Serie A

Coerência (e a chatice do tal anti-Inter)

Ranieri: nesse caso, sua cautela faz bem (Reuters)

Como se sabe, a imprensa italiana tem utilizado há tempos o termo anti-Inter para jogar a um clube a responsabilidade de ser o principal concorrente da equipe nerazzurra. No início da temporada, a Juventus de seu então treinador Ciro Ferrara carregava essa função. Com a queda vertiginosa da Velha Senhora, o Milan logo se ocupou de ser o anti-Inter, uma função que se mostrou muito mais midiática do que futebolística.

Após a derrota para os tetracampeões no dérbi milanês e o estabelecimento de uma ascensão romanista, há quem já transfira tal objetivo fútil para a capital. A Roma – mesmo empatada com o Milan na segunda colocação, mesmo tendo oito pontos a menos que o time de Mourinho e mesmo tendo um jogo a mais que os clubes de Milão -, tem sido considerada a nova anti-Inter. Besteira de quem vai no embalo.

E Daniele De Rossi, romano e romanista, caiu nessa: o meia afirmou, dois dias atrás, que a Roma é a anti-Inter. Para ele, poder-se-á ver “daqui a seis ou sete rodadas; até porque temos um confronto direto ainda“. Ontem, entretanto, Claudio Ranieri foi bem mais coerente: “não iludo os torcedores; a Inter está em um outro nível“. O treinador, que levou os giallorossi da lanterna à segunda posição, não foi nada senão coerente.

A Roma iniciou a temporada em pedaços, vinda de uma outra decepcionante. Dispõe de um elenco muitíssimo mais limitado que o da Internazionale e só agora, pela primeira vez em meses, vê-se na mesma faixa da tabela que os interistas. É inútil e eventualmente perigoso criar qualquer tipo de expectativa acerca de algo maior que uma vaga na Liga dos Campeões. Até porque se sabe muito bem que esse não é um time que sabe trabalhar sob pressão.

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