Brasileiros no calcio

Careca, um dos estrangeiros mais respeitados da Serie A

Antônio de Oliveira tinha grande presença de área. No Araraquara, clube do interior de São Paulo, fazia muitos gols de cabeça. Mas as lesões atrapalharam o início de carreira e o sonho de se tornar craque no Santos de Pelé. Quando iria desistir completamente do futebol, passou a ver o potencial que seu filho tinha.

Carequinha. Este foi o primeiro apelido daquele jogador que faria sucesso no São Paulo e Napoli. Fã do palhaço de mesmo nome, o atacante começou a infernizar as defesas rivais no mesmo Araraquara. De Carequinha para Careca, foi um pulo. Na cidade vizinha, o Guarani procurou o jogador, que se transferiu para o clube de Campinas.

Com 17 anos de idade, a promessa do futebol paulista já era campeão brasileiro com direito a gol do título contra o Palmeiras. Com velocidade e impressionante capacidade de finalização, Careca foi vendido ao São Paulo com a missão de substituir o maior artilheiro da história tricolor, Serginho Chulapa, então negociado com o Santos. Apesar das lesões no início da carreira tricolor, ele desandou a marcar gols. De fora da área, de cabeça, após driblar ou cortar seu marcador. Careca foi, enfim, campeão e artilheiro do Campeonato Paulista de 1985, com 23 gols.

O ano de 1986 foi ainda melhor, começando pela Copa do Mundo. O Brasil foi eliminado nas quartas-de-final para a França, mas Careca foi o vice-artilheiro do Mundial, com cinco gols. Além disso, o São Paulo voltou a comemorar um título no início de 1987: o Campeonato Brasileiro, com destaque para os 25 gols do artilheiro da equipe dos Menudos do Morumbi, sendo um deles na final contra o Guarani.

Melhor jogador do último campeonato, já supervalorizado, foi vendido ao Napoli, recém-vencedor do scudetto. A contratação era sonho antigo. Em 1979, o ex-técnico Luís Vinício havia pedido a contratação daquele jovem artilheiro do Guarani. Mesmo atuando mais aberto pela direita, Careca marcou 13 gols na primeira temporada e o trio MaGiCa (Maradona, Giordano e Careca) conduziu os azzurri ao vice-campeonato.

Em 1988-89, Careca foi novamente o artilheiro do time em outra campanha de vice-campeonato da Serie A, com 19 gols, e ajudou o Napoli a vencer a Copa Uefa – inclusive marcando gol na final contra o Stuttgart. No ano seguinte, primeiro de Alberto Bigon no comando da equipe, a boa fase de Careca e Maradona destruiu os rivais na campanha do título nacional em 1990, ano em que também conquistaram a Supercoppa.

Foi a última vitória do mais importante ciclo da história partenopea, muito disso condicionado pela suspensão por 15 meses de Maradona, pego em um exame antidoping. Com o novo parceiro Gianfranco Zola, Careca brilhou pouco durante mais três anos no clube.

Em 1993, o quinto maior goleador da história do Napoli foi para o Japão. Fez 60 partidas pelo Kashiwa Reysol antes de voltar para o Santos, clube para o qual sempre torceu, em 1997. Dois gols e nove jogos depois, foi para o São José de Porto Alegre, no qual pendurou de vez as chuteiras. Hoje, está “de volta” ao futebol italiano: é comentarista da Serie A, pela RedeTV.

Antônio de Oliveira Filho, o Careca
Nascimento: 5 de outubro de 1960, em Araraquara
Posição: atacante
Clubes como jogador: Guarani (1978-82), São Paulo (1983-87), Napoli (1987-1993), Kashiwa Reysol (1994-97), Santos (1997), São José-RS (1998)
Títulos: 2 Campeonatos Brasileiros (1978, 86), 1 Série B (1981), 2 Campeonatos Paulistas (1985, 87), 1 Copa Uefa (1989), 1 Serie A (1990), 1 Supercoppa Italiana (1990)
Seleção brasileira: 63 jogos e 29 gols

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