Serie A

900 minutos em 9: 4ª rodada

Totti marca dois e dá uma assistência, só para calar as críticas de Ranieri (Reuters)

A “rodada do cinismo” foi aberta no sábado no San Paolo, em jogo que só acabou sem gols por pouco, já que não faltaram chances para Napoli e Udinese – e, para este resumo não se alongar, elas podem ser vistas nos melhores momentos do jogo. Os partenopei mandaram no jogo, e tiveram oportunidades clamorosas, como as perdidas por Zúñiga, Quagliarella e Hamsik. Lavezzi e Dátolo tiveram destaque na partida, criando tudo o que acontecia do lado azzurro e dando muito trabalho para Handanovic, que fez excelente partida. Houve um gol para os visitantes, que seria o sétimo de Di Natale na competição, mas foi mal anulado pelo trio de arbitragem. Saccani e seus auxiliares viram impedimento do atacante, em um lance confuso na área: na verdade, o desvio que fez a bola sobrar para Totò foi feito por Santacroce. Para os napolitanos, fica o consolo de que a equipe já demonstra padrão de jogo, mas precisa de mais competência nas finalizações.

No outro jogo do sábado, pode-se ver a primeira equipe a se valer do cinismo típico dos campeões: a Juventus marcou seu primeiro gol com Iaquinta, aos oito minutos de jogo, após cruzamento de Camoranesi. O ítalo-argentino, aliás, foi muito bem e dele saiu também a assistência para o gol de Marchisio, além de um chute perigosíssimo à meta defendida por De Lucia. Do lado amaranto, Candreva deu tanto trabalho quanto deu ao Milan, fazendo um duelo interessantíssimo com Buffon. Gigi, aliás, foi o melhor em campo, salvaguardando os três pontos da Vecchia Signora com quatro defesas espetaculares.

O Luigi Ferraris foi, novamente, palco de um grande Cassano, na goleada da Sampdoria por 4 a 1 sobre o Siena. Fantantonio, o pilar da equipe blucerchiata, teve a primeira chance do jogo logo no início, ao entrar em diagonal na área do Siena, mas Curci defendeu. O ex-goleiro da Roma, no entanto, teve apenas este momento de brilhantismo, já que poderia ter sido mais firme em três lances que originaram gols. Cassano, por sua vez, foi decisivo, ao participar de três dos quatro gols: o primeiro, com assistência para o terceiro gol de Mannini no campeonato. O ex-jogador do Napoli, aliás, caiu como uma luva no 4-4-2 de Del Neri, se juntando a Cassano e Pazzini como jogador-chave desta equipe. As duas outras participações do barese foram em chutes que fizeram Curci soltar a bola nos pés do suíço Padalino, autor de dois gols muito parecidos.

A alegria dos dorianos nesta rodada foi ainda maior porque a outra equipe de Gênova, que lhes acompanhava na ponta da tabela, tropeçou feio. Jogando contra o Chievo em Verona, sem Moretti e Zapater, poupados, Criscito, suspenso e alguns titulares no banco, o Genoa já perdia por 2 a 0 com sete minutos de partida, com gols de Marcolini (pênalti) e Bogdani, após indecisão entre Bocchetti e Amelia. Floccari chegou a diminuir de pênalti no segundo tempo, mas a defesa seguia mal: Amelia já tinha dado um susto no time antes do gol de desconto e falhou novamente no terceiro gol, com mais uma indecisão. Floccari, sempre ele, ainda desperdiçou um pênalti nos acréscimos. Mal resultado para os rossoblù logo antes de enfrentar a Juventus, na quinta.

O Catania recebeu a Lazio no Massimino, um campo em que, tradicionalmente, a Lazio não se sai bem. O Catania largou na frente graças a um gol do uruguaio Martínez, que deu trabalho durante toda a partida. Os laziale, cansados após o jogo de quinta, contra o Red Bull Salzburg, demonstraram futebol opaco durante toda a partida e só conseguiram o empate após jogada individual de Foggia. O esterno cruzou na medida para Julio Cruz, desmarcado por falha da defesa etnea, cabecear paras as redes. No entanto, os donos da casa só não venceram e saíram da zona de rebaixamento porque Lichtsteiner tirou um gol feito de Morimoto, que demorou de concluir uma joagada feita por Martínez.

Outro que segue na zona de rebaixamento é o Cagliari, que recebeu a Inter no Sant’Elia. Os rossoblù foram a campo com a expectativa de obter a primeira vitória na Serie A. Allegri prometera um Cagliari “inconsequente”, já que nada tinha a perder e o que viesse seria lucro. O primeiro tempo refletiu bastante a postura adotada pelos rossoblù: eles partiram para cima da tetracampeã e dominaram a partida, com maior posse de bola e atividade ofensiva intensa de Cossu e Dessena. A Inter, por sua vez, se contentou apenas com a volta de Cambiasso, um chute de Stankovic e um pênalti cometido por Maicon, que Jeda converteu. Porém, no segundo tempo o cinismo da Inter não tardou a aparecer e quem mudou o jogo foi Diego Milito: o primeiro gol surgiu após bobeada de Canini, que levou um tranco limpo de Eto’o, deixando o argentino livre para empatar. A virada veio em cinco minutos, após um lançamento longo de Stankovic, que Il Principe completou com um toque alto. O Cagliari seguiu pressionando, sempre com Dessena, Cossu, Matri e Jeda, mas esbarrou em grande partida de Cordoba e Lúcio. A Inter, cínica como a Juventus, vai se estabelecendo na parte mais alta da classificação, enquanto o jogo de hoje mostra que o Cagliari tem potencial para sair da zona de rebaixamento.

Parma e Palermo fizeram uma partida morna no Tardini. Logo no primeiro tempo, os donos da casa saíram na frente com gol de Zaccardo, ex-Palermo, após falta cobrada por Lanzafame. Zenga escalou seu time com três volantes (Bertolo, Blasi e Nocerino), com Pastore e Simplício abertos e apenas Cavani no ataque, mas pecou pela escolha, já que Mariga e Galloppa dominaram facilmente o desarrumado meio-campo rosanero. No segundo tempo, os visitantes voltaram com Miccoli e uma postura mais ofensiva, mas não foi suficiente para empatar a partida, pois Mirante fez três boas defesas e a dupla de zaga Paci e Panucci esteve bem postada.

O Bari, outra equipe que veio da Serie B e está fazendo sucesso na máxima série, não se acanhou com a tradição da Atalanta. Muito pelo contrário, se aproveitou da fragilidade da equipe nerazzurra para aplicar uma sonora goleada por 4 a 1. Os primeiros gols dos barese no San Nicola tiveram participação fundamental do brasileiro Barreto (um gol, uma assistência e um pênalti perdido) e dos pontas Alvarez e Rivas, que dão muito trabalho com sua velocidade e determinação. O outro gol da equipe biancorossa foi de Donati, após estranho cruzamento de Meggiorini, camisa 69. Por outro lado, é inegável que o bom elenco da Atalanta está desmotivadíssimo e rendendo muito menos do que dele se esperao resultado se explica também por isso. Angelo Gregucci, que não tem nenhum bom trabalho no currículo, não deve permanecer no cargo.
A terceira das grandes equipes italianas também foi cínica nesta rodada. Jogando mal contra o Bologna, no San Siro, o Milan saiu com a vitória graças a um solitário gol de Seedorf, que coroou a semana após sua bela atuação contra o Marseille. O time escalado por Leonardo começou o jogo com Abate na lateral direita e Seedorf como trequartista. Ronaldinho? Nem no banco. Com dificuldades de vencer a boa linha defensiva do Bologna, liderada por Portanova e Lanna, o Milan não criou muitas chances. Entretanto, o gol rossonero poderia ter saído logo no início, quando Pato serviu Gattuso na grande área, mas o meia bateu por cima do gol de Viviano. No segundo tempo, antes do gol do meia holandês, Pato acertou a trave e Inzaghi jogou por cima do gol um presente dado por Andrea Raggi, que destoou do resto da zaga. A propósito, o gol de Seedorf, surgiu de uma jogada em seu setor. Depois do gol, Pippo Inzaghi perdeu mais duas chances, esbarrando em Viviano e na trave. Porém, por pouco os bolonheses não saíram com o empate no fim do jogo: Storari defendeu muito bem uma bomba de Mingazzini e uma cabeçada de Portanova não entrou por centímetros. Vitória magra que valeu, para Adriano Galliani, tocar a música da Liga dos Campeões no vestiário, após o jogo.

No Olímpico, no jogo que fechou a rodada, Totti, que jogou com a mesma liberdade e na mesma posição de sempre, calou Ranieri. No meio da semana, o recém-chegado treinador romanista chegou a dizer publicamente que um jogador da qualidade de Totti precisava se reinventar, buscar novas formas de jogo. Incentivado pelos tifosi, Totti foi o líder de uma Roma que engoliu uma inexistente Fiorentina desde o primeiro minuto. Aos 25, Vucinic conseguiu um pênalti, ao tentar driblar Gamberini e ver o defensor viola cortar a bola com a mão. O capitão converteu e, em menos de quinze minutos, a Roma já marcara outros três gols, dois de Totti: o primeiro, anulado por impedimento polêmico; o outro, validado, foi uma bomba de dentro da área, quando, desmarcado, ele aproveitou a sobra de um escanteio. O terceiro gol giallorosso surgiu de uma jogada trabalhada entre as duas bandeiras do time: De Rossi trocou lançamentos com Totti, antes de cabecear para as redes de um inconsolável Frey. No segundo tempo, de poucas emoções, a se destacar a partida madura do jovem Okaka e as falhas defensivas da defesa romanista. As falhas quase permitiram a Gilardino marcar três gols no fim do jogo, mas, no fim das contas, o bomber viola marcou apenas um, após erro de passe de Perrotta.

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Seleção da 4ª rodada:
Buffon (Juventus); Cordoba (Inter), Paci (Parma), Portanova (Bologna); Padalino (Sampdoria), Camoranesi (Juventus), De Rossi (Roma), Candreva (Livorno); Cassano (Sampdoria), Milito (Inter), Totti (Roma).

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