Serie A

Dérbi do coração

No intervalo do dérbi romano, o técnico giallorosso Spalletti e o diretor esportivo biancoceleste Tare foram expulsos pelo árbitro Emidio Morganti. O episódio é uma boa mostra do que foi a partida de sábado, nervosa e de pouco espetáculo. Muito coração para pouca razão. Mas com o 4 a 2 para as águias, as portas da Europa se reabrem para a Lazio, enquanto a Roma as fecha por falhas próprias – não só neste jogo, mas numa sequência interminável de tropeços nas próprias pernas.

Daniele De Rossi: a alma romanista se lamenta após vexame

A Roma largou estranha, com a insistência de Spalletti no que não havia dado certo na última temporada: um 4-2-3-1 com improvisações nos flancos. Brighi entrou pela direita, Baptista pela esquerda, e o time pareceu perdido enquanto esteve assim. Melhor não seria o brasileiro ao lado de Perrotta às costas de Totti, num módulo que deu certo e garantiu ao menos um bom fluxo de jogo enquanto durou nesta temporada? Já Delio Rossi não inventou para montar a Lazio num 4-4-2 em que a alta liberdade concedida a Foggia pela esquerda era equilibrada com a presença de Brocchi por aquele lado.

A diferença na preparação, principalmente psicológica, se mostrou em quatro minutos. Foi o tempo para Pandev e Zárate abrirem o jogo para a Lazio soterrar uma Roma que começou perdida e só se encontrou com o gol de Mexès, num rebote de dentro da área. A Roma terminou melhor o primeiro tempo, mas o nervosismo nas conclusões parava nas mãos ou na trave direita de Muslera. A defesa laziale, aliás, fez uma grande partida, com destaque para um Siviglia em grande fase que parou Totti de modo formidável.

Na frente, Foggia e Zárate fizeram suas a partida. O argentino voltou a jogar bem e talvez tenha feito sua melhor partida desde que chegou à capital. Enquanto o italiano deu mais uma prova de que merece as atenções de Lippi. Do outro lado, De Rossi parecia o único sóbrio do time. Se nunca havia marcado gol em um dérbi, agora o fez na pior das oportunidades: alma do time, foi o único a lutar do início ao fim contra adversários e um pouco de azar. E contra os próprios companheiros. Como Doni, que tem em sua conta pelo menos um pouco de cada um dos quatro gols levados. Se o segundo laziale é também responsabilidade de Brighi, vale a nota de que a Roma só se manteve no jogo enquanto o meia esteve em campo.

Mauro Zárate: comemoração interminável após o segundo gol

A Roma aceitou a derrota com apatia no segundo tempo e a torcida se irritou bastante com a postura do time. Os jogadores romanistas foram para a curva sul lançar suas camisas e foram mandados para o vestiário com muitas vaias – os únicos jogadores “preservados” foram as bandeiras Totti e De Rossi. A Roma segue na sexta colocação, há oito pontos do Genoa, que provou estar vivo na luta pela LC ao bater a Juventus. Já a Lazio segue em nono, mas só dois pontos atrás do Palermo (sétimo), voltando a sonhar com uma vaga na Liga Europa.

2 comentários

  • O 4-4-2 é o esquema que mais vem sendo utilizado quando um time com alguma técnica quer golear a Roma. todas goleadas, e incluo aqui até as pré-temporadas foram no esquema acima descrito. Spalletti conseguiu construir uma arapuca pra si mesmo e agora não consegue nem mesmo acalmar os nervos do próprio elenco que fica correndo atrás do rabo. Os maus exemplos foram tomados pela falta de humildade e de competência em um derby feio a título de esportividade e ridiculo para o time romanista. méritos aos celestes que souberam desfrutar a altura o sepultamento desta Roma de Julio Baptista, Doni e Cia ltda.

  • A Roma com esses novos esquemas táticos do Spalletti está tomando uma sapecada, principalmente porque as laterais estão improvisadas após as saídas de Mancini e Giuly (que ainda não foram substituidos à altura) e todo time que joga em 4-4-2, explorando as laterais, encontra na deficiência romanista atual seu caminho pro gol. A diretoria romanista tem que abrir os olhos pra muitas coisas, principalmente parar com a mania de contratar um monte de gente, porque o elenco em si é bom, o grupo é forte, é melhor, portanto, investir em um ou dois jogadores que desequilibrem a partida, que sejam decisivos. E a primeira contratação tem que ser um goleiro de peso, porque o Doni, nossa… Prefiro não comentar.

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