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Balotelli: bem me quer, mal me quer

O superconfiante Balotelli se prepara para ser reverenciado: quem é que abraça? (Getty Images)

Considere a seguinte hipótese nada improvável: após tomar uma bela xícara de Lady Grey com leite, Roberto Mancini, apreciando o Sol insuficiente que ilumina Manchester, passa as mãos em seus cabelos grisalhos de empreendedor bem-sucedido e decide não mais aturar Mario Balotelli. “Por quê?” – Ele se questiona e começa a divagar, aos poucos chegando noutra pergunta. Esta, por sua vez, também responde a primeira: “e como eu o aguentei por tanto tempo?“. Romantismos à parte, o homem que na Serie A lançou um Balotelli de apenas dezessete anos, em 2007, pode perder a paciência a qualquer momento – se já não o fez.

Se SuperMario fosse um ególatra problemático só fora de campo, tudo bem. Acontece que o ex-interista não tem feito por merecer a paciência que lhe é reservada. Sua expulsão patética contra o Dínamo de Kiev ajudou a enterrar o Manchester City na Liga Europa e desprestigiou ainda mais um atacante manchado pelos problemas extracampo. Os dez cartões amarelos e dois vermelhos em 20 partidas são alguns dos motivos para Mancio abrir mão do atacante, como tem sido bastante especulado pela imprensa.

A eliminação na Liga Europa custou caro. Os citizens tinham dois gols a fazer, e o fato de jogar dois terços da partida com um a menos, ainda diante de placar fechado, só dificultou tudo. Mancini ficou fulo: “Ele pode ser um jogador fantástico, mas quando age estupidamente, como hoje, fica difícil para mim e para a equipe. Não vi a falta, (…) mas não se pode tomar cartões estúpidos como este“. Falou-se numa possível troca entre Balotelli e Ibrahimovic, algo já negado por Silvio Berlusconi. Fato é que um jogador que afirma ser superado tão somente por Lionel Messi, toca o que não deve por aí e atira dardos (!) nos juvenis de seu próprio clube precisa jogar muito para receber qualquer tolerância.

Roberto Mancini já havia outras vezes minimizado problemas entre os dois, mas a situação vai se intensificando. A recusa de Berlusconi, por mais indiferente que pareça, dá um sinal claro: poucos times (grandes), hoje, estariam dispostos a arriscar a contratação do craque-problema. Balotelli vestiu a camisa do Milan enquanto atleta da Inter, e sempre teve a equipe de Milanello como um possível destino – o que soaria absurdo, não fosse a normalidade de trocas entre profissionais dos clubes de Milão. Ele até conta com os rossoneri como um destino certo.

Sem o Milan para lhe oferecer abrigo e com imagem carbonizada na Itália e na Inglaterra, Balotelli tem três possíveis futuros: o primeiro é criar decência; jogar muito sempre; convencer Mancini e se consagrar no futebol – tudo muito improvável. O segundo é ter uma última chance noutra grande (e necessariamente rica) equipe – o que é difícil, ainda mais desconsiderando os clubes italianos e ingleses; o Barcelona, que não se arriscaria, e o Real Madrid, por ter José Mourinho. As últimas especlações davam conta de que o milionário Aurelio De Laurentiis, dono do Napoli, estaria disposto a arriscar uma pequena fortuna para contar com o atacante para a próxima edição da Liga dos Campeões, da qual o Napoli provavelmente participará.

A terceira hipótese para o futuro de Balotelli é mais deprimente: decair pouco a pouco entre clubes de menor expressão, até se ver, em alguns anos, rodando com brilho entre times medianos. Aí é capaz do atacante sofrer uma síndrome de Cassano: aquele teórico passo de amadurecimento, somando auto-críticas de um passado já visto comicamente. Em outras palavras, uma noção de “vi que joguei tudo fora”. Nesse caso, poderá ser tarde demais, e SuperMario já terá deixado de ser Super, encabeçando um rol inglório de talentos que não vingaram.

Tudo isso são hipóteses, e os fatos se resumem ao que já sabemos: Balotelli joga muito e carrega um potencial monstruoso, mas é extremamente problemático e autodestrutivo. Esse filme já foi visto tantas vezes; servindo para manter uma atenção especial no jogador – até o próprio Cassano já o aconselhou. Fica a pergunta: com 30 milhões de euros à disposição – preço aproximado de sua transferência para o City e possível valor de venda -, você traria Mario Balotelli para vestir a camisa 45 de seu time?

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