Seleção italiana

Os 23 de Lippi: Fabio Cannavaro

Cannavaro contra Kouemaha, no último amistoso da seleção italiana antes da Copa, contra Camarões.
O capitão azzurro é um dos que teve temporada mais contestada entre os 23 de Marcello Lippi (AP)

Jogador com maior número de presenças na seleção italiana, capitão na conquista da última Copa do Mundo e melhor jogador de 2006 na Bola de Ouro e na premiação da Fifa. Este é Fabio Cannavaro, 36 anos, que vai para sua reta final com a camisa azzurra: já anunciou que se despedirá após a disputa na África do Sul. Hoje zagueiro, surgiu como lateral-esquerdo no Napoli antes de se firmar na posição. Napolitano de origem, era tido como um dos melhores defensores do mundo até pouco tempo. De uma das poucas certezas defensivas na última campanha mundial, hoje é uma das principais incógnitas no pilar da Nazionale.

Cannavaro chegou a seu Napoli aos 11 anos, em 1988, e lá ficou até 1995. Sua preparação para o profissionalismo coincidiu com os grandes anos do time de Maradona, mas o defensor tinha outro modelo: Ciro Ferrara, de quem herdou os ótimos desarmes em carrinho, algo tão arriscado para um zagueiro. Já naquela época, notava-se seu poder de antecipação, a velocidade e a seriedade em campo, duas grandes marcas. Mas aquela equipe de ouro deu um problema irônico a Cannavaro. Num treinamento com o time de cima, o jovem napolitano teve de marcar Maradona e o fez de forma dura, o que acabou gerando críticas internas de um dirigente partenopeu. Mas o próprio Pibe de Oro foi seu advogado: “Muito bom, assim está bem”.

Ainda demorou a estrear na Serie A, contra a Juventus, em março de 1993. Naqueles anos, o Napoli já tinha sérios problemas e arriscava o rebaixamento, mas Cannavaro se destacou numa equipe em queda livre e com graves necessidades econômicas. O prêmio foi uma transferência para um ambicioso Parma, no verão de 1995. Pelos crociati, formou uma das melhores defesas do mundo, ao lado de Buffon, Thuram e Sensini. Defesa, esta, que foi base para que o clube vencesse Coppa Italia, Copa Uefa, Supercoppa Italiana e ainda um vice-campeonato da Serie A. Com a saída do francês para a Juventus, em 2001, tornou-se o capitão e maior liderança do time. No ano seguinte, seguiu para a Inter, e em 2004, para a Juventus.

Na Inter, nunca conseguiu se afirmar, muito por conta das inúmeras lesões que o afastaram de partidas ao decorrer das temporadas. Não demorou para que pedisse para ser negociado, e assim foi parar na Juventus de Fabio Capello, onde reencontrou Buffon, Thuram e Ferrara. Em Turim, esteve em grande forma na conquista dos títulos italianos de 2005 e 2006, ambos posteriormente revogados após o escândalo do calciopoli. Entre os dois scudetti, sofreu com as acusações de doping após o vazamento de uma filmagem que o flagrava injetando uma substância em si mesmo antes da final da Copa da Uefa conquistada pelo Parma, em 1999.

Com o rebaixamento da Juve para a Serie B em decorrência do escândalo, foi negociado com o Real Madrid a pedido de Capello. Na capital espanhola, venceu os dois primeiros títulos que disputou na primeira divisão, mas tornou-se um dos símbolos de um clube que vencia sem dar espetáculo e viu seu rendimento despencar em seu terceiro ano em Chamartín. Ao fim de seu contrato, resolveu voltar à Juventus no início da atual temporada, para um contrato de um ano, renovável por mais dois. Inicialmente criticado por parte dos torcedores que o consideravam traidor por ter deixado a Velha Senhora após a queda para a Serie B, acabou aplaudido em sua reestreia, contra o Chievo. Mas tornou-se um dos jogadores mais contestados na pior campanha do clube nas últimas décadas, ao ponto de às vezes ser mandado ao banco por Alberto Zaccheroni. A cada jogo, tem ficado mais claro que a idade pesa até para aquele que, para muitos, foi o melhor defensor do mundo por um bom período no início da década passada. E é preocupante que a Nazionale tenha uma dependência tão grande de seu capitão.

Com a camisa azzurra, venceu dois Europeus Sub-21 sob o comando de Cesare Maldini antes de chegar ao time de cima, num amistoso contra a Irlanda do Norte, em janeiro de 1997. Estreou no segundo tempo, mas logo depois já se tornou titular – e mantém a condição até hoje, 13 anos e 132 partidas depois. De quebra, tem a faixa de capitão desde a saída de Paolo Maldini, em 2002, só faltando à Euro passada. Na ocasião, se lesionou no primeiro treinamento na Áustria e acabou vetado e substituído por Gamberini. Com o retorno de Marcello Lippi ao time, continua em posição de destaque dentro do grupo, ainda que tenha participado da péssima campanha que eliminou a Itália na primeira fase da Copa das Confederações, em 2009. Na África do Sul, será capitão e titular indiscutível para o técnico. Mas somente sombra do que já foi para si mesmo e para os próprios torcedores.

Fabio Cannavaro
Nascimento: 13 de setembro de 1973, em Nápoles
Posição: zagueiro
Clubes: Napoli (1992-95), Parma (1995-2002), Inter (2002-04), Juventus (2004-06), Real Madrid (2006-09), Juventus (2009-hoje)
Seleção italiana: 132 jogos, 2 gols
Títulos: 2 Coppa Italia (1999, 2002), 1 Supercoppa (1999), 2 Ligas Espanholas (2007, 08), 1 Supercopa Espanhola (2008), 1 Copa da Uefa (1999), 2 Europeus Sub-21 (1994, 96), 1 Copa do Mundo (2006)

Deixe um comentário