Seleção italiana

Porque vencer bem é relativo

Se Lucas Leiva enchesse um petardo a 30 metros do gol e marcasse, contra a Bolívia, para depois ainda fazer mais um gol e dar a vitória ao Brasil, por 2 a 0, em casa, como seria a reação geral? Ele seria poupado de quaisquer críticas, teria seu lugar no grupo inquestionável por um período… E a seleção brasileira sofreria mais críticas, e em abundância. Porque vencer só por 2 a 0 uma outra equipe – que em todos os quesitos futebolísticos é absurdamente pior – não seria, jamais, o suficiente. Seria preciso jogar bonito, animar e inspirar a garotada juvena.

Como vocês devem saber muito bem, não é a mesma coisa na Itália. De Rossi, claro, arrancou vários elogios e puxações-de-saco – sendo até comparado com o craque inglês Steven Gerrard. Mas a visão de vencer ‘somente’ por 2 a 0 a Geórgia não foi alvo de críticas duras, puxões de orelha ou vudus de Lippi. Óbvio, também não foi nenhum motivo de orgulho avassalador ou de um otimismo fervoroso, mas lá – e hoje nem entrarei no mérito se isso é bom ou ruim – não há nenhum esquartejamento (senti)mental para resultados semelhantes.

Claro que morrer em campo para vencer as Ilhas Faroé com gol de Inzaghi, ou então depender de Di Natale – nos acréscimos – para derrotar o Chipre, é abusar.

– E dá-lhe Amauri. Marcello Lippi teceu elogios ao neojuventino e disse que, antes de qualquer outra coisa, é preciso que o (até agora) brasileiro resolva os imbróglios referentes à sua naturalização. Alguma dúvida de que ele terá ao menos algumas chances com a camisa da Azzurra? Já diria qualquer mala pseudo-engraçadão, “Dunga: perdeu, playboy”.

– Curioso foi o fato abordado por Luca Toni, após a partida, que só aumenta uma polêmica altamente discutida: “Se ganhamos, eu joguei mal. Se perdemos, culpa minha. Quando caímos na Euro, o responsável fui eu. Estou cheio disso. (…) Se jogasse na Juventus ou no Milan, com certeza seria melhor tratado”. Francesco Totti, para citar só um exemplo, fazia críticas semelhantes abertamente. O romanista, já aposentado da seleção, ainda afirmou que o mesmo preconceito com romanos – nas palavras dele – suceder-se-ia com De Rossi e Aquilani.

3 comentários

  • Luca Toni não pode reclamar muito das críticas que recebe porque na Euro ele foi um fiasco… E digo mais, se a Itália depender dele pra ganhar alguma coisa, podem esquecer. Por sorte eles têm um De Rossi pra salvar o jogo. A falta que Totti faz à Azzurra é cada vez maior…

  • Complesso di ”vira-lata”, lo conoscete?

    Numa boa, tenho sim algumas restrições em relação ao romano mas o acho um baita jogador. Só que já deu no saco essa mania de perseguição. Um exemplo do absurdo que é essa suposta proteção aos jogadores do eixo Turim-Milão é o próprio Del Piero. Com Ale, a tolerância sempre foi 0: mídia, torcida e treinadores nunca tiveram paciência com o pinturicchio e ta aí, nunca se tornou na azzurra o que foi e é no seu clube. Quem sai perdendo são todos: juventinos, milanistas, romanistas, o país…

  • belo texto piá, mas discordo quando se confunde puxação de saco com merecimento. Os dois gols de De Rossi neste jogo foram algo de se aplaudir de pé, e não é porque sou um romanista doente e orgulhoso do biondino futuro capitão da Roma (mais uma bandeira pra se colocalar ao lado dos romano-romanistas), mas sim que a de que fazer gols, não é função específica do meio-campista e sim das atibaias como “Jáéaquinta” entre outros procurar demonstrar todo o potencial de “artilheiro” nato.

Deixe um comentário