Serie A

Quando as aparências enganam

Eto’o mostra a distância que separava Milan e Inter. Hoje, os nerazzurri estão chegando (Getty Images)

Chegou a parecer fácil, mas não foi. A Inter assumiu a quarta colocação após bater o Cesena por 3 a 2 e já vê o Milan mais de perto, após cinco vitórias consecutivas sob o comando de Leonardo (quatro na Serie A): agora, a distância é de apenas seis pontos, com um jogo a menos. Para aqueles que acreditavam que a Inter estava fora da briga pelo scudetto, a resposta dos jogadores tem sido clara: não existe falta de motivação, o hexacampeonato é possível.

A Beneamata entrou em campo para a partida, atrasada da 16ª rodada em virtude da participação nerazzurra no Mundial de Clubes da Fifa, querendo decidi-la com rapidez. A estratégia de Leonardo tinha o intuito de se preservar para a complicada visita ao Friuli, para enfrentar a Udinese neste domingo e começou com máxima efetividade: aos 15 minutos, a dupla Eto’o e Milito já tinha anotado um gol cada, sempre com a participação do outro. No entanto, o maior problema da Inter sob o comando do treinador brasileiro voltou a aparecer: o time sofre gols pela Serie A em todas as partidas desde o fim de outubro e tem dificuldade de gerir as partidas.

Quinze minutos depois de ter aberto a boa vantagem de dois gols, a Inter havia sofrido o empate, após Bogdani e Giaccherini terem aproveitado dois lançamentos a partir da intermediária. Materazzi acabou sendo escalado, porque Ranocchia já havia jogado na mesma rodada pelo Genoa, em dezembro, e a Inter quis evitar problemas legais devido à inexistência da regulamentação em torno de situações semelhantes, nas quais partidas atrasadas de rodadas referentes a um momento anterior à abertura do mercado sejam realizadas depois que negociações já são permitidas.

Em campo, Matrix mostrou novamente como a idade tem pesado: o zagueiro teve boa fase na Inter entre 2005 e 2007, mas nunca foi considerado um grande defensor. Do alto de seus 37 anos, não oferece a segurança que um time que luta pelo título, como a Inter, precisa. Falhou no primeiro gol ao deixar Bogdani desmarcado e fez partida confusa, no geral. Lúcio, seu companheiro de defesa, também fez partida muito ruim: além de ter dado condições para que Giaccherini empatasse o jogo com um bonito sem pulo, deixava a defesa altamente vulnerável, marcando mal Bogdani e sem tempo de bola. Mesmo com a defesa dando trabalho, a Inter ainda tem a melhor defesa do campeonato ao lado do Milan, com 18 gols sofridos.

O ataque, por sua vez, não é mais tão dependente de Eto’o. Embora o camaronês tenha 12 gols na Serie A, após a chegada de Leonardo, a artilharia na Inter voltou a ser bem distribuída. Milito voltou a marcar gols, o meio-campo chega mais ao ataque e até mesmo a defesa tem sua vez. Nesta quarta, foi a vez de Chivu ser o herói do jogo, com um gol de cabeça no fim do primeiro tempo, após ótimo cruzamento de Maicon – o terceiro que termina em gol em 2011.

O segundo tempo foi de muita correria e pouca tática. Giaccherini deu trabalho à defesa interista até ter sido expulso, nos vinte minutos finais, mas não houve alívio para Lúcio e Materazzi. Stankovic, um dos responsáveis por fazer a proteção da defesa, esteve desligado demais e constantemente perdeu bolas que criavam contra-ataques para o Cesena. Zanetti, em sua 520ª partida pela Inter, era o responsável por tentar equilibrar o jogo no setor e puxar contra-ataques. No entanto, Biabiany (em campo desde os 15 minutos, quando Milito sentiu dores na coxa e Leonardo decidiu poupá-lo), não conseguia dialogar bem com o capitão.

Pelo lado cesenático, apesar de os jogadores e a comissão técnica poderem sentir-se frustrados por quase ter alcançado um resultado melhor, a atuação deve ser encarada de maneira positiva. O time está muito vivo na briga contra o rebaixamento e, contra o Milan, no mesmo estádio, pode aprontar de novo – mesmo sem Giaccherini. A Inter torce para que desta vez o Cesena tenha melhor sorte, sobretudo porque enfrenta uma Udinese motivada e em seu melhor momento no campeonato. Motivação também não falta no ambiente nerazzurro: encostar tão rapidamente no Milan após se encontrar treze pontos atrás é um sprint à Ayrton Senna, a quem Leonardo comparou a Inter.

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