Copa do Mundo

Não basta

De Rossi foi o destaque italiano na abertura da Copa e salvou o pescoço dos atacantes
no 4-3-3 desprovido de talento da Nazionale (Reuters)

Em sua estreia na Copa do Mundo, a Itália precisou correr por um empate contra o Paraguai. A partida da Cidade do Cabo expôs ao menos dois pontos da Nazionale de Marcello Lippi: suas claras limitações – basicamente as mesmas de todo o período pós-2006 -, e o crescimento moral do time no torneio mais importante do futebol – basicamente o mesmo de sempre. Depois de ver Alcaraz abrir o placar cabeceando uma falta inexistente, os azzurri pressionaram e jogaram com valentia até chegar ao empate com De Rossi, aproveitando falha do goleiro Villar. Uma virada não teria sido injusta, pelo contrário. Os italianos até forçaram o segundo gol e não tiveram problemas com o ataque paraguaio, mas esbarraram em suas próprias barreiras.

A falta de criatividade no elenco de Lippi é fato batido e um ponto sobre o qual pouco se tem a acrescentar, visto o número de vezes em que esse problema crônico já foi citado. Marchisio foi mesmo adiantado no meio-campo, responsabilizando-se pela criação. O juventino, entretanto, sentiu a pressão e passou batido. Montolivo, pouco inspirado, foi outro incapaz de armar situações de perigo, embora tenha buscado o jogo da forma como pode. De Rossi, teoricamente o meia mais defensivo no 4-3-3, acabou sobrecarregado na armação e foi recompensado com o gol de empate. Bom início de Copa para o romanista que, há quatro anos, deu vexame ao acertar McBride com o cotovelo na segunda rodada e ser suspenso até a final.

Nas laterais, situação parecida: bastante esforço, pouco resultado. Zambrotta até foi melhor do que suas temporadas recentes, o que não diz muito: ainda assim é sombra de seu passado. Criscito chegou pouco ao ataque, sem mostrar perigo ou acertar algum cruzamento perigoso. No total, foram 24 cruzamentos feitos pela Nazionale, e só um realmente aproveitado. Cannavaro e Chiellini fizeram boa partida, manchada pelo lance em que o capitão deixou Alcaraz subir para cabecear e furar Buffon, que não teve culpa. O goleiro não foi exigido e saiu no intervalo com dores nas costas, dando lugar a um Marchetti igualmente inatingido.

Se a bola pouco chegava com qualidade, não seria Iaquinta a tirar suco de pedra. O atacante, presença bisonha na lista de Lippi, manteve seu nível e em nada acrescentou. Gilardino lembrou seus piores momentos no Milan, quando só aparecia na hora de ser substituído. Pepe não se intimidou. Não fez grande partida, porém, incansável, foi a maior ameaça à defesa paraguaia, partindo para cima dos adversários. Camoranesi entrou e, pateticamente, errou tudo. O ítalo-argentino ainda poderia ter sido expulso, ao levar cartão amarelo e fazer falta perigosa, poucos minutos depois. Di Natale também ganhou sua chance, mas pouco apareceu.

Com as substituições, Lippi abriu o time numa espécie de 4-2-2-2 até aqui jamais testado, mas que favoreceu a Itália. Não o suficiente para sonhar com o título e se mostrar tão confiável quanto o treinador toscano tem parecido, com respostas arrogantes e irônicas na entrevista coletiva. Pirlo faz falta, tanto quanto os não-convocados Cassano, Totti e Balotelli. A passagem de fase é questão de tempo. Depois disso, a Itália valente de hoje não basta.

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