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A solidez de Lilian Thuram foi vital para Parma e Juve

Um dos maiores zagueiros da última década, Lilian Thuram voltou aos noticiários recentemente, quando defendeu Balotelli no caso com a torcida do Chievo e afirmou que a Itália ainda é uma nação racista. As declarações aconteceram no lançamento do seu livro “As minhas estrelas negras”, no qual Thuram conta histórias de grandes personagens negros e aborda com seriedade o preconceito racial.

Nascido na colônia francesa de Guadalupe, no Caribe, o ex-zagueiro sempre chamou atenção por suas declarações fortes e pela clareza com que fala sobre questões sociais. Não à toa, criou a Fundação Lilian Thuram – Educação contra o racismo. O grande homem fora das quatro linhas também brilhou muito nos gramados.

Antes mesmo do final de sua carreira, já ocupava um lugar na história do futebol. Thuram entrou para o hall dos grandes jogadores franceses, que conta com ídolos como Michel Platini e Zinédine Zidane. Para muitos, o homem que mais vezes vestiu a camisa dos bleus (142 jogos) é o melhor zagueiro da história da seleção. Para conquistar tamanho respeito, ajudou a França nas campanhas vitoriosas da Copa de 98 e da Euro 2000, alcançando feito inédito.

Sua estreia no futebol profissional foi em 1991, com 19 anos, pelo Monaco. E apesar de ter participado apenas de uma partida naquela temporada, juntou o primeiro título a seu currículo: a Copa da França. Na temporada seguinte, conseguiu a titularidade e não abandonou mais o posto, por cinco anos. O melhor feito foi chegar à final da Copa das Copas, em 1992. Foi também jogando pelo time do principado que conseguiu sua primeira convocação para a seleção francesa.

Marcando Henry, em duelo de franceses, Thuram levou a melhor quando atuava no Parma (Tumblr)

Na Eurocopa de 1996, viu, do banco de reservas, a França ser eliminada para a República Tcheca do jovem Nedved, nas semifinais. Ao menos aprendeu um pouco e ganhou experiência com os titulares Laurent Blanc e Marcel Desailly. Depois da competição, partiu para a Itália, onde jogaria pelo Parma de Stefano Tanzi, filho do presidente da Parmalat. Começava ali uma era memorável dos gialloblù. Na defesa, o time contava também com os jovens promissores Gianluigi Buffon e Fabio Cannavaro. Carlo Ancelotti era o técnico.

Logo em sua temporada de estreia, o Parma já contava com a jovem defesa mostrando do que era capaz e alcançou um grandíssimo segundo lugar no Campeonato Italiano, perdido por apenas dois pontos, para a Juventus. Na Liga dos Campeões do ano seguinte, um aprendizado: o bom jogo de defesa, mas com ataque deficiente não era suficiente para ir longe na Europa e o Parma caiu ainda na fase de grupos. Na temporada seguinte, então, já com Alberto Malesani no comando, o time conquistou a Copa da Uefa, a Coppa Italia e a Supercopa Italiana.

Nesse meio tempo, Thuram já tinha se consagrado como um dos maiores zagueiros do mundo, por ter vencido a Copa do Mundo da França, no ano anterior. Foi considerado um dos melhores defensores da competição, ao lado de Desailly, Frank De Boer, Gamarra e Roberto Carlos, e também o terceiro melhor jogador do torneio. Dois anos depois, venceria ainda a Eurocopa, cravando seu nome entre os grandes. Fez parte da única seleção a conquistar, seguidamente, a Copa do Mundo e a Euro. Ainda, marcou seus dois únicos gols pela seleção na semifinal da Copa de 98, jogada em casa, virando um jogo contra a Croácia e classificando a seleção francesa para a finalíssima contra o Brasil.

Em 2001, com o valor de seu passe nas alturas, foi comprado pela Juventus por cerca de 33 milhões de euros. O time de Turim ainda destinou parte das divisas de seus cofres ao time emiliano ao adquirir também Buffon, na transferência mais cara da história dos goleiros: 48 milhões de euros. Assim, a Juve comprava a melhor defesa do mundo e preparava-se para levar mais um scudetto. Com Thuram jogando de lateral direito no esquema montado por Marcello Lippi, a Juve quebrou os três anos de jejum na Serie A e venceu a competição, ficando um ponto à frente da Roma. Foi também o ano da decepção com a seleção francesa, eliminada na fase de grupos da Copa de 2002.

No ano seguinte, mais uma vitória no Campeonato Italiano. Porém, a derrota para o Milan na final da Liga dos Campeões foi o ponto marcante da temporada. Em 2004, a Juventus contratou o técnico Fabio Capello e Thuram se reencontrou com Fabio Cannavaro, de quem havia sido companheiro em Parma. A chegada do italiano fez com que Capello deslocasse o francês para o miolo da zaga, deixando o flanco direito para Zebina. Do outro lado, Zambrotta compunha uma das mais caras e mais temidas defesas do mundo. Assim, o time venceu mais dois scudetti (estes, revogados posteriormente).

Após o calciopoli e a queda da Juventus para a Serie B chegava a hora de Thuram se despedir do futebol italiano. Foram 10 anos atuando na bota, computando 201 jogos pelo Parma e 145 pela Juve, nos melhores anos de sua carreira. Já com 34 anos, foi vendido por 5 milhões de euros para o Barcelona. Neste ínterim, conquistou o vice-campeonato mundial com a França na Copa da Alemanha, exatamente contra a Itália.

No Barça, a idade já avançada e a disputa com Puyol e Rafa Márquez deixaram Thuram de fora da maior parte das partidas. Ainda assim, foi convocado para a seleção que disputou a Euro 2008. Depois da derrota para a Itália, que deixava a França de fora das fases finais do torneio, anunciou sua aposentadoria da seleção. Também não atuou mais pelo Barça. Na verdade, não jogou mais futebol: estava prestes a assinar com o Paris Saint-Germain, quando os exames médicos alegaram problemas cardíacos e o jogador foi proibido de voltar a jogar futebol. Fim de carreira muito pobre para um jogador de história tão rica.

Lilian Thuram
Nascimento: 1º de janeiro de 1972, em Pointe-à-Pitre, em Guadalupe
Posição: zagueiro
Clubes: Monaco (1991-96), Parma (1996-2001), Juventus (2001-06) e Barcelona (2006-08)
Seleção francesa: 142 jogos, 2 gols
Títulos: 2 Campeonatos Italianos (2002 e 2003), 1 Copa da Itália (1999), 3 Supercopas Italianas (1999, 2002 e 2003), 1 Copa da Uefa (1999), 1 Supercopa Espanhola (2006), 1 Copa da França (1991), 1 Copa do Mundo (1998) e 1 Eurocopa (2000)

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