Serie A

Pode carimbar

Depois de empatar em 1-1, no Derby d’Italia com a Juventus, no Comunale de Turim, a Inter precisa de muitos poucos passos para alcançar o tetracampeonato – inédito na sua história. Como a distância entre as duas equipes se manteve em 10 pontos e faltam apenas seis rodadas e 18 pontos possíveis, só uma hecatombe tira este título do clube de Via Durini. Como disse o Gian Oddi, no A Bola na Bota, neste jogo “a Inter enfrentou sua principal concorrente no Italiano, jogou melhor, provou mais uma vez que é mais time e que seu título é incontestável”.

Chiellini e Ibrahimovic resumem a rivalidade entre as equipes

O dérbi
Claudio Ranieri mandou a campo o 4-4-2 e a equipe que se esperava. Porém, não pôde contar com Amauri para o banco de reservas, porque o atacante não se recuperou a tempo para a partida. José Mourinho, por outro lado, inovou na escalação e na tática: o técnico de Setúbal optou por uma defesa mais física e experiente, com Zanetti e Chivu nas laterais, Cordoba e Samuel no centro da zaga. Santon, que não teve desempenho tão satisfatório na lateral direita, acabou indo para o banco. Mourinho testou um 4-1-4-1, com Cambiasso atuando atrás da linha de meias formada por Stankovic, Muntari, Figo (que começou a partida) e Balotelli. A frente deles, Ibrahimovic.

Após dez minutos bastante equilibrados, a Inter teve a primeira chance do jogo: Balotelli recebeu passe de Ibrahimovic, livrou-se de dois defensores e bateu rasteiro. Se não fosse o leve desvio de Buffon e a rapidez de Tiago, ao cortar a bola em cima da linha, a equipe nerazzurra teria saído na frente logo no início da “big match”.

O primeiro tempo seguiu equilibrado. A Juventus teve algumas chances não muito claras com Iaquinta e Del Piero. Porém, a chance mais clara para os bianconeri esteve nos pés de Marchionni, que após receber passe açucarado, adiantou demais a bola e viu Júlio César crescer a sua frente. A Inter ainda teve uma chance semelhante com Figo, e outras através de Samuel e Stankovic, em chutes que não assustaram muito Buffon. A propósito, na mesma semana do jogo, o titular da Azzurra afirmou que Júlio César está em melhor momento que ele, apimentando mais o clima para a partida.

Buffon defendeu quase todas. Quase.

No início do segundo tempo, a Inter voltou pressionando a dona da casa e Buffon precisou mostrar serviço. Em dez minutos, o goleiro juventino teve de defender um forte chute de Stankovic e uma potente cabeçada de Ibrahimovic.

Foi através de uma jogada iniciada por Stankovic e ‘Ibra’ que saiu o gol da Inter. Após escanteio batido por Del Piero, a defesa da Inter roubou a bola e iniciou a jogada. Com muita inteligência e habilidade, Ibrahimovic tabelou com o sérvio e logo estava desmarcado. Aproveitando a velocidade de Muntari (que fez boa partida), o artilheiro do campeonato fez o lançamento e assistiu Balotelli receber sozinho na área para fuzilar Buffon, aos 19 do segundo tempo. Foi o sexto gol do baby nerazzurro nesta Serie A.

A partir de então, o jogo esquentou. A Inter continuou a manter o controle da partida, embora Marchionni tenha perdido uma chance idêntica a do primeiro tempo logo após o gol interista. Os três pontos pareceram ainda mais próximos da Inter quando Tiago foi expulso por agredir Balotelli, aos 30 minutos do segundo tempo. Depois disso, a Inter ainda criou duas jogadas perigosas: Buffon teve de se esticar para defender um chutaço de Stankovic (que jogou bem, favorecido pelo esquema) e um arremate de Cruz. Por todas as defesas decisivas, após a partida, Mourinho afirmou que o goleiro da Juve foi o melhor em campo.

O jogo ainda contou com um lance polêmico: com boa chance de chutar para gol, Ibrahimovic pareceu ter sido puxado por Legrottaglie na área. Na seqüência da jogada, a Juventus obteve um escanteio, decisivo para o placar. Giovinco, que deu novo gás para a equipe da casa, cobrou o córner e Grygera, sozinho na área adversária, empatou o jogo. Apesar de muito comemorado, o gol de empate não deve alterar o panorama do campeonato. Pelo contrário: se o Milan vencer o Torino amanhã, se iguala em número de pontos a Juventus. Com um dérbi entre as duas equipes a ser disputado em Milão daqui a três rodadas, os rossoneri têm grandes possibilidades de terminarem esta Serie A na segunda colocação.

Fazendo história e inimizades

Supermario comemora: cada vez mais importante para a Inter

Balotelli já começa a fazer história contra a Juventus. Com apenas 18 anos de idade e pouco mais de um ano de carreira, o palermitano já coleciona três gols marcados contra a rival. Curiosamente, todos foram marcados no Comunale de Turim. Na última temporada, em sua estréia em dérbis, Balotelli fez dois gols, jogando pela Copa da Itália. Desta vez, Supermario marcou um gol mais importante, com o peso de poder ter sacramentado o título desta Serie A para a Inter.

Jogando pelas pontas, assim como contra a Roma, Balotelli atuou muito bem. É nessa posição que ele deve ser utilizado por Mourinho daqui para frente, já que foi nessa função que ele mais deu bons frutos. Porém, Balotelli ainda precisa ajudar mais na marcação. Mourinho já avisou e ele parece ter recebido bem o recado do treinador.

Hoje, além do gol, ele participou de várias jogadas da equipe visitante, criando, e finalizando, como na primeira chance do jogo, que Tiago tirou quando a bola já ia passando da linha do gol. O que impressiona é que, tão jovem, assumiu postos estratégicos na equipe, como o de cobrador oficial de escanteios e faltas que devam ser cruzadas na área.

Os gols e sua postura arrogante em campo tem lhe feito ganhar antipatia dos adversários. Legrottaglie mesmo reclamou hoje de sua postura em campo, como fez a bandeira romanista Bruno Conti, após o empate em 3-3 no Meazza. Mesmo assim, a postura de Balotelli não justifica os cantos racistas entoados contra ele por grupos de torcedores da Juventus e da Roma. Assim como fez com o clube capitolino, a Lega Calcio deve tomar a atitude culturalizada pelo futebol e que não resolve nada: aplicar uma multa na Juventus pelo mau comportamento de seus torcedores.

3 comentários

Deixe um comentário