Serie A

900 minutos em 9: 23ª rodada

E a Roma comemora mais uma: a fase da nova vice-líder não podia ser melhor (Getty Images)

Na noite deste domingo, Fiorentina e Roma fizeram o jogo mais esperado da rodada: uma das melhores chances para a recuperação viola contra uma grande oportunidade de confirmação giallorossa. Numa aula para a melhor explicação do termo “cinismo” dentro do futebol, a Roma começou a partida muito bem, mas logo perdeu espaço para a Fiorentina, que manteve a bola e atacava bastante. Ainda assim, o único gol toscano foi marcado numa das ótimas finalizações de Vargas – e bem anulado pela arbitragem. Nas outras chances, Julio Sergio sempre esteve perfeito, assim como o miolo de zaga Juan-Mexès em uma das melhores apresentações da dupla. No segundo tempo, Vucinic decidiu o jogo ao soltar uma bomba, livre na grande área depois que De Rossi desviou um escanteio de Pizarro. No fim, de nada adiantou a grande atuação do agora capitão Montolivo e nem os dez minutos opacos de estreia de Keirrison.

Com o resultado, a Roma chegou à vice-liderança e abriu seis pontos para o Napoli, último na zona de classificação para a Liga dos Campeões. Numa tarde irônica de domingo, o time partenopeu viu sua série invicta de 15 partidas cair. O Napoli não sofria gols há seis jogos, a Udinese não vencia há seis partidas. Mas a ironia maior atende pelo nome do artilheiro Di Natale, ídolo bianconero e declarado torcedor adversário, 16 gols até aqui na Serie A, três deles na partida de hoje. As desordens no início do dia, que deixaram sete pessoas feridas e levaram à apreensão de dez torcedores napolitanos, quase levaram ao adiamento da partida. Mas, em campo, Maggio também foi protagonista: fez o pênalti infantil que Di Natale converteu no rebote de De Sanctis, empatou o jogo pegando uma sobra de Handanovic e foi expulso no fim do primeiro tempo por ter (segundo Damato, juiz da partida) simulado um pênalti. Depois do intervalo, ainda assim, as melhores chances foram do Napoli. Até que, nos três últimos minutos, Di Natale assinasse mais dois gols para enterrar o time de Mazzarri.

Na Sicília, a emoção marcou o início e o fim do sábado. O estádio dedicou uma recepção calorosa a Francesco Guidolin, agora técnico do Parma e por muitos anos comandante rosanero, que foi às lágrimas. Depois de um primeiro tempo morno, os gols vieram depois do intervalo. Miccoli cobrou falta e Cavani, na primeira trave, desviou de cabeça para abrir o placar. O empate veio com polêmica, quando o uruguaio foi derrubado por Galloppa em falta clara: o árbitro Pierpaoli mandou o jogo continuar e Biabiany marcou no contra-ataque, acabando com uma sequência de 409 minutos sem gols sofridos no Renzo Barbera. A dez minutos do fim, Simplício entrou para marcar contra seu ex-clube. Nada mal para quem quase deixou o time há alguns dias, já definiu sua saída em julho e que deixou o Palermo a um só ponto de distância da zona-LC.

Com o resultado, o Palermo fez o que parecia impossível no início da temporada: ultrapassar a Juventus. E nem foi tão difícil assim, depois de mais uma terrível apresentação bianconera, com uma só vitória nos últimos dez jogos e dois empates desde a chegada de Alberto Zaccheroni. Desta vez, Zac apostou num 3-4-1-2 com Cáceres e Grosso perdidos pelas laterais. O time mostrou-se completamente perdido, cada um jogando por si, e viu a Juve dar um passo para trás em relação à partida contra a Lazio, na última semana: ainda que a defesa tenha se mostrado mais segura, o ataque não existiu. No jogo, dois gols de cabeça, o primeiro no baixo dos 1,68m de Filippini; o segundo com Legrottaglie. Mas, se houvesse um vencedor na partida, provavelmente este seria o valente Livorno, que atacou até nos acréscimos. Parte disso, claro, “mérito” de Felipe Melo, o ex-campeão de vale tudo, outra vez expulso.

Outro time que ultrapassou a Juventus neste fim de semana foi a Sampdoria de Luigi Del Neri, em seu terceiro jogo (três vitórias) desde o afastamento de Cassano. De volta à zona de classificação para a Liga Europa, a boa fase recente tem feito os blucerchiati recuperar o terreno perdido. Como bem sabe o torcedor que tem o instável Curci como titular de seu time, é impossível conseguir um bom resultado em um dia terrível dele: logo aos dois minutos, uma falha sua permitiu que Gastaldello abrisse o placar para a Samp. No segundo tempo, o Siena partiu com quatro atacantes e teve ótimas chances, mas parou na grande atuação de Storari, que tem substituído à altura o lesionado Castellazzi. Como sorte não abunda para quem está na lanterna (com um só ponto nos últimos sete jogos), os toscanos viram a Samp ampliar com Pozzi, que se aproveitou de uma indecisão entre Pratali e Curci. O gol de honra do sempre perigoso Maccarone não adiantou muito para os donos da casa. O retorno à Serie B é questão de tempo.

Além do sucesso da Sampdoria, os torcedores lígures ainda comemoram com o Genoa, que igualou a pontuação da Juventus ao bater o Chievo em casa. Os burros alados até que foram melhores durante boa parte da partida, com uma defesa forte e um jogo veloz, mas o gol vencedor saiu dos pés do capitão grifone Rossi. Se a derrota praticamente corta qualquer maior ambição na temporada do Chievo, ao menos o bom jogo de um time que andava patinando é um consolo na luta pela salvezza – agora, são sete pontos de vantagem sobre a Lazio, que abre a zona de rebaixamento. A Atalanta, dois pontos atrás dos romanos, também sonha com a fuga depois da vitória sobre o Bari. Mais outra grande ação de Mutti, muito bem no comando bergamasco: no fim do segundo tempo, pôs em campo Chevantón e Tiribocchi. O uruguaio tocou para o Tir marcar o único gol da partida em Gillet, até então intransponível.

No Giuseppe Meazza, a Inter não sentiu os desfalques de Lúcio e Sneijder e goleou o perigoso Cagliari de Massimiliano Allegri. Foi uma partida aberta, na qual a Inter mais uma vez foi implacável atuando de maneira ofensiva. O tridente composto por Eto’o (de volta após a CAN), Milito e Pandev se entendeu perfeitamente: o macedônio foi o encarregado de armar o jogo na ausência de Sneijder e o substituiu a altura tanto na fase defensiva quanto na ofensiva – pautada por passes trocados em velocidade. Dos três gols da partida (Pandev, Samuel e Milito), o terceiro foi o mais bonito e surgiu depois de uma triangulação perfeita entre os três atacantes. Por sua vez, os rossoblù não se apequenaram frente à tetracampeã e mesmo sem Cossu atacou bastante, levando muito perigo com Nenê, que obrigou Júlio César a fazer grande defesa no primeiro tempo, e sobretudo com Matri, que deu trabalho a Samuel e até teve um gol mal anulado. Se, nos últimos anos, os nerazzurri costumavam ter uma acentuada queda de rendimento no inverno europeu, nesta temporada o mesmo período é de franca subida de rendimento. Bom sinal para as oitavas da Liga dos Campeões.

Quem decepcionou na corrida pelo título – se é que ainda se corre contra a Inter – foi o Milan, agora dez pontos atrás da grande rival. O jogo no Dall’Ara contra o Bologna, marcou uma coincidência notável: desde 1999, ano do scudetto com Alberto Zaccheroni, o Milan não entrava em campo com calções vermelhos. A última vez havia sido no mesmo estádio, com uma vitória por 3 a 2, com direito ao único gol do zagueiro francês N’Gotty pela Serie A. Desta vez, os rossoneri não conseguiram nem mexer no placar, seguindo a escrita dos últimos jogos fora de casa, com um só gol nas últimas três partidas. Uma forma ruim de encerrar uma semana tão polêmica. Mas não foi por falta de tentativas: na estreia de Mancini como titular, o time dominou toda a partida, Ronaldinho e Ambrosini chegaram a acertar a trave e a presidente emiliana Francesca Menarini comemorou bastante o resultado. Ao fim do jogo, Leonardo insistiu que a Inter é imbatível e que nunca viu uma equipe que vence tanto e tão fácil por tanto tempo. Ou, em bom português, apenas jogou a toalha para o resto da temporada.

Com o empate, o Bologna abriu três pontos sobre a zona de rebaixamento, que teve no estádio Olimpico um jogo-chave: Lazio x Catania. Numa queda interminável, Davide Ballardini continuou com suas mudanças inexplicáveis: barrou Lichtsteiner e Stendardo, manteve Rocchi de fora e escalou de uma só vez os três recém-contratados: Biava (improvisado na lateral-direita), Hitzlsperger e André Dias. O brasileiro não estreou bem e falhou no único gol da partida, ironicamente marcado por Maxi López, que quase foi para a Lazio no início de janeiro, mas viu sua contratação travada por uma desistência do presidente Claudio Lotito. Os biancocelesti só criaram chances no primeiro tempo e de nada adiantou os quatro atacantes nos 15 minutos finais de jogo, mais uma invenção de Ballardini que destruiu todo o jogo da equipe. Para o bem da Lazio e do próprio treinador, talvez já seja hora de se pensar numa possível separação.

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Seleção da 23ª rodada
Julio Sergio (Roma); Samuel (Inter), Gastaldello (Sampdoria), Juan (Roma); Maicon (Inter), Pastore (Palermo), Mudingayi (Bologna), Montolivo (Fiorentina), Filippini (Livorno); Di Natale (Udinese), Pandev (Inter)

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