Jogadores Técnicos

Renato Cesarini entrou para a história pela frequência de gols decisivos

De Ancona para Buenos Aires. Com nove meses de idade, o menino Renato Cesarini e seus pais chegavam à capital da Argentina. O primeiro emprego do ítalo-argentino foi no circo. Porém, pouco tempo passou até que Cesarini entrasse no Borgata Palermo, time amador do país. Ele tinha 19 anos quando conseguiu o acesso à primeira divisão do futebol argentino com a camisa do Chacarita Juniors.

Durante duas temporadas, Cesarini perambulou pela Argentina: jogou por Alvear, Ferro Carril Oeste e, novamente, Chicarita Juniors antes de rumar ao seu país de origem. À época, a Juventus já vivia seu primeiro período Agnelli. Edoardo, filho de Giovanni Agnelli, fundador da Fiat, assumiu a presidência do clube bianconero em 1923.

Quatro anos se passaram desde o último título nacional. A chegada de Cesarini, porém, mudou o panorama da equipe de Turim. O técnico Carlo Carcano tinha a disposição o trio lendário de defensores (Combi, Rosetta e Caligaris) e um efetivo ataque – entre eles Ferrari e Orsi, além do excepcional meia-ofensivo ítalo-argentino. A Roma de Rodolfo Volk e a Ambrosiana-Inter de Giuseppe Meazza não tiveram chances contra os bianconeri durante os cinco anos seguintes.

Os gols de Raimundo Orsi e Felice Borel ajudaram – e muito – nestes cinco scudetti no período de 1930 a 35. Os 50 tentos que Cesarini marcou pela Juventus criaram uma expressão utilizada até hoje. Em 1931, nos acréscimos de um jogo entre a Nazionale e a Hungria, ele marcou o gol da vitória da seleção italiana – daí vem a expressão “zona Cesarini”, correspondente àqueles minutos finais de uma partida. O notável meio-campista técnico da Juventus era especialista em estufar as redes em momentos decisivos.

Ainda na mesma década, o acidente aéreo que matou Agnelli culminou com a saída de Cesarini, Orsi, Ferrari, Caligaris e Rosetta (este na temporada seguinte). O fantasista retornou a Argentina e jogou por mais duas temporadas, no Chicarita Juniors e no River Plate, antes de se aposentar.

Se como jogador, Cesarini marcou história, como técnico não ficou para trás. Ele ingressou como treinador das divisões de base do River Plate, em 1938. Duas temporadas depois, já havia chegado ao banco de reservas do time principal, pelo qual conquistou três campeonatos nacionais comandando um tie que ficou conhecido como “A Máquina”.

Inquieto e com facilidade de transmitir o que pensava, ele voltou a Juventus em 1946, para uma passagem de dois anos sem muito sucesso. Após cerca de 10 anos na Argentina, Cesarini voltou a Turim em 1959 e levou a Juventus ao bicampeonato nacional e conquistou uma Coppa Italia. Foram os últimos títulos do treinador, que ainda voltou para a América Latina para encerra a carreira em 1968, pelo Huracán.

Renato Cesarini, o mestre dos mestres, como ficou conhecido, é nome de uma escola de futebol na cidade de Rosário. Dela, saíram jogadores como Javier Mascherano, Martín Demichelis e Santiago Solari. Em maio deste ano, Lionel Messi comprou 50% do clube rosarino.

Renato Cesarini
Nascimento: 11 de abril de 1906, em Senigallia
Morte: 29 de março de 1969, em Buenos Aires
Posição: meio-campo
Seleção argentina: 2 jogos e 1 gol
Seleção italiana: 11 jogos e 3 gols
Clubes como jogador: Borgata Palermo (1925), Chacarita Juniors (1925-28), Alvear (1928), Ferro Carril (1929), Juventus (1929-35), River Plate (1936-37).
Títulos como jogador: 5 Serie A (1931, 32, 33, 34, 35)
Clubes como treinador: River Plate (1938-46), Juventus (1946-48), Racing Club (1949), Banfield (1949), Boca Juniors (1950), categorias de base do River Plate (1950-58), Juventus (1959-61), Universidad de Mexico (1961-65), River Plate (1966), seleção argentina (1968), Huracán (1968).
Títulos como treinador: 3 Campeonatos Argentinos (1941, 42, 45), 1 Serie A (1959-60, 1960-61), 1 Coppa Italia (1959-60)

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