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Como Inter e Milan (não) renovaram seus elencos

É um desafio bem considerável pedir para que alguém cite três jogadores de até 23 anos que tenham se firmado nos elencos de Internazionale e Milan, neste ano. Uma das inclusões mais louváveis, a de Luca Antonini no time de Carlo Ancelotti, tem apenas ares de jovem promessa: revelado no clube, começou a ser emprestado em 2001 e só nesta temporada, aos 26 anos, começou a ter chances – e tem correspondido.

O ano de 2008 não foi nada bom para os jovens em Milanello. Ao fim da temporada 2007-08, a torcida deu adeus ao francês Yoann Gourcuff, que passou dois anos tentando se firmar, e ao “predestinado” Alberto Paloschi, que estreou contra o Siena marcando um gol com apenas 18 segundos em campo. Nenhum dos dois teria espaço num elenco ainda mais envelhecido que o dos últimos anos, com as aquisições de Ronaldinho, Shevchenko e Zambrotta.

Para mensurar como a renovação no Milan anda atrasada, na primeira metade da temporada 2008-09 apenas três jogadores sub-23 entraram em campo pelo time: o lateral-direito Matteo Darmian, o meia Rodney Strasser e o atacante Alexandre Pato – sendo que só o brasileiro jogou por mais de meia hora. Ainda assim, não foi o ano de Pato. Durante 2008, somando campeonato, copa e copas européias, foram 17 gols em 42 partidas. Uma estatística longe de ser ruim, mas ainda distante da expectativa criada pelos 22 milhões de euros de Berlusconi.

Depois de um começo acima da média no Milan, sua fraca participação na campanha do Brasil na Olimpíada foi altamente prejudicial para sua seqüência. Além de, aparentemente, ter queimado um pouco de seu filme com Dunga, a chegada tardia à pré-temporada milanista atrapalhou seu início de temporada no mesmo instante em que lampejos de Ronaldinho decidiam algumas partidas e lhe tiravam espaço. Sem Cafu, Serginho e Ronaldo, até mesmo a adaptação de Pato em Milão foi mais complicada e nada ajudou o começo inconstante do time. Mas sua fantástica atuação nos 5 a 1 contra a Udinese, no último jogo do ano, dá provas de que Pato ainda está vivo. E não deve demorar a marcar seu território.

Darmian, entrando no segundo tempo dessa goleada sobre a Udinese, voltou a jogar pela Serie A, 19 meses depois de sua estréia. Capitão do time de juniores do Milan, o lateral italiano não encontrou espaço para ser aproveitado: acabou barrado por Antonini e um nada brilhante Zambrotta. Strasser, outro nome promissor do elenco primavera do clube, jogou apenas um par de minutos e voltou para a base. O Milan, aliás, não faz boa campanha no Campeonato Primavera e até mesmo o uruguaio Viudez tem decepcionado.

Quem está de fora, vem bem. Praticamente todos os jogadores emprestados pelo Milan às séries A e B vêm bem em seus clubes – o que não conta muito para que sejam aproveitados num futuro recente. Antonelli (lateral-direito, Parma), Perticone (zagueiro, Livorno) e Ardemagni (atacante, Triestina) fazem grandes temporadas. Abate (meia, Torino) e Paloschi (atacante, Parma) têm subido exponencialmente de rendimento. A nota infeliz fica por conta de Digão (zagueiro, Standard Liege), que se lesionou em setembro e só volta em março.

Do lado de lá de Milão, a grande promessa atendia por Mario Balotelli. Fenômeno na base do clube, foi também o único jogador da primavera a ter alguma real oportunidade sob o comando de Roberto Mancini. Supermario começou 2008 com o pé direito, com sete gols em seis jogos no Torneio de Viareggio, do qual a Inter saiu vencedora. Daí até o fim da temporada, foram sete gols em 15 partidas entre Serie A e Coppa Italia, nada mal para quem completaria 18 anos apenas em agosto.

Sem Mancini, Balotelli perdeu um pouco de espaço. Na atual temporada, o atacante completou oito jogos sem marcar gols na Serie A e no início de dezembro foi “rebaixado” ao elenco primavera da Inter para que pudesse compreender “a diferença entre a base e o profissional”, nas palavras de José Mourinho. Na partida contra o Treviso, marcou dois gols e logo voltou ao elenco principal. Mas sabe-se lá por quanto tempo. Ainda que o mecenas Massimo Moratti garanta sua permanência, a fila por suas prestações é longa, encabeçada por Bologna e Sampdoria.

Outro atacante sub-23 em compasso de espera no elenco nerazzurro é Victor Obinna, um dos principais jogadores do Chievo campeão da Serie B em 2007-08. Valorizado demais para continuar em Verona, retornou à Inter, que tentou repassá-lo a outro clube. Obinna chegou a fechar com o Everton, mas não conseguiu permissão trabalhista e permaneceu em Milão, mas de janeiro não deve passar. O atacante teria sido incluído numa proposta ao Genoa por Diego Milito e não raro é especulado pela Roma. Nos giallorossi marcou seu único gol com a camisa da Inter, nas seis partidas em que jogou.

Para variar, a Inter desperdiçou seus jovens por mais um ano. Daquela que talvez tenha sido a melhor fornada da era Moratti, apenas Balotelli teve oportunidades. Na hora ideal para aproveitá-la, o presidente gastou milhões de euros para contar com Mancini, Quaresma e Muntari, ao invés de pressionar pelo aproveitamento de seus jovens. Com isso, perderam espaço os lateral-direito Filippini, o zagueiro Mei, os meias Krhin e Bolzoni e os atacantes Ribas e Napoli. Sem contar quem já saiu do clube: o lateral-esquerdo Fatic (Vicenza) e os meias Filkor (Sassuolo) e Maaroufi (Twente). Ano após ano, a Inter não sabe o que fazer com os frutos de seu vivaio. E, infelizmente, 2009 não deve ser muito diferente.

1 comentário

  • Acho que Antonini ainda tem muito pra mostrar, mas é um bom jogador. Zambrotta deveria esconder a cara por estar mostrando um futebol tão fraco. Pior é que o Carlo Ancelotti não vê isso. Parece que o treinador não tem confiança nos jovens da primavera rossonera.

    Assim como Massimo Moratti, que gastou uma fortuna em Quaresma – a pedido de Mourinho – e vem se “destacando” muito… nos passes de letra. Porque jogar futebol que é bom, nada. É uma pena que Milan e Inter vivam com suas contratações milionárias e não dêem oportunidades aos jovens. Aposto que um jogador bem formado na primavera interista faria bem mais que Quaresma.

    Mas, para eles, é melhor comprar feito do que produzir.

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