Seleção italiana

Os 23 de Lippi: Mauro Camoranesi

Camoranesi é mais um juventino que só vai à África por causa do que fez no passado (Getty Images)

Em 2003, o argentino Mauro Germán Camoranesi se tornou o 45º estrangeiro a vestir a camisa da seleção italiana. Foi o então comandante da azzurra Giovanni Trapattoni que abriu as portas para o polêmico meio-campista. Não demorou muito para que ele mostrasse sua forte personalidade: “Não sou um traidor. Ainda me sinto 100% argentino. É só uma questão de futebol”, disse à imprensa depois de questionado sobre sua opção. Em 2006, mais uma gafe do ítalo-argentino. Depois de não cantar o hino da Itália na estreia da seleção na Copa do Mundo, respondeu um repórter com a típica simpatia: “Eu não conheço o hino italiano”.

Polêmicas à parte, Camoranesi é o estrangeiro que mais vezes vestiu a maglia azzurra e um dos principais nomes da seleção nos últimos dez anos. Conquistou esse espaço após duas boas temporadas no Hellas Verona e um ótimo início na Juventus. O garoto nascido em Tandil, na Argentina, chegou aos tradicionais clubes italianos depois de passar por times no México, Uruguai e na própria Argentina. Sua última temporada nas Américas foi em terras mexicanas, no Cruz Azul.

Com bom controle de bola, bons passes e um alto número de gols, Il Mago di Tandil chamou a atenção do Verona, ainda na Serie A italiana. Estreou pelos gialloblù no dia 22 de outubro de 2000, na vitória contra a Lazio, apoiando o ataque formado por Gilardino e Mutu. Ao final do campeonato, somava 22 presenças e quatro gols, como um dos principais jogadores do time. Foi destaque também na temporada seguinte, quando sua equipe foi rebaixada. A Juventus não pensou duas vezes antes de contratar o jogador e, por 4 milhões de euros, adquirir metade de seu passe, junto ao Cruz Azul. Já ao final de sua primeira temporada em Turim conquistou o scudetto e teve seus direitos inteiramente vinculados à Velha Senhora, por mais 4 milhões de euros.

Já com a confiança de Lippi, seu treinador na Juve entre 2002 e 2004, foi convocado para a seleção que disputaria a Eurocopa, agora sob o comando do treinador de Viareggio. Participou também das campanhas vitoriosas da Juve de 2005 e 2006 (posteriormente revogadas). Com um futebol de alto nível na ala direita, foi para a Alemanha, em 2006, onde jogou (e venceu) sua primeira Copa do Mundo. Assim, se tornou, mais do que nunca, homem de confiança do técnico. Mesmo com a má fase pós-Copa, continuou figurando nas convocações e é nome certo no Mundial da África.

Na temporada 2006-07 permaneceu nos alpes de Turim mesmo que contra sua vontade: depois do rebaixamento do time, pediu para sair e ser negociado com um grande time da Europa. Não foi atendido e, desde então, seu futebol só caiu de rendimento. No último ano, foi um dos piores jogadores da Juve, que acabou a Serie A apenas na 7ª colocação e igualou sua pior campanha em campeonatos nacionais. Agora, Camoranesi deve estar de saída da Juve e já teve seu nome ligado até a clubes argentinos.

Mauro Camoranesi
Nascimento: 4 de outubro de 1976, em Tandil, na Argentina
Posição: meio-campista Clubes: Aldosivi (1995-96), Santos Laguna (1996-97), Wanderers (1997), Banfield (1997-98), Cruz Azul (1998-2000), Hellas Verona (2000-02) e Juventus (2002-hoje)
Seleção italiana: 53 jogos, 5 gols
Títulos: 1 Campeonato Italiano Serie A (2003), 1 Campeonato Italiano Serie B (2007), 2 Supercopas Italianas (2002 e 2003) e 1 Copa do Mundo (2006)

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