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Bom futebol e golaços fizeram de Youri Djorkaeff o xodó dos interistas

Nem sempre um jogador precisa passar muitos anos em um mesmo clube para ganhar o carinho de sua torcida. Este é o caso de Youri Djorkaeff, meia-atcante que passou três anos na Inter, entre 1996 e 1999, período nem tão glorioso do clube de Milão.

Filho do defensor francês Jean Djorkaeff, que participou da Copa do Mundo de 1966, Youri fez parte da França campeã mundial em 1998 e europeia dois anos depois, quando vivia a melhor fase de sua carreira, defendendo a Inter. O técnico meio-campista ofensivo tinha duas principais características: era hábil em dribles curtos e arrematava fácil de perna direita. Além de extensa carreira no país natal, Djorkaeff vestiu por três temporadas a camisa interista, tempo em que manteve relação muito intensa com os nerazzurri. Em 2008, na festa do centenário da Inter, o jogador foi ovacionado pelo público do Giuseppe Meazza.

Resultado de uma mistura de sangue russo-polonês de seu pai e armeno de sua mãe, Djorkaeff nasceu e iniciou a sua trajetória futebolística na França. O ponto de partida foi no Grenoble, equipe na qual Djorkaeff só teve espaço quando foi rebaixada para a terceira divisão francesa. Na volta à Ligue 2, já como titular, Djorkaeff se destacou e, após duas temporadas em que a equipe apenas alcançava o meio da tabela, ele deixou a equipe para defender o Strasbourg, em 1989-90.

Na equipe da Alsácia-Lorena, realizou 21 gols na temporada de estreia, que ajudaram a equipe a alcançar o segundo posto de seu grupo, ficando muito próxima da promoção. O meia não ficou na segunda divisão por muito tempo e se transferiu para o Monaco ainda com a temporada 1990-91 em andamento, para finalmente debutar na Ligue 1. Além de ajudar os monegascos a alcançarem o segundo posto no campeonato francês, Djorkaeff fez um gol na semifinal da Copa da França 1990-91, contra o Gueugnon. Na final, contra o Olympique de Marselha, o camisa 11 foi titular e viu sua equipe ser campeã após vitória por 1 a 0.

Djorkaeff seguiu vestindo vermelho e branco até 1995. Durante esse tempo, o meia se notabilizou por marcar muitos gols. Na temporada 1993-94, o camisa 11 foi um dos artilheiros da Ligue 1, com 20 tentos, sua melhor marca em um campeonato de primeira divisão. Djorkaeff deixou o Monaco rumo ao Paris Saint-Germain em 1995, depois de 224 partidas e 87 gols marcados.

Na equipe da capital francesa, foi destaque ao lado do brasileiro Raí e do panamenho Dely Valdés, ex-Cagliari, na conquista da Recopa Europeia e do vice-campeonato nacional. Em solo francês, concluiu concluiu sua participação na Ligue 1 daquela temporada com 13 gols marcados, completando uma sequência de quatro anos marcando mais de dez vezes na Ligue 1.

Após a boa campanha com o conjunto parisiense, Djorkaeff, ao lado de Zidane, Desailly, Deschamps e Blanc, levou a França às semifinais da Eurocopa de 1996. A Itália era o fator em comum entre os destaques dos Bleus, pois todos eles tiveram algum destaque no Belpaese nos anos 90 e início dos 2000. Djorkaeff, até então, não tinha. Porém, logo após a participação na Euro, o camisa nove na boa campanha francesa se transferiu para a Inter.

Na Itália, a torcida nerazzurra passou a chamá-lo de “DJ”. Logo na primeira disputa da Serie A foram 14 gols que, somados à titularidade e às boas exibições, lhe renderam o título de jogador do Ano da equipe. O francês nunca esquecerá a partida contra a Roma, no Giuseppe Meazza, quando marcou um golaço, em um voleio inimaginável. No final da temporada, a Inter ainda poderia ter vencido a Copa Uefa, mas na decisão, contra o Schalke 04, o jogo foi para as disputas de pênaltis e apenas Djorkaeff converteu pelos italianos, que acabaram derrotados.

 

No ano seguinte e na mesma competição, o francês ajudou a Inter a chegar em mais uma disputa de título, com direito à revanche sobre os alemães do Schalke. E na final, contra a Lazio, o camisa seis retornou ao Parc des Principes para ser um dos titulares na vitória por 3 a 0, com grande atuação de Ronaldo. Na Serie A, mesmo com desempenho incrível do brasileiro, apoiado pelo francês, os nerazzurri sucumbiram no final e a Juventus acabou com o scudetto, depois de levar a melhor em um confronto direto marcado pela polêmica de um pênalti claro não marcado sobre Ronaldo.

Com o término da temporada europeia, Djorkaeff se juntou à seleção francesa para a disputa da Copa do Mundo em casa. Em jornada fantástica de Zidane, os Bleus ganharam o título, com o interista exercendo papel de titular durante toda a campanha, mesmo como coadjuvante. Djorkaeff marcou uma vez no Mundial e pode sentir o gosto da maior conquista de sua carreira aos 30 anos.

No ano seguinte, a Inter fez campanha ruim e terminou na metade da tabela no campeonato italiano. Ao final da temporada, o meia francês deixou os nerazzurri e foi para a Alemanha defender o Kaiserslautern. Nos três anos que passou em Milão como um dos xodós da torcida, além do título da Copa Uefa, foram 127 jogos e 39 gols vestindo a camisa interista.

Jogando na Alemanha, ele seguiu sendo lembrado nas convocações da seleção francesa e ganhou os títulos da Eurocopa de 2000 e da Copa das Confederações de 2001. Além disso, participou da decepcionante campanha no Mundial de 2002, quando os franceses foram eliminados na primeira fase, sem marcar gols. Depois do péssimo resultado com a seleção, Djorkaeff se transferiu para o Bolton, clube em que ficou duas temporadas. Depois jogou apenas três partidas no Blackburn e por fim, em 2005, assinou contrato de um ano com o New York Metrostars, que depois se tornou NY Red Bulls.

Djorkaeff foi o primeiro francês a defender uma equipe da MLS e teve certo destaque, pois em 2005 conseguiu dez gols e sete assistências, antes de confirmar a aposentadoria no fim de outubro de 2006. Depois de encerrar a carreira futebolística, Djorkaeff confirmou sua paixão pelo rap ao lançar o single Vivre dans Ta Lumière, que teve algum sucesso nas rádios europeias.

Youri Djorkaeff
Nascimento: 9 de março de 1968, em Lyon, França
Posição: Meia-atacante
Clubes como jogador: Grenoble (1984-89), Strasbourg (1989-90), Monaco (1990-95), Paris Saint-Germain (1995-96), Inter (1996-99), Kaiserslautern (1999-02), Bolton (2002-04), Blackburn (2004) e New York Red Bulls (2005-06)
Títulos: Copa da França (1991), Recopa Europeia (1995-96), Copa Uefa (1997-98), Copa do Mundo (1998), Eurocopa (2000) e Copa das Confederações (2001)
Seleção francesa: 82 partidas e 28 gols

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