionamentos em giallorosso

Valeria a pena trazer Cassano de volta?
Um oportunista. Quando tinha tudo em Roma, quis ser tratado como Totti, coisa que (ainda) não merecia. Saiu pela porta dos fundos, não se despedindo de ninguém (exceto Mancini e Dacourt) e já não cumprimentava Bruno Conti, um dos componentes do staff e ídolo giallorosso. Hoje, com a carreira em nítido declínio, declarou ter feito a maior besteira em sair de Roma e que faria de tudo para voltar. Disse também que Totti é uma pessoa fantástica e que deseja tudo de bom a ele, que queria vê-lo agora no confronto contra a Roma no Stadio Olimpico e falar com o Capitano.

Por que quando acabara de chegar no Real Madrid, Totti lesionou o tornozelo e o barês não deu a mínima? Até Di Canio e Berlusconi desejaram melhoras ao camisa dez, mas Cassano nada fez. Agora, precisando recuperar tudo que perdeu, Antonio anda fazendo de tudo para voltar. E, por mais que tenha tido atitudes ridículas atrás de atitudes ridículas, realmente creio, parecendo absurdo ou não, que il Peter Pan se transformaria em outro retornando à capital. Não porque é um grande homem, arrependido, puro e comovido com tudo o que fez no passado, e sim porque sua carreira, seu futuro e toda sua imagem dependeriam disso.

Ou faria sentido Totò reconquistar um lugar na squadra de Spalletti para ser, digamos, imbecil novamente? A Euro-2008 de Cassano estaria ali, a Copa-2010 estaria ali, a Azzurra, de um modo geral, estaria ali. Sua imagem para sempre estaria ali. Seria o divisor definitivo de águas da carreira dele, ou entraria para a história como um fantástico jogador que estourou e saiu do buraco que havia cavado, ou simplesmente ficaria lembrado eternamente, igual hoje, como uma eterna promessa sem cérebro. Eu arriscaria.

Totti e Cassano: bons tempos em campo e fora dele.

Por que Cicinho joga de cinco a dez minutos, mesmo atuando bem e com muita vontade? Por que Antunes só foi testado uma vez, mesmo tendo sido ótimo na mesma?
Segundo Spalletti, ambos ainda precisam amadurecer bastante no setor defensivo. O brasileiro chegou em Roma a peso de ouro por um preço consideravelmente alto, levando-se em consideração que o time romano está longe de viver maravilhas financeiras. Desembarcou com humildade, sempre com pés no chão, dando declarações inteligentes e pensando alto, porém, com humildade.

Começou sem demonstrar grande futebol, mas sem ter grandes chances. Foi muito bem na partida contra o Milan, em Milão, na qual jogou de lateral direito, começou em campo e foi o nome da partida. Depois disso, só teve uma oportunidade de titular, e foi na partida contra o Empoli, fora de casa, em que o pequeno Cícero teve uma prestação regular, cujo momento principal foi ter deixado Vucinic simplesmente frente-a-frente com o goleiro no final do jogo.

Já o português chegou do Paços Ferreira após quase ter sido acertado com a Juventus, tem contrato por empréstimo (com direito à compra) e entrou em campo pela primeira vez contra o Manchester, sendo um dos melhores do jogo e provando o porquê de ser nome certo na seleção sub-21 portuguesa.

Apresentação e futebol aguardados. Até agora, sem retorno.

E o jogo bonito? A tática está desgastada? [Braitner Moreira]O 4-2-3-1 de Spalletti, que já dava mostras de cansaço no fim de última temporada, finalmente encontrou sua morte crônica nas últimas semanas. Pelas últimas entrevistas do técnico de Certaldo, uma “revolução tática” na intertemporada é considerada ato de risco. Mas talvez não haja outra alternativa.

Por mais que resolver os problemas romanistas não seja uma receita de bolo e envolva muitas questões extra-campo, a Roma que no ano passado jogava objetivamente e com fantasia é a mesma que vê sua organização desaparecer quando suas contratações entram em campo. O plano de jogo de Spalletti dá claros indícios de defasagem, mesmo com todos os méritos ao mister por ter construído um sistema que se adaptou perfeitamente à improvisação de seus jogadores – por mais estranho que isso possa soar.

Quando o que soa estranho torna-se assim também nas quatro linhas, chega-se à Roma de hoje. Os novos jogadores, contratados para reforçar um plantel em frangalhos, têm de se adaptar a um sistema criado para outros que se dividem em categorias que vão de lesões intermináveis a implicâncias dentro do elenco.

Por mais que uma substancial mudança seja arriscada, é complicado ganhar um título importante sem ousadia, ainda mais quando se fala de um time que ainda está bem abaixo dos grandes europeus. A chance de ouro para um teste maior já foi perdida, junto da partida com o Torino, nesta quarta, pela Coppa Italia. Alterações estruturais, claro, nem sempre dão certo. Mas nunca deixará de ser difícil optar por elas.

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