Serie A

900 minutos em 9: 5ª rodada

Inter, de Milito e Maicon, divide a liderança com a Juventus (Getty Images)

Uma das rodadas mais quentes do campeonato teve vários grandes jogos disputados na mesma hora. Esse fato, péssimo para a televisão e para quem quer ver bons jogos de futebol, deve se repetir na décima rodada. A quinta rodada viu a Inter bater o Napoli com facilidade e chegar à liderança pela primeira vez nesta Serie A, dividindo-a com a Juventus, que empatou com o Genoa no melhor e mais disputado jogo do meio de semana. Ainda tivemos a derrota da ex-líder Sampdoria para uma Fiorentina em recuperação, um jogo cheio de lama e lambanças em Palermo, mais uma derrota do Milan e o sétimo gol de Di Natale, a manutenção da boa fase do Parma e dois empates insossos, em zero a zero. Vale ressaltar que foi uma rodada recheada de lances de impedimentos em jogadas de velocidade, uns marcados e outros não. Em Milão, Údine, Palermo e Gênova aconteceram lances assim.

Em Milão, parecia difícil para a Inter a tarefa de vencer o Napoli e sonhar com a liderança. No entanto, a resposta para parte da questão foi dada em cinco minutos, quando a equipe nerazzurra já havia aberto dois a zero, com Eto’o e um belo de Milito, que recebeu em posição de impedimento o passe de um veloz Maicon. Com a tranquilidade de quem tem a partida definida, Stankovic e Cambiasso dominaram o meio-campo, atuando como jogavam na época de Mancini: Stankovic como uma espécie de regista, enquanto Cambiasso aparecia mais próximo aos atacantes. O Napoli, combalido, pouco fez: Quagliarella mal apareceu no jogo. Porém, os azzurri diminuíram com Lavezzi, graças a uma desatenção da zaga interista. A outra parte de Milão segue em crise: a derrota para a Udinese é um resultado normal, mas não com um futebol tão opaco, que faz até mesmo o sereno Leonardo ficar angustiado. Pato precisa chamar um pouco mais o jogo, porém sem ser egoísta. O Milan de quarta não foi o histórico clube rossonero, mas apenas a quinta vítima de Di Natale, que contou com uma bela jogada do chileno Isla para marcar seu sétimo gol na temporada.

No empate por três a três entre Palermo e Roma, que teve lugar no encharcado campo do Renzo Barbera, após um dilúvio, houveram lances bizarros e jogadas de gênio. Rubinho errou feio em dois dos gols que sofreu, fazendo a torcida ficar com saudades de Amelia e Zenga ruborizar. Mais uma vez, o arqueiro falhou nas bolas alçadas na área – uma terminou em gol. O brasileiro ainda decepcionou quando, a cinco minutos do fim do jogo, cedeu o empate à Roma ao cometer um pênalti bobo sobre Okaka, que Totti converteu. A Roma pode chorar também: o trabalho de Ranieri encontra dificuldades no nível tático, já que o time está mal distribuído taticamente. Só isso explica o fato de os giallorossi terem levado um gol trinta segundos após marcar seu tento. Por outro lado, as duas equipes ainda podem comemorar algo: a Roma, pelo pontinho que caiu do céu e, os palermitanos, pela partidaça de Miccoli. O capitão rosanero foi o motorzinho do time, caindo pelos dois lados da defesa romanista. Dessa forma, participou dos três gols da equipe – um de sua autoria. Por pouco não marcou outro, depois que deixou Júlio Sérgio para trás e chutou, mas viu a bola parar na poça d’água. Sua sorte foi que o tétrico Burdisso fez lambaça e deu um gol de presente para Budan.

Em Firenze, a derrota da então líder chegou em má hora para os dorianos, já que pode ser problemática para a moral no jogo de sábado, contra a Inter, atual líder. No Artemio Franchi, não se ouviu falar em Cassano. A Sampdoria até criou chances, algumas muito boas, que deram trabalho para Frey, mas estas foram jogadas da dupla Mannini-Pazzini. Já a Fiorentina se recuperou do chocolate que levou da Roma com uma boa vitória e grande atuação da dupla formada por Jovetic e Vargas, numa das poucas vezes que o 4-2-3-1 de Prandelli foi mesmo eficiente, muito por causa de Vargas, autor da assistência para o gol de Gilardino. Mas o destaque da partida foi o montenegrino, que barrou Mutu mais uma vez e teve grande atuação, recompensada com um gol, deixando claro que está seguindo um bom caminho para sua afirmação como grande jogador.

Segue surpreendendo positivamente o Parma montado no 3-5-2 por Francesco Guidolin: pelo que vem mostrando, os crociati devem passar longe do rebaixamento. Jogando com uniforme gialloblù clássico, o Parma foi a campo com time misto, já que gente como Paci, Panucci, Paloschi e Biabiany ficaram de fora. Seus substitutos entraram bem e participaram dos dois gols da vitória por dois a um. Zenoni levou perigo em cruzamentos e deu o passe para Bojinov, outro reserva, sofrer pênalti, convertido pelo perigoso bomber Amoruso. Antes, o búlgaro também marcou um golaço, após cruzamento de Dzemaili, que fez a ligação entre o meio-campo e o ataque. Jogando muito mal, a Lazio só conseguiu marcar um gol porque Zárate converteu pênalti assinalado pelo árbitro Velotto, por falta inexistente sobre Cruz. Até então, a equipe capitolina tem alternado momentos de bom futebol com outros de total opacidade. O principal problema até agora é a defesa inconsistente, que sucumbe à má fase de Cribari, os problemas físicos de Siviglia e a inexperiência de Diakhité.

No San Nicola, a evolução demonstrada pelo Cagliari na rodada anterior deu resultado contra os biancorossi. Em jogo muito equilibrado, o Bari apostava novamente em seus jogadores de flanco, Rivas e Alvarez, enquanto os sardos tiveram em Cossu, Dessena e Lazzari suas principais armas, sempre com chutes da entrada da área. Mas, em uma das únicas vezes que o Cagliari conseguiu entrar na área adversária, aos 78, Jeda recebeu passe de Dessena e cruzou para o ex-cruzeirense Nenê marcar seu primeiro gol na Serie A, contando com falha de Ranocchia.

Mais ao norte, no Renato Dall’Ara, jogo entre desesperados: Bologna e Livorno com a necessidade de conquistar pontos importantes sobre um rival na luta contra o rebaixamento, fizeram um jogo sem grande nível técnico e com poucas jogadas criadas. Em um dos muitos cruzamentos, Portanova marcou um gol que quase fez contra o Milan e, numa sobra, Vigiani acertou o travessão com um chute da entrada da área. Em outro bate-rebate, Di Vaio marcou seu primeiro gol na temporada e salvou (por enquanto) emprego de Giuseppe Papadopulo. Pelo lado amaranto, já há indícios de saídas: o treinador Gennaro Ruotolo deve ser demitido, enquanto as boas exibições de Candreva, que assumiu a posição de Diamanti, negociado com o West Ham, já chamam a atenção de Juventus e Inter.

As duas partidas que terminaram em zero a zero (Siena-Chievo e Atalanta-Catania), não tiveram muitas emoções. Na Toscana, o Siena se viu dominado pelos veroneses durante toda a partida. Só valem comentários duas bolas na trave para cado lado: Codrea contou com uma falha de Sorrentino e por pouco não comemorou o gol bianconero, enquanto Pellissier cabeceou com propriedade, mas deu azar ao observar a bola tocar na trave quando todos os adversários já haviam sido batidos. Em Bérgamo, a Atalanta conquistou seu primeiro ponto, já de técnico novo: Antonio Conte, ex-Bari. Porém, o jogo ficou marcado pelo confronto entre as torcidas e pela expulsão do treinador nerazzurro, quando reclamou de um toque de mão (existente) do goleiro Andújar fora da área, nos minutos finais. Com a qualidade apresentada por ambas as equipes, será tarefa dura subir na tabela.

Encerrando a rodada, um dos jogos mais esperados da rodada: em um jogo no qual a defesa do Genoa se comportou mal, a primeira chance clara acabou em gol: Iaquinta marcou, após jogada iniciada por um Marchisio que se consolida cada vez mais na meia bianconera. Com uma defesa muito bem postada, a Juventus reduziu as chances do Genoa em tiros de média distância, fazendo um bom trabalho de marcação sobretudo pelos flancos, interditados por Grygera e Grosso. Porém, o lateral-esquerdo da Juventus começou a perder terreno para o esterno rossoblù ainda no primeiro tempo, graças à desatenção que permitiu a Mesto, dez centímetros mais baixo, concretizar a gol um belo cruzamento de Sculli. No segundo tempo, a defesa dos donos da casa continuou preocupando: Iaquinta teve outras duas boas oportunidades desperdiçadas e um gol corretamente anulado por impedimento. Não seria o último: perto do fim da partida, Trezeguet estava impedido quando tocou para Chiellini marcar. Tanta facilidade para entrar na defesa do Genoa não era encontrada na última temporada, quando o time sofreu apenas 39 gols. Nesta, já são oito. O último, com uma falha generalizada: a defesa parou e deixou Trezeguet marcar e festejar com mais três companheiros livres. Por enquanto, as falhas defensivas são compensadas com a eficiência no ataque e o espírito guerreiro. Antes de levar o empate no fim, o Grifone virou com uma testada potente do valente Crespo, após mais uma jogada de Mesto sobre Grosso.

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Seleção da 5ª rodada:
Frey (Fiorentina); Maicon (Inter), Kroldrup (Fiorentina), Chiellini (Juventus), Vargas (Fiorentina); Stankovic (Inter), Marchisio (Juventus); Mesto (Genoa), Jovetic (Fiorentina), Miccoli (Palermo); Bojinov (Parma).

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