Copa do Mundo

Questão de tempo

Smeltz não demorou a furar a defesa italiana. Contou com um dos vários erros de Cannavaro na
partida para abrir o placar. O vexame azzurro é questão de tempo. (Getty Images)
Contra a Nova Zelândia, a Itália partiu para um jogo que, para o observador menos atento, não deveria lhe trazer grandes dificuldades. Mas não se deve esquecer o amistoso entre as duas seleções, há pouco mais de um ano. Antes da Copa das Confederações, a Nazionale teve dificuldades para vencer os kiwis por 4 a 3. Numa partida que valia muito mais, vieram os problemas e o empate em 1 a 1 na segunda rodada da Copa do Mundo. Um resultado difícil de se explicar.

Num dia de luto por Roberto Rosano, defensor do time campeão europeu em 1968 e vice mundial em 1970, Marcello Lippi escolheu sua Itália num estranho 4-4-2, com Marchetti no lugar do lesionado Buffon (com hérnia de disco) e Pepe e Marchisio pelas pontas de seu meio-campo. Bastaram seis minutos até o castigo, quando o atacante Smeltz, em suspeito impedimento, aproveitou falha grave de Cannavaro para bater Marchetti. Segundo gol sofrido pela Itália na Copa, segundo na conta de seu capitão. Depois deste lance, Marchetti não fez qualquer outra defesa, pela segunda partida seguida. É o primeiro goleiro do Cagliari a vestir azzurro num Mundial, depois de Enrico Albertosi, titular em 1970.

Pouco depois, Chiellini chutou torto em ótima chance e perdeu a oportunidade de empatar. O meio-campo se provava fora de posição. A Itália só atacava pelo lado direito, com Montolivo no suporte à dupla Zambrotta e Pepe. Mesmo aos trancos e barrancos, o time chegou ao empate em um discutível pênalti sofrido por De Rossi e bem convertido por Iaquinta. E quase a Nazionale conseguiu virar antes do intervalo, mas Montolivo parou na trave, De Rossi, no goleiro Paston, e Zambrotta viu sua bola subir um pouco além do ângulo. O lateral, inclusive, faz boa Copa e surpreende, já que estava em péssima fase.

Enquanto isso, Gilardino mantinha-se como uma das grandes vergonhas italianas da competição. Sem se apresentar, parecia fugir do jogo e não dava opção. Deu lugar a Di Natale. Pepe também saiu para a entrada de Camoranesi. Pouco depois, um irreconhecível Marchisio foi rendido por Pazzini – e, depois do jogo, criticou Marcello Lippi pelas insistentes mudanças que o técnico tem executado na seleção. A Nazionale atacou bastante, mas não conseguiu furar o ótimo sistema defensivo dos All Whites, comandado pelo capitão Nelsen. Do lado italiano, bem que Cannavaro podia ter encerrado sua carreira antes de levar um chapéu do neozelandês Wood, que passou perto de acertar um golaço.

Montolivo foi o melhor azzurro da partida e deu boas esperanças de futuro, algo inédito em suas outras passagens pela seleção, mas ainda precisa arriscar mais. Resta aguardar o retorno de Pirlo na última rodada da fase de grupos. Com a vitória do Paraguai sobre a Eslováquia, crescem as chances de a Itália pegar a badalada Holanda nas oitavas-de-final. Por enquanto, resta a vergonha para uma Itália sem talento. Mas Lippi continua dizendo que convocou bem, escalou bem, e que não tem qualquer arrependimento. Questão de tempo.

colaborou Braitner Moreira

3 comentários

  • A Italia diante dos outros resultados deve passar de fase, mas Lippi nao deve continuar dizendo isso pois nem de longe a Italia conseguiu chegar com suas proprias forças, estará nas oitavas por sorte.
    Nesse time anda salvando apenas Zambrota, De rossi, Montolivio.
    Criscito nao comprometeu mas esperava mas dele.
    Marchetti nao foi testado ate o momento.
    É uma pena que Cannavaro esteja tao mal, o pior é que Lippi vai preferir fazer uma campanha vergonhosa do que tirar seu homem de confiança.
    As coisas para a Italia vao bem parecidas com a copa passada, Lippi deve ter se apegado a isso, mas o que ele nao vê é que em 2006 Cannavaro foi eleito o melhor jogador do mundo, e que agora ira jogar a proxima temporada nos Emirados Arabes.
    Queria desejar sorte mas nem isso a esquadra Azzura anda Merecendo.

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