Brasileiros no calcio

Herói brasileiro em 1962, Amarildo foi Possesso na Fiorentina

Jovem, aos 21 anos, Amarildo cumpriu a missão mais difícil de sua carreira: substituir Pelé à altura na Copa do Mundo 1962. Nelson Rodrigues o chamava de “Possesso”, pelo seu jeito explosivo dentro de campo. O atacante brasileiro conquistou títulos por aqui e também alcançou o sucesso no futebol italiano, exercendo o papel de dar o toque de fantasia aos times que defendeu – Milan, Fiorentina e Roma.

Nascido em Campos dos Goytacazes, Amarildo começou a jogar futebol na sua terra natal. A passagem pelo Goytacaz foi rápida, assim como a estadia no Flamengo, que durou apenas seis jogos e rendeu um gol. Dispensado do rubronegro, ele já pensava em parar de jogar, mas foi convencido a participar de um teste no Botafogo, no qual foi aprovado. Junto ao clube de General Severiano, ele encontrou o sucesso, conquistou seis títulos e foi convocado para a Copa de 1962.

No Mundial do Chile, Pelé se machucou contra a União Soviética e Amarildo o substituiu. A partida decisiva da primeira fase frente à Espanha teve o “Possesso” marcando os dois gols da vitória brasileira por 2 a 1. Porém, mesmo seguindo como titular até a conquista do bicampeonato, todo o protagonismo ficou com Garrincha – seu colega no Botafogo. Didi, Vavá e Nilton Santos também eram seus companheiros no Glorioso e facilitaram muito a sua adaptação à seleção, que vinha com a base campeã em 1958, quando Amarildo ainda não fazia parte da equipe.

Nos anos 60, a Itália voltou a importar muitos jogadores brasileiros, lá eles ganhariam aproximadamente 30% a mais do que em grandes clubes do Brasil. Dino Sani (Milan), Cinesinho (Modena), Mazzola (Milan) e Jair da Costa (Inter) foram alguns que optaram pela ida à Itália. Posteriormente, em 1963 o Milan também contratou Amarildo.

Contra o Santos, na final do Mundial de Clubes de 1963, o brasileiro teve seu primeiro grande desafio em rossonero. Amarildo alinhou ao lado de Mazzola e Gianni Rivera, mas a forte linha ofensiva milanista não foi suficiente para parar o alvinegro praiano de Pelé e cia. O “Possesso” marcou dois tentos na vitória por 4 a 2 no jogo de ida, na volta o placar se inverteu e o título foi decidido na partida desempate, vencida pelo Santos por 1 a 0.

Amarildo e Pelé se encontram na final do Mundial de Clubes (Interleaning)

Ele seguiu vestindo rossonero até 1967, ano em que venceu seu único título pelo Milan, a Coppa Italia. Na final contra o Padova, o brasileiro foi um dos titulares da equipe. Foram quatro anos em Milão, tempo em que marcou mais de 30 gols nas 107 presenças pelo Milan. Depois de deixar o Diavolo, teve a Fiorentina como destino. Em Florença, Amarildo chegou ao auge em sua passagem pelo futebol italiano: conquistou o scudetto sendo titular da equipe, que vencia a Serie A pela segunda vez na sua história, com nomes como o meio-campista De Sisti e o artilheiro Mario Maraschi. Depois do título, teve mais um ano na Fiorentina, mas o sucesso da temporada 1968-69 jamais se repetiu.

A Roma foi seu último clube no Belpaese. Pelo clube da capital, jogou 33 vezes e fez 10 gols durante duas temporadas, já no ocaso da carreira. Depois de nove anos na Itália, era hora de Amarildo voltar para o Brasil para encerrar a carreira. O Vasco o contratou, e junto ao Gigante da Colina, o “Possesso” fez parte do elenco campeão nacional em 1974. Não teve destaque, pois jamais se readaptou ao futebol brasileiro e, logo após a conquista, parou de jogar.

Amarildo voltou para Itália, querendo iniciar a carreira de treinador. Começou no Sorso, nas divisões inferiores do futebol italiano. Logo depois comandou o Espérance, da Tunísia, e foi campeão do campeonato nacional em 1985 e da Copa da Tunísia em 1986. Em 1987 deixou o cargo e a carreira de treinador para trás. Voltou a morar na Itália, que havia o acolhido na década de 60.

Em 2007, Amarildo deixou a Itália para finalmente voltar a viver no Brasil. Seu objetivo era voltar a ser técnico, mas o ex-atacante se dizia impressionado: mesmo com a experiencia europeia que possuía, não conseguia um clube para comandar. O América do Rio de Janeiro lhe deu a chance em 2008, mas sua última aventura como comandante não deu certo. Amarildo ficou no comando do alvirrubro apenas por uma semana e viu sua equipe perder por 4 a 2 para o Volta Redonda no único jogo em que a dirigiu. Um fim de carreira ligada ao futebol melancólico demais para um jogador que teve tantas glórias dentro de campo.

Amarildo Tavares da Silveira
Nascimento: 29 de julho de 1939, em Campos dos Goytacazes, Brasil
Posição: Atacante, ponta-esquerda
Clubes como jogador: Goytacaz (1956-57), Flamengo (1958), Botafogo (1958-63), Milan (1963-67), Fiorentina (1967-70), Roma (1970-72) e Vasco (1972-74)
Clubes como treinador: Sorso (1981-83), Espérance (1984-87) e América-RJ (2008)
Títulos: 2 Campeonatos Cariocas (1961 e 1962), 1 Torneio Rio-São Paulo (1962), 3 Torneios Início do Rio de Janeiro (1961, 1962 e 1963), 1 Coppa Italia (1966-67), 1 Serie A (1968-69), 1 Campeonato Brasileiro (1974), 1 Campeonato Tunisiano (1985), 1 Copa da Tunísia (1986) e 1 Copa do Mundo (1962)
Seleção brasileira: 25 jogos e 9 gols

1 comentário

  • Pedro,

    Muito legal este post sobre Amarildo, um grande jogador brasileiro (não reconhido devidamente por nós próprios brasileiros).

    Porém, Pelé se machucou contra a Tchecoslováquia – o Brasil jogou contra a URSS na Copa de 1958.

    Abraços,
    Bruno Bisquiliare Lima

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