Serie A

900 minutos em 9: 16ª rodada

Galloppa, Lucarelli, Panucci, Paloschi, Morrone, Bojinov: mais festa em Parma (Getty Images)

Numa rodada para confirmar que os principais candidatos à quarta vaga da Liga dos Campeões continuam patinando, com as derrotas de Genoa e Fiorentina e o empate entre Sampdoria e Roma, o Parma ganhou moral na disputa, agora com três pontos de vantagem para a quinta posição, a mesma distância para o vice-líder Milan. Os gialloblù não começaram bem contra o Bologna, que abriu o placar com um lançamento de Di Vaio para Mudingayi encobrir Mirante no fim do primeiro tempo. Mas a sorte virou no intervalo, quando Guidolin pôs Amoruso no lugar de Lanzafame. Depois de Panucci marcar de cabeça seu primeiro gol com a camisa do Parma para empatar, o experiente atacante perdeu um pênalti, mas coube a ele o gol matador que definiu o dérbi da Emilia-Romagna, que não ocorria desde 2005. Daquela vez, os crociati também levaram a melhor, com Gilardino rebaixando o Bologna no spareggio. Hoje, não há uma estrela tão brilhante. Mas o conjunto do Parma tem potencial para voltar a sentir os ares da porta da frente da Europa.

Porta da qual saiu a Juventus após a goleada para o Bayern no meio de semana, na Liga dos Campeões. Ainda baleada, a Vecchia Signora perdeu mais uma, agora para o Bari, e mergulhou de vez na primeira crise de verdade da gestão Ferrara – se o time não vencer o Catania no fim de semana, alguma cabeça há de rolar: se não a do treinador, a do diretor esportivo Alessio Secco é a mais cotada. Em campo, o Bari dominou o jogo e não teve dificuldade para bater uma Juve que não consegue mais vencer longe de Turim, com quatro derrotas nos cinco últimos jogos. A defesa cheia de desfalques do Bari nem foi notada. Por outro lado, o retorno de lesão do argentino Rivas foi fundamental para complicar a defesa bianconera, que sofre demais sem Chiellini e Sissoko. O primeiro gol, de Meggiorini, saiu numa sequência de falhas de Molinaro e Marchisio. Trezeguet ainda empatou, mas Barreto pôs o Bari à frente antes de, no segundo tempo, Diego isolar um pênalti e Almirón decretar o placar final, 3 a 1.

Depois da derrota bianconera no sábado, a dupla de Milão entrou em campo para a caça. Cabia ao Milan não deixar a Inter disparar. Mas é complicado esperar algo a mais de um time que faz partida tão abaixo da média, como esse Milan do domingo. Delio Rossi acertou a defesa rosanero e não deixou Ronaldinho, em tarde pálida, repetir as boas atuações dos últimos jogos. De nada adiantou, também, o esquema de Leonardo no segundo tempo, com o brasileiro no apoio a Pato, Inzaghi e Borriello por quase meia hora. Por fim, depois de cinco vitórias seguidas na Serie A, o Milan tropeçou nas próprias pernas evidenciando cansaço físico, enquanto o Palermo corria por 90 minutos, sem parar. O segundo tempo foi, claro, de Miccoli, sempre matador no San Siro. O baixinho marcou o primeiro, um golaço, e ainda construiu a jogada para o 2 a 0 de Bresciano. Embaixo das traves do Palermo, Sirigu continua em evidência.

As derrotas de Juventus e Milan só não provocaram mais estrago no campeonato porque a Inter outra vez tropeçou em Bérgamo, na segunda vez neste campeonato em que nenhum dos três integrantes do trio de ferro venceu na rodada. Problemas à parte entre Mourinho e a imprensa italiana, dessa vez representada pelo jornalista Andrea Ramazzotti, a Atalanta continua sendo a pedra em seu sapato. Um Milito lutador abriu o placar para a tetracampeã no primeiro tempo, dando a chance para a Inter se livrar da derrota frente à Juventus na rodada anterior. Mas ficou nisso, apesar das várias chances para aumentar o resultado. Da tribuna, Mourinho comandava o time por sua caderneta depois de ter armado uma escalação super-ofensiva, com Balotelli, Sneijder, Eto’o e Milito. Se il Principe voltou a funcionar, por outro lado Balotelli decepcionou outra vez pela Serie A, após o ótimo jogo contra o Rubin. Perto do fim do jogo, Lúcio falharia feio num lançamento de Caserta e Tiribocchi empataria, livre. Dois pontos perdidos para uma Atalanta que, aos poucos, vem melhorando nas mãos de Conte. Olho em Ceravolo, finalmente se encontrando após os anos sem chance na Reggina.

Na capital, a Lazio voltou a vencer depois de 13 jogos, respirando mais aliviada após a derrota no dérbi: agora, já são três pontos de diferença para a zona de rebaixamento. Com um gol solitário de Kolarov (já na mira de Inter e Bayern), os biancocelesti conseguiram segurar o resultado frente a um Genoa que jogou mal, já concentrado na partida decisiva com o Valencia, pela Liga Europa, nesta quinta. Ponto para Ballardini, que mesmo sem Matuzalém, Mauri e Baronio conseguiu reconstruir um meio-campo sólido. Do outro lado, o tridente de ataque anômalo de Gasperini, com Mesto, Sculli e Palladino, não deu muito certo. Na próxima rodada, a Lazio encara a Inter no San Siro, mas sem Zárate, suspenso. E o tabu no qual desde maio os dois times de capital não vencem pela mesma rodada continua de pé, com o empate sem gols entre Roma e Sampdoria, agora quinta e sexta colocadas, respectivamente. No duelo entre Totti e Cassano, o giallorosso levou vantagem, mas não o suficiente para levar seu time ao gol. Se Taddei fez sua primeira boa partida da temporada, Bellucci continua fora de sintonia com a bola desde que voltou aos gramados.

Mais embaixo, na corrida contra o rebaixamento, o Catania continua sua via-crúcis. Na estreia de Mihajlovic como treinador do time, mais uma derrota, agora em casa. O algoz da vez foi o Livorno do lituano Danilevicius, que deixou o seu nos minutos finais da partida para abrir e fechar o placar de uma só vez, pouco depois da expulsão de Mascara. O Siena de Malesani também segue em recuperação e finalmente deixou a lanterna depois de dois jogos e duas vitórias, a última por 2 a 1 sobre a Udinese. Se cair nos próximos dias, Marino poderá chorar por Di Natale, suspenso neste jogo. Sem ele, a produção ofensiva friulana beira o zero e derruba o time na tabela, agora em 14º lugar, a dez pontos da zona-CL e cinco da zona-B. Lugar este que, em agosto, bem que se apostou que fosse pertencer ao Chievo. Mas os homens de Di Carlo viraram pra cima de uma Fiorentina ainda com Anfield na cabeça e nas pernas e também chegaram aos 24 pontos. Méritos de um time valente comandado por Yepes, Rigoni, Pinzi e, claro, o capitão Pellissier.

O prêmio de jogo rocambolesco da rodada vai para o 3 a 3 entre Cagliari e Napoli, que aumentou a série invicta de Mazzarri (agora são nove jogos, com quatro vitórias e cinco empates) e derrubou a sequência de vitórias do Cagliari em casa, que já era de quatro seguidas. Resumo da ópera: antes do intervalo, show de Lavezzi com direito ao golaço do 1 a 0. Depois, o Napoli aumentaria com Pazienza, em escanteio de Hamsík, antes da reação do Cagliari. Porque, quando parecia tudo acabado, Larrivey descontou e Matri empatou de cabeça no seu sétimo gol em sete jogos seguidos, igualando o recorde de Riva, há 38 anos. A virada ainda viria com Jeda, recém-entrado. Mas quando parecia tudo acabado… Outra reviravolta veio com a expulsão de Lavezzi e o empate de Bogliacino, aos 51 minutos. Dois times de futuro, se conseguirem botar a defesa na linha em pouco tempo.

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Seleção da 16ª rodada
Sirigu (Palermo); Zaccardo (Parma), Yepes (Chievo), Kolarov (Lazio); Taddei (Roma), Galloppa (Parma), Almirón (Bari), Rigoni (Chievo); Miccoli (Palermo), Matri (Cagliari), Maccarone (Siena).

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