Serie A

Prévia: Milan x Manchester United

Na temporada 2004-05, os dois times também se enfrentaram pelas oitavas-de-final e o Milan levou a melhor: ganhou por 1 a 0 em casa e fora e passou de fase (AC Milan.com)
Quando Sir Alex Ferguson foi contratado para treinar o Manchester United, em 1986, o garoto Leonardo tinha 16 anos e treinava nas categorias de base do Flamengo. Desde então, o vitorioso técnico escocês comemorou 33 títulos como comandante do clube inglês. Já Leonardo teve uma atribulada vida de jogador antes de assumir o cargo de treinador do Milan, no último mês de junho. Nesta terça-feira, os dois se enfrentam na partida de ida das oitavas-de-final do mais célebre torneio interclubes do mundo, a Liga dos Campeões da Uefa.

Para os confrontos entre os clubes ingleses e italianos nesta edição da Liga, contaremos com a ótima colaboração dos parceiros do blog Ortodoxo e Moderno, especializado na Premier League. Confira a prévia de Milan x Manchester United e confira depois, nos dois endereços, o que de melhor (e pior) aconteceu no embate. Hoje, quem nos fala sobre os Red Devils é Daniel Leite.

A temporada até aqui
Milan: Leonardo dificilmente poderia esperar um começo pior. Perdeu de todas as maneiras possíveis enquanto testava seu esquema com três atacantes na pré-temporada e só viu o time mostrar alguma coisa quando aceitou a derrota. Ironicamente, a melhor fase do Milan sob seu comando se deu quando o brasileiro montou o time numa espécie de 4-2-1-3. Nesse módulo, Pato manteve a boa fase e Ronaldinho e Pirlo se reencontraram. Ainda que a derrota recente no dérbi de Milão ainda faça doer e a má campanha na fase de grupos da Liga dos Campeões, com direito a três jogos sem vitória em casa, seja um forte alerta, o Milan que hoje é terceiro colocado na Serie A bateu a Udinese na última rodada do campeonato e chega mais confiante do que esperava para os confrontos contra o Manchester United.

Manchester United: A saída de Cristiano Ronaldo indicava que 2009-10 seria uma temporada espinhosa em Old Trafford. Com reforços meramente complementares, Alex Ferguson tinha a missão de reconstruir o ataque sem as decisivas arrancadas do português pela asa direita. O escocês manteve a equipe no primeiro patamar da Inglaterra, mas o decepcionante desempenho de Berbatov e a instabilidade física de seus melhores defensores afastaram do time a consistência de épocas recentes. O United evoluiu quando Ferguson percebeu que a excelente fase de Rooney tornava-o autossuficiente, isolou-o no ataque e reforçou o meio de campo através do trio formado por Scholes, Fletcher e Carrick, passando a uma espécie de 4-1-4-1. Não obstante os problemas de 2009, o simples grupo na Liga dos Campeões permitiu à equipe uma classificação tranquila. Na Premier League, a diferença para o líder Chelsea é de apenas um ponto. Os tricampeões ingleses viajam a Milão em seu melhor momento na temporada.

Pontos fortes

Milan: Nesta voltou muito bem da lesão que o tirou de campo por um ano e, quando forma o miolo de zaga com Thiago Silva, entra em cena numa das melhores duplas do mundo na posição. A ótima fase se estende a Dida, que recuperou a posição que parecia perdida e faz uma de suas melhores temporadas em Milão, desde que você se esqueça das pixotadas contra o Real Madrid na fase de grupos – já há até quem diga que seu contrato será renovado. Quando os rossoneri conseguem impor seu jogo lento e bem trabalhado, quase sempre pelos pés de um Pirlo agora mais adiantado do que era habitualmente com Carlo Ancellotti, causa problemas. Mas o ataque tem ainda mais potencial: do lado direito, Pato voltou de lesão contra a Udinese, marcou gol e vai jogar contra os Red Devils. Pela esquerda, Ronaldinho é a esperança. Basta repetir suas melhores atuações na temporada.

Manchester United: Apesar dos recorrentes problemas físicos de Ferdinand e Vidic, a defesa do United ainda deve ser encarada como uma das mais competentes da Europa. No campeonato doméstico, a equipe sofreu mais gols apenas em relação ao Aston Villa. Boa parcela dessa solidez pode ser atribuída ao equilíbrio de Evra, que protege o lado esquerdo na mesma proporção que incomoda ofensivamente. O trabalho dos três meias centrais também é louvável. Além do intenso combate, eles sempre jogam com toques curtos, característica essencial de um conjunto treinado por Ferguson. Os Red Devils são, nesse sentido, a equipe que mais completa passes na Premier League. À frente, Rooney vive momento esplendoroso, mesmo com ajuda restrita à chegada dos meias. Em seu auge físico, o Shrek utiliza sua ótima visão de jogo, marca gols em profusão e pode derrotar qualquer zagueiro.

Pontos fracos
Milan: As lesões têm atormentado demais o elenco de Leonardo. Alexandre Pato passou mais de um mês de fora e só voltou a campo três dias antes da primeira partida das oitavas-de-final, Nesta e Thiago Silva se revezam no departamento médico e, de última hora, dois titulares devem ficar de fora pelo menos do jogo desta terça-feira: Antonini e Borriello. Estes desfalques escancaram o cobertor curto do elenco: se o zagueiro brasileiro realmente ficar de fora, em seu lugar deve entrar Favalli ou Bonera. Para o lugar de Antonini, um sacrificado Zambrotta ou um Jankulovski que tem sido mais utilizado no meio-campo. Na frente, deve tomar posto a incógnita Huntelaar, autor de dois gols contra a Udinese. Outro problema do Milan está em seu estilo de jogo, que claramente sofre contra equipes mais velozes, um dos principais atributos deste United. Os confrontos com a Inter são a melhor prova.

Manchester United: O problema fundamental dos Red Devils é a lateral direita. O titular de Ferguson é O’Shea, que, lesionado, retorna apenas em maio. Assim, o escocês foi forçado a queimar pestanas sobre suas alternativas: Rafael, Brown e Neville. Em melhor forma e com mais recursos técnicos, o brasileiro tornou-se a primeira opção. Contudo, Rafael ainda não é bom defensor, o que configura um panorama temerário quando o adversário direto é Ronaldinho. Sem Giggs, que teve o braço fraturado durante a partida contra o Aston Villa na semana passada, o United perde qualidade técnica pelas pontas e pode ficar ofensivamente reduzido a contra-ataques rápidos. Assim, é possível que, mesmo em temporada decepcionante, Park seja escalado e Valencia, relegado ao banco.

Expectativas
Milan: Ainda que não seja uma grande decepção, Beckham voltou com um futebol abaixo do mostrado no último ano e não recuperou a titularidade. Ainda assim, há muita expectativa para este que deverá ser seu primeiro confronto com o time que o revelou e no qual conseguiu 14 dos 16 títulos de sua carreira. A lesão de Borriello também abre espaço para Huntelaar tentar ser em 2010 o que Crespo foi para o Milan em 2005. Naquele ano, o titular Shevchenko vivia grande fase, mas se machucou e desfalcou o time no duelo contra o United, também pelas oitavas da mesma competição. O argentino, camisa 11 como o holandês, marcou os dois gols que tiraram os ingleses da Liga. Hoje, o Manchester United tem um ligeiro favoritismo, mas o primeiro jogo no San Siro dá ao Milan uma margem de manobra para jogar com mais tranquilidade em Old Trafford. E não há como negar que esta camisa rubronegra pesa, e muito, em campos europeus. Se passar pelos ingleses, o time de Leonardo entra forte para a reta final da Liga dos Campeões.

Manchester United: Os Red Devils chegam às oitavas-de-final da Liga dos Campeões perfeitamente adaptados ao esquema de jogo que os consagrou campeões europeus em 2008. Apesar da afeição pelo 4-4-2 ortodoxo baseado na intensa movimentação, Ferguson acostumou-se a escalar apenas um atacante em jogos realmente decisivos. A diferença em relação a outros tempos reside na ausência de Cristiano Ronaldo, que compunha o lado direito do meio de campo, mas sempre aparecia para finalizar. Nesse sentido, a equipe vai precisar muito da explosão de Wayne Rooney para vencer o trauma criado pelas duas eliminações recentes diante do Milan. Também é demandada maior consistência defensiva, fator que derrubou os ingleses na semifinal de dois anos atrás, quando os rossoneri marcaram cinco gols no placar agregado. A combinação desses elementos funcionou muito bem na vitória por 3 a 1 sobre o Arsenal em Londres, maior demonstração de força dos diabos na temporada. Para este confronto contra o Milan, o United parece favorito porque superou sua depressão pós-Ronaldo e já é, de modo justo, tratado por muitos como um dos principais candidatos ao título continental.

Prováveis escalações
Milan: Dida; Abate, Nesta, Bonera (Thiago Silva), Zambrotta (Antonini); Flamini, Ambrosini; Pirlo; Alexandre Pato, Huntelaar, Ronaldinho.

Manchester United: van der Sar; Rafael, Vidic (Evans), Ferdinand, Evra; Scholes; Nani, Fletcher, Carrick, Park (Valencia); Rooney.

3 comentários

  • 2004/2005.
    Manchester 0 x 1 Milan – Crespo.
    Milan 1 x 0 Manchester – Crespo.
    Isso foi nas oitavas de final da UCL de 2004/2005.

    2006/2007 – Manchester 3 x 2 Milan – C.Ronaldo,Rooney,Ronney; Kaká,Kaká.
    Milan 3 x 0 United – Kaká,Seedorf, Gilardino.
    Isso foi na semifinal da UCL de 2006/2007.

    Demais Braitner!Ficou demais o texto!Vai ser demais o jogo!Certeza!

  • Braitner,
    Foi um grande jogo, com mais uma bela atuação de Ronaldinho (que golaço do Seedorf, heim?).
    Pena, para mim enquanto apaixonado pelo 'Calcio', que o Milan ficou em situação complicada.
    Aliás, lamento as escolhas do Leonardo por Beckham (que jogou muito recuado, mais atrás que Pirlo e Ambrosini) e Huntelaar (acho que Inzaghi poderia ter produzido mais, com toda aquela garra que só ele tem).
    Abraços,

  • Pois é, também lamentei o resultado. Quanto ao Huntelaar, Leonardo seguiu seus ideais e manteve Inzaghi como terceira opção lá na "centroavância". Eu discordo, mas fazer o quê. E bem lamentável mesmo a escolha do Beckham. Quem surpreendeu demais foi o Bonera, que é isso!

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