Jogadores Técnicos

Gol de bicicleta fez Carlo Parola virar hit em álbum da Panini

Bicicleta, a primeira paixão de Carlo Parola. Seu pai, que morrera prematuramente por conta de um ataque cardíaco, construiu e a deu para o filho, quando moravam perto do Motovelodromo de Turim. Parola não sabia que, anos mais tarde, faria da bicicleta sua marca registrada dentro das quatro linhas.

Carlo era pequeno quando se tornou fã de corridas. Até participou de algumas, como a do percurso entre Turim e Bardonecchia, e conquistou o segundo lugar. Mudou-se para Cuneo, onde havia o Velódromo. Entretanto, perto de sua casa, também havia uma quadra. Ele, com dez anos, e alguns amigos, montaram um time chamado Brianza. Daí em diante, o futebol tornou-se sua principal ocupação.

A primeira equipe real de Parola foi o Vanchiglia, em 1935. O futebol dele já dava sinais de que seria de qualidade. Entretanto, as condições financeiras da família obrigaram o menino a trabalhar na Fiat. Durante as folgas, Carlo jogava futebol com seus companheiros de empresa e foi observado por um integrante da Juventus. Aos 18 anos, em 1939, assinou contrato com o clube bianconero.

Certa feita, Umberto Caligaris, treinador da equipe, estava com problemas para substituir Luis Monti. Ele recuou o talentoso meio-campista Giovanni Varglien, adaptável a qualquer função, mas ainda não estava satisfeito depois da terceira colocação na Serie A. A estreia de Parola, atacante no Vanchiglia e no time da Fiat, foi na zaga, de onde não saiu mais. Naquele domingo, contra o Novara, em Turim, a exibição de Parola foi tão boa que arrancou aplausos da torcida. O jogador assumiu a titularidade do time e, três temporadas depois, conquistou a Coppa Italia, seu primeiro título na carreira.

Vittorio Pozzo, único treinador a ganhar duas Copas do Mundo, não poderia deixar escapar um jogador de qualidade do selecionado nacional e incluiu o zagueiro para o jogo contra Hungria, em 1942. Vestindo a camisa 4, Parola foi titular na vitória por 3 a 0. No entanto, jogou pouco pela seleção italiana, assim como qualquer outro jogador de sua época, já que as atividades futebolísticas ficaram paralisadas durante a década de 40, por conta da Segunda Guerra Mundial. No total, Parola jogou apenas 10 partidas pela Nazionale.

A sua fama internacional cresceu bastante em 1946, quando, em Glasgow, foi convocado para integrar a seleção da Europa contra a Grã-Bretanha. A sua equipe, formada também pelo zagueiro suíço Willi Stephen e o atacante sueco Gunnar Nordahl, perdeu por 6 a 1, mas Parola fez grande partida. Os críticos de todo o mundo foram unânimes em nomear Carletto, agora “o Europeu”, como o melhor jogador da partida. Clubes ingleses lhe fizeram propostas, mas Parola preferiu permanecer na Juventus.

A sua carreira ficou marcada por um feito durante um confronto diante da Fiorentina, em 15 de janeiro de 1950. Parola cortou um ataque fulminante da viola com uma bicicleta, eternizando seu movimento. A bicicleta de Parola ficou conhecida por toda a Itália e foi difundida para o exterior, com a impressão de 200 mil exemplares de uma foto do feito, distribuída em línguas como grego, russo, árabe e japonês. Em 1996, foi para a capa do álbum de figurinhas da Panini daquela Serie A. Virou tão popular quanto a pizza.

Parola ganhou três títulos com a Juventus antes de se mudar para a Lazio. O Signore Rovesciata atuou em apenas sete partidas com a camisa laziale e encerrou a carreira, assumindo o posto de dirigente na equipe por um curto período de tempo. Depois, virou treinador, na pequena Anconitana, que treinou de 1956 a 1958. Três anos depois, assumiu a Juventus, time do seu coração, mas levou a equipe à 12ª colocação, a pior de sua história até hoje. Com John Charles já na fase descendente e a aposentadoria de Giampiero Boniperti, o time sentiu e Parola não soube conduzir a transição, tendo pulso nada firme como o capitão Omar Sivori, principal jogador do time.

Sem sucesso na nova função, treinou Livorno e Novara na Serie B. Pela equipe do Piemonte, conseguiu o acesso com da Serie C para a B em seu ano de estreia, em 1969, e permaneceu por cinco anos, antes de voltar a sua amada Juventus por convite de seu amigo e ex-companheiro de clube Boniperti, agora presidente da Velha Senhora. Nos dois anos em que treinou a grande Juventus da década de 1970, conquistou o único scudetto como treinador com àquela equipe de Dino Zoff, Gaetano Scirea, Fabio Capello, Franco Causio, José Altafini, Roberto Bettega e Paolo Rossi.

No ano seguinte, Parola mostrou novamente que não tinha o domínio dos vestiários como em sua primeira passagem como treinador pelo clube. Ele não conseguiu controlar o vestiário rachado entre os grupos de Capello e Anastasi e de Bettega e Furino, e viu o rival Torino ultrapassar a Juve na tabela, ficando com o título – o primeiro desde o Desastre de Superga. Parola acabou demitido e acabou virando olheiro do time. Olhando para o passado, Carletto pensava que a razão do pouco sucesso como treinador era simples: “eu era um jogador muito bom para ser um grande treinador também”.

Parola faleceu em 2000, aos 78 anos, vítima de uma doença não revelada, mas que lhe perseguia há anos.

Carlo Parola
Nascimento: 20 de setembro de 1921, em Turim
Morte: 22 de março de 2000, em Turim
Posição: zagueiro
Seleção italiana: 10 jogos
Clubes como jogador: Juventus (1939-54) e Lazio (1954-55)
Clubes como treinador: Anconitana (1956-58), Juventus (1961-62 e 1974-76), Livorno (1964-65) e Novara (1969-74)
Títulos como jogador: 2 Serie A (1949-50 e 1951-52), Coppa Italia (1941-42)
Títulos como treinador: Serie A (1974-75)

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