Serie A

27ª rodada: Digno de Oscar

Espetacular. Queimando a língua deste colunista, a Udinese à Barcelona é a grata surpresa desta temporada (Getty Images)

O domingo prometia na Serie A. A noite italiana teria o jogo entre Sampdoria e Inter, importante para definir a briga pelo título. A Inter venceu e colocou pressão em Milan e Napoli, que jogam logo mais, mas a Udinese já havia chamado a atenção para si mais cedo. A humilhação para cima do Palermo, concorrente direto por uma vaga em competições europeias, deixou o claro o que muitos ainda pareciam não concordar: a Udinese, que joga o melhor futebol do Belpaese e tem o melhor ataque da competição ao lado da Inter, briga por uma vaga na Liga dos Campeões. Se a premiação da Academia não teve surpresas, no campeonato italiano, a Udinese já é, de longe, a surpresa da temporada. Queimou, entre outras, a língua deste colunista nas previsões de início de temporada. O Oscar pelo melhor futebol da Itália é do clube friulano.

Palermo 0-7 Udinese
Puro espetáculo. Sem forçar em nenhum momento, a equipe que pratica o melhor futebol na Itália, à Barcelona – o presidente Vittorio Pozzo é um grande admirador do futebol espanhol -, aproveitou que os jogadores do Palermo nem entraram em campo e aplicaram a maior goleada na Serie A desde quando a Roma venceu o Catania pelo mesmo placar, em 2006 – acompanhe outras estatísticas no excelente texto do Leonardo Bertozzi. Voando baixo, Sánchez e Di Natale – autores de quatro e três gols, respectivamente – não tomaram conhecimento dos defensores rosanero, que puderam apenas ficar perplexos. A expulsão de Bacinovic, no final do primeiro tempo, facilitou ainda mais as coisas para os friulanos, que já aplicava um sono 5 a 0 quando os times foram para os vestiários no intervalo. Na segunda etapa, a Udinese foi tirando o pé gradativamente e fez “apenas” mais dois, parando após a expulsão de Darmian, que deixava o Palermo com nove. Além dos destaques claros do time, vale a pena ressaltar a evolução de Armero, que tem carta branca para atacar, assim como Maicon na Inter. Dessa maneira, o colombiano cavou as duas expulsões do Palermo e participou ainda de outro gol. Hoje, é um dos melhores laterais esquerdos da Serie A.

Uma das notas mais negativas na atuação palermitana foi o desempenho de Sirigu, que deve ter deixado Cesare Prandelli preocupado. O goleiro falhou feio em dois gols e ainda sofreu um defensável. No final do jogo, não adiantou Delio Rossi obrigar seus jogadores a pedirem desculpas para a torcida e assumir toda a culpa pela humilhação: o presidente Maurizio Zamparini bradou que o treinador “destruiu seu time” e o exonerou, dando a Serse Cosmi a incumbência de dirigir o time até o fim da temporada. E com pressão redobrada: depois do 7 a 0, vai ter que ajeitar a defesa e pensar em conquistar uma vaga europeia, cada vez mais plausível para a Udinese e menos para o time siciliano.

Sampdoria 0-2 Inter
Espécie de asa negra para a Inter nos últimos dois anos, a Sampdoria fez uma de suas partidas mais dignas neste campeonato. O fato surpreendeu, não só pela má fase doriana, mas também porque Di Carlo experimentou um inédito 3-5-2, com Guberti ao lado de Maccarone no ataque. O esquema tático rendeu e teve em Poli, melhor doriano em campo, o grande destaque. O meia trabalhava bem a bola e chegou a chutar bola na trave no primeiro tempo.

A Inter, porém, tinha Sneijder. Mesmo quando a Inter passava por dificuldades, o holandês conseguia criar alguma chance, seja com passes precisos ou por chutes de fora da área. Foi chutando da entrada da área que ele apareceu para definir o jogo, com uma linda cobrança de falta que surpreendeu Curci e a barreira, que ainda reclamava com o árbitro. Eto’o, isolado durante boa parte do jogo, ainda aproveitou um belo lançamento de Stankovic para se reconciliar com os gols nos minutos finais, após um jejum de três jogos. A vitória deixa a Inter a apenas dois pontos do Milan e um ponto a frente do Napoli, colocando pressão na partidaça de logo mais, em San Siro.

Roma 2-2 Parma
Na 600ª partida de Totti com a camisa da Roma, nada de muito novo: o capitão marcou contra o Parma, sua vítima preferencial, e a Roma romou. Os giallorossi fizeram um bom primeiro tempo, contando com uma atuação interessante de seu capitão, repetindo a boa atuação de Gênova. A se destacar também o renascimento de Juan, que marcava um gol importante no momento do 2 a 0 parcial, e se reconciliava com a torcida. Já no final do jogo, a história mudou em cinco minutos, graças a duas combinações entre Valiani e Amauri. Em dois cruzamentos provenientes do esterno destro, o ítalo-brasileiro se desvencilhou sem muitas dificuldades da marcação e converteu dois gols – um com um sem-pulo de letra -, que derrubaram a Roma. Pizarro, metrônomo do meio-campo romanista e que vinha fazendo falta nos três meses que ficou afastado, acabou se lesionando novamente e deve desfalcar o time por 15 dias. Sem Pek, Totti e Vucinic, que foram substituídos, não deu para a Roma reagir nos dez minutos finais, mesmo com um a mais desde a expulsão de Paci.

Cagliari 1-0 Lazio
A partida não foi um primor. Mesmo visitante, a Lazio mandou no jogo por boa parte do tempo, mas não conseguiu concluir jogadas com facilidade, devido ao bom posicionamento dos defensores cagliaritanos e ao sumiço de Hernanes, ausente da partida. O Cagliari, que estava em dificuldade, saiu na frente graças a um bizarro gol contra de André Dias e, depois, também teve algumas chances de testar o goleiro Berni, principalmente na segunda etapa – quando o jogo ganhou em intensidade, com a Lazio saindo mais para o jogo e oferecendo o contra-ataque. Para a Lazio, sonhar com a Europa continua possível, graças à irregularidade de quase todos os rivais, exceção feita à brilhante Udinese. Com o resultado, o Cagliari começa a sonhar timidamente com voos mais altos, mas ainda passa apenas pela fase de ensaios. A temporada já é positiva o suficiente.

Catania 2-1 Genoa
Os nervos estiveram à flor da pele no ensolarado domingo siciliano, em partida que teve quatro expulsões – Augustyn, do lado dos donos da casa, e três do lado genoano: além de Criscito, por falta, o técnico Ballardini e Floro Flores, já substituído, foram expulsos por reclamação. Contribuíram para isso decisões dúbias da arbitragem de Giannoccaro, que validou um gol duvidoso de Floro Flores, para o Genoa, e outro duvidoso de Maxi López, para o Catania. Bergessio contou com a sorte para virar a partida, depois que seu chute desviou em Criscito e na trave para enganar Eduardo. Do outro lado, o goleiro Andújar teve mais sorte: depois de falhar no gol do Grifone, fez duas defesas importantes, impedindo que Rossi fechasse a partida ainda no primeiro tempo e também defendendo cobrança de pênalti de Miguel Veloso, para se redimir e garantir pontos preciosos para a equipe de Simeone, que respira na luta pela permanência na elite.

Brescia 2-2 Lecce
Bobeada do Brescia ou brava reação do Lecce? Um misto dos dois levou ao empate entre os dois times, que serviu muito pouco aos donos da casa, mas que acabou ficando de bom tamanho para o time do sul, que se mantém fora da zona de rebaixamento. Os salentini sofreram dois gols logo antes da metade do primeiro tempo, confirmando que não é por acaso que a defesa continua sendo a pior do torneio, com 48 gols sofridos, e é especialmente péssima em jogadas aéreas, forma como surgiram os gols de Caracciolo e Zoboli. O técnico Rizzo, que substituía o suspenso De Canio, ousou e mexeu ainda no primeiro temp: colocou Corvia em campo no lugar de Grossmüller, avançando o time. Mas a reação veio mesmo dos pés de Munari, o termômetro do time. O meia participou da ação do primeiro gol, de Corvia, e fez o segundo, após aproveitar a inocência da defesa lombarda, que não o acompanhou quando ele se inseria para receber cobrança de lateral batido por Mesbah. Defesa a melhorar também em Brescia, afinal, não adianta dominar o jogo inteiro contra um rival direto e desperdiçar um bom resultado por falta de atenção.

Cesena 1-0 Chievo
A vitória do Catania pouco antes da partida colocou pressão sobre Cesena e Chievo, em mais um dos jogos da rodada que valiam muito para definir a permanência das duas equipes na elite. A vitória importantíssima cesenática foi conquistada apenas nos últimos minutos, com a participação fundamental dos dois maiores destaques do time na Serie A. Três minutos antes do fim, Antonioli fez uma defesa difícil, em chute à queima-roupa de Gélson Fernandes. Já aos 90, Jiménez converteu pênalti duvidoso sobre Bogdani e não deu qualquer tempo de reação para os clivensi, que acumulam três derrotas nos últimos três jogos. Os três pontos conquistados servem para além de colocar os romanholos três pontos atrás de Parma e Lecce, últimos times fora da zona de rebaixamento, com 28 pontos: acalmam os ânimos depois de uma semana atribulada. A equipe de Verona, por sua vez, volta a correr perigo.

Bari 1-1 Fiorentina
Tropeço imperdoável para a Fiorentina e empate que pouco serve ao Bari, virtualmente rebaixado. Os biancorossi precisam recuperar 12 pontos em 11 rodadas, missão quase imossível para um time que não teve qualquer boa fase nesta temporada e que conta com boa parte dos titulares lesionados ou jogando abaixo do que jogaram em 2009-10. A Fiorentina saiu na frente com o 200º gol de Gilardino em sua carreira, mas relaxou e recuou demais, permitindo que os galletti dominassem a partida, embora as principais chances tenham surgido apenas depois de trapalhadas da zaga viola. No final da partida, o argelino Ghezzal, que voltou bem de longa lesão, marcou um golaço para um San Nicola quase vazio – e muito ver.

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