Serie A

Parada de Inverno: Napoli

Cavani e Mazzarri, figuras de um Napoli sempre ao extremo. Falar em título pode parecer exagero, mas os azzurri irão brigar (Associated Press)

Campanha
2ª posição. 17 jogos, 33 pontos. 10 vitórias, 3 empates, 4 derrotas. 26 gols marcados, 17 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 3, da 9ª à 11 rodada e da 15ª à 17ª rodada.
Maior sequência de derrotas: –
Maior sequência de invencibilidade: 3, da 1ª à 3ª rodada; 5ª à 7ª rodada; da 9ª à 11 rodada e da 15ª à 17ª rodada.
Maior sequência sem vencer: 2, na 1ª e 2ª rodadas.
Artilheiro: Edinson Cavani, 10 gols.
Fair play: 42 cartões amarelos, 4 vermelhos.

Time-base
De Sanctis; Grava, P. Cannavaro, Campagnaro (Aronica); Maggio, Gargano, Pazienza (Yebda), Dossena; Lavezzi, Hamsík; Cavani.

Treinador
Walter Mazzarri. O toscano é – e não por acaso – o treinador da moda na Itália. Autor de seguidos bons trabalhos por Livorno, Reggina e Sampdoria, Mazzarri está elaborando sua obra-prima, em uma carreira de quase 10 anos. O esquema 3-4-2-1, montado por ele na equipe napolitana tem sido efetivo na medida em que tira o máximo do potencial de seus jogadores. A defesa, originalmente com três jogadores, rapidamente pode ser revertida para cinco jogadores, com o recuo de Maggio e Dossena. Por sua vez, Pazienza e Gargano trabalham como dois cães de guarda muito eficientes, na entrada da área, enquanto Lavezzi e Hamsík, normalmente próximos a Cavani, também podem voltar para fazer coberturas – o que pode fazer com que o time atue temporariamente em um 5-4-1. O esquema deixa o time bastante flexível, possibilitando que os jogadores saiam rapidamente em contra-ataque, uma das armas da equipe. Além disso, Mazzarri tem conseguido dar um formidável espírito de luta a seu time, que não desiste das partidas. Desde sua chegada, o Napoli incorporou este espírito e já fez 30 gols nos últimos 15 minutos de jogo, período já conhecido como Zona Mazzarri.

Destaque
Edinson Cavani. 2010 foi o ano da carreira do Caníbal, que concluiu a última temporada com 13 gols pelo Palermo e com boa participação na conquista do quarto lugar da seleção do Uruguai na Copa do Mundo. A valorização no mercado, que levou o Napoli a decidir pagar 18 milhões de euros por seu futebol tem sido recompensada. O uruguaio impulsionou o time para o topo da tabela, suprindo a falta de um matador, sentida nos últimos anos: é um dos artilheiros da Serie A e decidiu jogos no final (metade de seus gols foram marcados na Zona Mazzarri). Além disso, o atacante costuma voltar para ajudar no meio-campo, onde Hamsík às vezes passa despercebido, mas logo traz lampejos de decisão. Fechando o tridente ofensivo, Lavezzi continua habilidoso, mas está cada vez mais objetivo. Prova disso é que 21 dos 26 gols do time saíram dos pés do trio (10 de Cavani, 7 de Hamsík e 4 de Lavezzi). Merecem destaque ainda Gargano, uma formiguinha operária no meio-campo azzurro, e o zagueiro Grava, que, aos 33 anos, é um dos líderes do time e faz a melhor temporada de sua carreira.

Decepção
Christian Maggio. O lateral direito da Nazionale tem passado longe de ser decisivo, como foi na Sampdoria e em seus dois outros anos com a camisa napolitana. Se não chega a atrapalhar o time, Maggio faz temporada sem muito brilho, sem conseguir desenvolver seu bom potencial ofensivo como poderia. Ao menos, foi o autor de uma importante vitória contra o Palermo, na Zona Mazzarri. Outro jogador da linha defensiva napolitana que tem decepcionado é Santacroce. O ítalo-brasileiro chegou a ser titular do time com Edy Reja, dois anos atrás, mas sofreu com problemas físicos na última temporada e nunca mais teve destaque. Totalmente recuperado das lesões no joelho, o zagueiro mal tem saído do banco (atuou em apenas quatro partidas) e deve ser emprestado ao Lecce no mercado de reparação. Muito pouco para quem já tem 24 anos e foi descrito como um dos jovens que renovaria a defesa da seleção italiana.

Perspectiva
Vaga na Liga dos Campeões. Ao menos por enquanto, o objetivo mínimo do clube dirigido pelo produtor cinematográfico Aurelio De Laurentiis deve ser uma vaga na elite do futebol europeu, perfeitamente plausível para um time que vem em grande fase e que ainda divide as atenções com a Liga Europa, que pode ser considerada seriamente como outra possibilidade de título nesta temporada. Sem pirotecnia, o diretor esportivo Giuseppe Bigon tem buscado reforços interessantes no mercado: para a defesa, o clube está interessado no colombiano Zapata, da Udinese, enquanto a imprensa ventila o nome de Criscito – o que mais parece apenas especulação. No meio-campo, o juventino Sissoko pode ser contratado para dar mais pegada ainda a um setor forte da equipe. Se a temporada já é a melhor do clube desde que Maradona deixou o San Paolo, no início da década de 1990, sem alarde, um passo após o outro, o Napoli tem potencial (e vontade) para ao menos brigar pelo scudetto. Mas, para isso, o time terá dois testes fundamentais já na volta do recesso: enfrentará Inter e Juventus em sequência.

1 comentário

  • O que mais me incomoda na Juventus nos últimos anos é lentidão nas contratações e investimentos em amebas como Amauri, Iaquinta, Grygera e Motta…
    Se Dzeco já estava difícil ficou impossível (com a proposta do shek árabe) e me vem interesse nas amebas Gilardino e Lucatoni…
    Isso é de matar qualquer bianconero.

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