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Olhando para trás

Anthony Vanden Borre, Salvatore Bocchetti e Sokratis Papasthopoulos. Em comum entre os três, o fato de serem defensores contratados pelo Genoa, na última janela de mercado, para a próxima Serie A. No time grifone a situação é mais clara, mas o investimento em jovens para o setor defensivo não deixa de aparecer também em outros clubes da primeira divisão italiana.

O belga, lateral-direito de origem, deve ser utilizado na direita pela zaga a três do técnico Gian Piero Gasperini. Sensação do Anderlecht por vários anos, Vanden Borre fechou com a Fiorentina na última temporada, mas jamais alcançou a titularidade, com apenas dois jogos durante sua passagem. Bocchetti foi titular da Itália na última Olimpíada, após se destacar pelo Frosinone na Serie B. E o grego Papasthopoulos, ou simplesmente Sokratis para a mídia e a torcida locais, chegou ä seleção neste ano após uma ótima temporada pelo AEK, de Atenas.

O trio terá a companhia de Domenico Criscito, prata-da-casa com seus direitos federativos ligados ä Juventus. “Mimmo” chegou ao clube em janeiro e logo conquistou seu lugar na defesa, que, pelo menos em tese, deve manter em 2008-09. O grupo de jovens terá a companhia do experiente Matteo Ferrari, recém-saído da Roma após não ter seu contrato renovado. O ex-zagueiro da seleção italiana chega para dar o toque de experiência necessário para equilibrar o setor, ponto fraco na equipe na última campanha.

O plano do Genoa rompe com o tradicionalismo vigente na Serie A que prega um enorme cuidado com as promessas dos clubes da primeira divisão. Com o imediatismo da torcida contornado fora do eixo dos gigantes italianos, o maior tempo de trabalho tido pelos técnicos com os jovens jogadores tende a crescer. Não só isso. A melhor condição para o desenvolvimento físico do jogador também é ponto fundamental dessa nova oportunidade que os jovens parecem ter conquistado para a próxima temporada.

Além do clube de Gênova, outros times “menores” também fazem algumas apostas interessantes para suas defesas. A principal delas recai sobre o lateral-direito colombiano Juan Camilo Zúñiga, já presença constante nas listas recentes de convocações de sua seleção e que tende a ocupar a vaga deixada pelo veterano Valerio Bertotto, freqüentemente utilizado como zagueiro nos últimos jogos deste ano. Sua chegada também mostra a decepção sobre Luca Rossettini, que chegou da base alvinegra mas ainda não conseguiu se firmar como opção confiável.

Alguns outros nomes devem se tornar comuns aos ouvidos dos torcedores mais atentos: o uruguaio Miguel Ángel Britos, contratado pelo Bologna junto ao Montevideo Wanderers; o dinamarquês Simon Kjaer, ex-Midtjylland e novo reforço do Palermo; o argentino Jonathan Bottinelli, revelado pelo San Lorenzo e contratado pela Sampdora; e o sérvio Dusan Basta, multicampeão com o Estrela Vermelha em seu país, com passagem por Copa do Mundo e candidato a surpresa na Udinese.

Se a última convocação da seleção italiana (a primeira de Lippi) gerou tanta controvérsia quanto aos nomes da defesa, estas novas chegadas podem ser um bom começo para que algo vingue e a seleção italiana retome sua condição de casa dos melhores defensores do mundo. Ou pelo menos recupere o orgulho nacional proveniente das boas defesas de seu campeonato nacional.

Escrito originalmente para o Olheiros.

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