Coppa Italia

O derby na Coppa: dor de um, delícia de outro

Borriello e Simplício comemoram: é a quarta vitória seguida da Roma em derbys (Getty Images)

Havia algum tempo que Lazio e Roma não se encontravam atravessando ao mesmo tempo uma situação tão confortável. Acostumandos a lutar contra o rebaixamento nos últimos anos, os laziale têm neste ano a primeira chance real em anos de brigar pelo scudetto. Já os romanistas, após anos batendo na trave – sempre atrás da Internazionale -, mantêm vivo o sonho de brigar por vaga na Liga dos Campeões, com o título já mais distante do que para os rivais. E o tira-teima para medir a força dos rivais não podia ser melhor: oitavas-de-final da Coppa Italia, com um Olímpico lotado.

Se alguns times deixam de lado seus interesses na Coppa para se dedicar melhor à Serie A, o dérbi capitolino impede que façam essa opção, deixando o clássico ainda mais quente, já que a classificação seria decidida basicamente com ambos entrando em campo com o que tinham de melhor. E dentro deste melhor, a Roma apresentou entre seus titulares o brasileiro Adriano, que mais uma vez teve a chance de mostrar que pode ser útil aos giallorossi. Com o atacante em campo, porém, o ataque romanista foi lento, sem oferecer perigo para os laziali, que por sua vez apostavam – novamente – as suas fichas nas jogadas cerebrais de Hernanes.

E o que se viu no primeiro tempo foi um clássico um tanto quanto monótono. Com as equipes esperando para tomar a iniciativa, nada de muito importante foi criado durante os primeiros 45 minutos. Adriano, apagado, pouco tocou na bola e não teve muitas chances, desperdiçando mais uma oportunidade que teve como titular com uma produtividade ínfima. A atuação muito abaixo da média rendeu ao Imperador apenas um fruto: a substituição durante o intervalo.

Junto com Adriano, Greco deixou o campo para que entrassem Vucinic e Ménez, fator que mexeu com o panorama da partida na segunda etapa. Mais dinâmica e incisiva, a equipe giallorossa partiu para o ataque e foi premiada logo aos sete minutos, quando Borriello abriu o placar em cobrança de penalidade. A alegria romanista, no entanto, não durou mais do que dez minutos. Também batendo pênalti, a Lazio empatou com os pés do brasileiro Hernanes, até então apagado na partida e colocou fogo no derby.

O empate acendeu a Lazio e deixou a Roma em estado de alerta, colocando uma boa dose de dinamismo no clássico. Empolgados, os aquilotti passaram a tomar conta do jogo e atacavam com muito intensidade, criando a maior parte das chances ao longo da segunda etapa. O grande número de ataques falhos, no entanto, fez com que os biancocelesti acabassem castigados. Em contra-ataque rápido puxado por Ménez, o zagueiro Radu falhou feio e a bola sobrou limpa para Fábio Simplício colocar os giallorossi novamente na frente do placar aos 32 minutos – anotando o segundo gol brasileiro na partida.

A desvantagem no placar fez com que a Lazio partisse com ainda mais força para cima do rival. Atacando em bloco, o time azzurro tentava de todas as formas chegar à área romanista, investindo principalmente em cruzamentos. Restava à Roma apenas os contra-ataques e a tentativa de defender a meta do goleiro Julio Sérgio. E apesar de todo o bombardeio da Lazio, os giallorossi conseguiram, mesmo que tomando alguns sustos, garantir a vitória e, assim, a classificação para as quartas de final da Coppa, quando enfrentarão a Juventus.

E a alegria romanista não para por aí: é importante lembrar que esta foi a quarta vitória seguida da Roma sobre a Lazio, que não vence o dérbi desde 11 de abril de 2009.

Ironia do destino
Na outra partida válida pela Coppa, a Udinese viajou até Gênova para enfrentar a Sampdoria em jogo que ficou marcado pelo alto nível de emoção. Em partida veloz e bem jogada, os blucerchiati abriram o placar ainda no primeiro tempo, quando o recém-chegado Macheda fez seu primeiro gol por sua nova equipe, em sua primeira partida como titular. Um pouco melhor em campo e impulsionada pela torcida, a Samp decepcionou e se perdeu após abrir o placar.

Apesar de não fazer jus à vitória parcial, a Sampdoria continha as investidas friulanas, que aumentaram significativamente após Alexis Sánchez sair do banco de reservas. Atacando pelas pontas, a Udinese teve paciência e sangue frio para tentar até o final da partida. A persistência bianconera foi premiada com uma bomba certeira de Isla, que aos 45 minutos da segunda etapa deixou tudo igual.

A igualdade no placar forçou a prorrogação e fez com que os torcedores presentes no Luigi Ferraris sentissem calafrios. Não seria a primeira vez na temporada que a Sampdoria deixaria escapar uma classificação após levar um gol no final: contra o Werder Bremen, na fase preliminar da Liga dos Campeões, os dorianos sofreram um gol no final do jogo e foram eliminados na prorrogação.

Nos primeiros minutos da prorrogação Denis virou para os visitantes, causando o desespero blucerchiati e trazendo de volta o pesadelo da Liga dos Campeões. Mas o que parecia ser um pesadelo para a equipe de Gênova, porém, passou a ser amenizado quando Pazzini converteu pênalti cometido por Pasquale no final da segunda etapa do tempo extra.

Ânimo extra para os donos da casa, decepção para os visitantes e decisão nas penalidades máximas. E como uma ironia do destino, Isla e Denis, autores dos gols que colocaram a Udinese na partida, desperdiçaram suas penalidades, fazendo com que o pênalti perdido por Ziegler não fizesse diferença para a Sampdoria, enfim classificada para as quartas de final da Coppa Italia. A Samp espera o vencedor de Milan e Bari, que se enfrentam amanhã no San Siro.

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