Serie A

900 minutos em 9: 13ª rodada

Quinta posição e avante: quais os limites deste bem montado Parma?

A 13ª rodada da Serie A teve média de público de 29.406 pessoas por jogo, melhor número nos últimos três anos. Alguns destes torcedores puderam acompanhar partidas de alto nível, como Milan 4×3 Cagliari e Fiorentina 2×3 Parma, ambas bastante abertas e disputadas com alta intensidade. No San Siro, o Milan partiu pra cima do Cagliari logo no início e saiu na frente com Seedorf. Porém , otime de Allegri não se abateu e pressionou enormemente, até conseguir a virada, graças a infernal dupla formada por Lazzari e Matri. Nem parecia que os rossoblù visitavam Milão: Lazzari continuou infernizando Dida, que teve atuação muito acima da média. O mesmo não se pode dizer de Kaladze, que falhou feio em um dos gols e não conseguia acompanhar o ritmo do jogo. Outro que esteve mal foi o zagueiro Astori, do Cagliari. Ele cometeu um pênalti infantil, após ser autor de uma furada dantesca. Méritos também para Ronaldinho, Pato e Borriello, autores de um gol cada. O tridente rossonero chamou a responsabilidade da partida para si e conseguiu virar o jogo. Os três tem passado por grande fase e são o ponto forte deste Milan, terceiro colocado.

Em Florença, a Fiorentina foi penalizada pelos desfalques de Mutu, Jovetic, Gamberini, Kroldrup e Montolivo e não jogou necessariamente bem. Chegou até a sair na frente, mas levou a virada do Parma, que mereceu o resultado positivo e já está na quinta posição. Novamente é hora de se aplaudir Guidolin e o dirigente técnico Pietro Leonardi, que montaram um time eficiente e que pode fazer turnover sem perder qualidade: Lanzafame, por exemplo, é um reserva de luxo, que tem se destacado quando necessário. Destaque positivo para um ótimo Galloppa e para o suíço Dzemaili, que ganhou a vaga de titular no lugar de Mariga. Destaque também para Zaccardo e Panucci, autores de belíssimos passes para dois gols crociati. No entanto, o ítalo-argentino Dellafiore destoou na zaga e foi superado duas vezes no alto por Gilardino, autor de uma doppietta “inútil”.

A Inter também praticou bom futebol e venceu o Bologna por três a um, no Dall’Ara. Não demorou para Milito abrir os trabalhos e o único momento em que se pôs em dúvida a vitória nerazzurra foi quando Lúcio e Samuel se desconcentraram e permitiram que Zalayeta empatasse, um minuto depois. Balotelli travou um duelo particular com um ótimo Viviano, que fez importantes defesas, mas acabou sofrendo três gols – inclusive um do prodígio interista. A boa partida de Motta e Cambiasso também contribuiu para o resultado, já que a dupla de volantes atuou como autênticos registas e armou jogadas perigosas. Foi assim que Stankovic acertou as duas traves no primeiro tempo e que a Inter chegou ao terceiro gol, no segundo. Cambiasso fez belo lançamento para Milito, que, de trivela, achou seu compatriota na área, livre para dar números finais ao jogo. Para a Inter, restou certo desgosto graças a infantil expulsão de Maicon, que está suspenso por duas partidas e deve desfalcar a equipe contra a Juventus. A Inter recorreu da decisão.

No confronto dos bianconeri, em Turim, nenhum dos dois times usou preto e branco. A Juve, vestindo seu uniforme cinza, conseguiu vencer os amarelos de Udine mesmo sem jogar bem e não deixou a Inter escapar, mantendo a diferença em cinco pontos. Já a Udinese sofreu com as ausências de Di Natale, Pepe e Sanchez e não conseguiu imprimir sua velocidade, acumulando mais uma partida ruim. Outros que não fizeram um bom jogo foram os brasileiros Diego e Felipe Melo. Este, aliás, ainda não emplacou no time de Turim e logo deve ceder seu lugar a Sissoko, que voltou ao time ontem. Quem voltou também foi Del Piero. Il Capitano entrou logo depois do gol de Grosso, aos seis da segunda etapa, e mostrou que ainda falta muito para alcançar a forma física e técnica de outrora. A nota triste do jogo ficou por conta dos coros racistas a Mario Balotelli, o que levou José Mourinho a levantar a questão de o Derby d’Italia de daqui a duas semanas ser jogado em campo neutro. Na próxima rodada, os bianconeri de Udine entrentam o Livorno, em casa, enquanto os comandados de Ferrara saem para pegar o Cagliari.

A Roma, mais uma vez, sentiu-se refém de seu rei: Totti voltou e, em menos de meia hora, marcou três gols no insistente Bari, melhor defesa do campeonato. Foi o suficiente para a equipe morrer em campo. No segundo tempo só deu Bari: os visitantes conseguiram criar inúmeras chances, desperdiçando-as, principalmente, através de seu artilheiro – com só dois gols no campeonato – Barreto. Não à toa os galletti têm o terceiro pior ataque da competição. Quem descontou foi Andreolli, marcando contra em cobrança de escanteio. Júlio Sérgio, que até então era o “melhor terceiro goleiro do mundo” de Spalletti, vai tirando a vaga de titular de Doni, em outra ótima partida. Com a tripletta, Totti alcançou Di Natale na artilharia da competição: agora são nove gols em oito partidas. Ambas as equipes têm 18 pontos e se encontram no meio da tabela.

No dérbi da rodada, Palermo e Catania empataram em um a um. Resultado normal, apesar da má fase rossazzurra? Não para Zamparini, que não se compadeceu com o nascimento da filha de Walter Zenga nesta semana e o demitiu, acertando em seguida com Delio Rossi. Decisão delicada, pois Zenga tinha achado um esquema interessante com três zagueiros e dois alas que estava em afse de adaptação. Quanto ao jogo, um tempo para cada equipe. O Palermo saiu logo na frente aos quatro minutos com Migliaccio, que se aproveitou de indecisão de Andújar. O goleiro argentino se redimiu ainda no primeiro tempo, ao evitar por pouco um golaço de Miccoli. Logo no início do segundo tempo, Atzori ousou e lançou Capuano e Martínez, que mudaram o jogo. O uruguaio incendiou o lado direito do ataque etnei, construindo uma série de jogadas por ali. Não à toa, uma tabelinha com Morimoto rendeu a ele o gol de empate, após aproveitar um rebote de Sirigu em chute do japonês. Resultado justo, ao contrário da demissão de Zenga, que sai derrotado de La Favorita oito meses depois de, quando ainda treinava os rossazzurri, vencer com contundência.

Marcello Lippi talvez tenha escolhi o opior jogo da rodada para assistir. Em Livorno, os donos da casa marcaram mais de um gol em uma partida nesta temporada e conseguiram uma importante vitória contra o Genoa, por dois a um. Em um jogo de baixo nível técnico, destacaram-se Candreva e Pulzetti, sempre perigosos. Não à toa, os dois gols contaram com suas participações: o neoazzurro cruzou para Lucarelli marcar o primeiro, enquanto Pulzetti marcou o gol da vitória aos 48 do segundo tempo. Do lado do Genoa, só castigo: Mesto, um dos melhores da temporada, levou cartão amarelo e ficará fora do derby contra a Sampdoria, domingo que vem. A Sampdoria, por sua vez, venceu o Chievo em casa com por dois a um, com facilidade, e voltou à zona Champions. Os blucerchiati foram puramente Cassano, que executou sua sétima assistência no campeonato e, chovendo no molhado, se deu muito bem com Pazzini e Mannini. O Chievo teve até um gol anulado de Pellissier quando a Samp vencia por um a zero, mas o árbitro Russo compensou, ao validar um gol ilegal de Mantovani, que havia usado o braço para dominar uma bola.

No Artemio Franchi de Siena, os donos da casa não saíram da lanterna, após perderem para a Atalanta por dois a zero. Apesar do resultado, os bianconeri não jogaram exatamente mal e tiveram azar: acertaram a trave três vezes. Pelo lado nerazzurro, sem Doni, Valdés e Guarente, não houve problemas: Tiribocchi confirmou a boa fase ao marcar seu quinto gol nesta Serie A, enquanto Acquafresca voltou ao time depois de lesão. O bomber perdeu duas chances incríveis, mas se redimiu após fazer boa jogada e anotar o pênalti que sofreu. Consigli, bem na partida, ainda defendeu um pênalti cobrado por Paolucci no finalzinho. A derrota valeu a cabeça do técnico Marco Baroni, que voltou a dirigir o elenco primavera para dar lugar a Alberto Malesani. Malesani não treinava um clube desde 2008 e é famoso por falar vários palavrões em uma entrevista, quando treinava o Panathinaikos. Fazendo companhia a Livorno, Atalanta e Bologna, com 12 pontos, está a Lazio, que arrancou um pontinho precioso no difícil campo do San Paolo, ao empatar sem gols com o Napoli. Stendardo, após pedir desculpas para torcida e diretoria por exigências contratuais, voltou ao time e foi um dos melhores do 3-4-3 fechadinho montado por Ballardini, que segurou o Napoli e o jogo. Pelo lado azzurro, Hamsik e Lavezzi tentaram, mas não conseguiram jogar direito por conta da grande marcação laziale. Empate merecido, que pode ser um divisor de águas na campanha da equipe da capital.

Texto com a colaboração de Mateus Ribeirete e Rodrigo Antonelli.

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Seleção da 13ª rodada
Dida (Milan); Zaccardo (Parma), Panucci (Parma), Stendardo (Lazio); Martínez (Catania), Lazzari (Cagliari), Thiago Motta (Inter), Galloppa (Parma); Milito (Inter), Totti (Roma), Borriello (Milan).

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