Liga dos Campeões

Onde fica a porta dos fundos?

Costume da Inter na Liga dos Campeões foi recolher bolas no fundo da rede: foram 21 gols sofridos e o “prêmio” de pior defesa do torneio (Getty Images)

O roteiro já estava escrito e necessitava apenas de uma revisão para cortar excessos e acrescentar uma ou outra linha. Apagar tudo o que havia escrito e começar uma nova história, ainda que baseada na antiga, dependeria da Inter. Porém, a vontade e a confiança de virar o resultado negativo da semana passada parece ter ficado apenas no discurso. A boa organização defensiva do Schalke 04 logo calou o pequeno ímpeto interista, demonstrado só em alguns momentos da primeira etapa. No final, a vitória por 2 a 1 da equipe alemã foi mais que merecida.

Claramente cansado, o time de Leonardo quase não testou Neuer. A única vez que o goleiro teve trabalho foi em um chute forte de Stankovic, ainda no primeiro tempo. No mais, teve apenas de subir para defender os muitos cruzamentos da Inter, que não conseguia verticalizar seu jogo, tanto pelo bom entrosamento de Metzelder e Höwedes quanto pela partida apagadíssima de Sneijder, que chegou a ser substituído no fim do segundo tempo por Leonardo.

Leonardo, por sua vez, voltou a ter responsabilidade pelo resultado. Depois de, no último sábado, acenar com a volta de Cambiasso ao vértice baixo do meio-campo nerazzurro, o técnico brasileiro barrou o argentino e preferiu que Thiago Motta exercesse a função, por passar melhor a bola, uma escolha incompreensível. O resultado? Com ou sem Stankovic em campo (o sérvio foi substituído no intervalo para a entrada de um nulo Pandev), Motta não apoiou o ataque e esteve mal posicionado no lance dos dois gols dos azuis-reais.

O posicionamento da defesa continua sem correção. Sempre em linha, a defesa da Inter sofreu com Raúl, que se infiltrou por ela no primeiro gol sem a companhia de Lucio para marcar seu 71º gol na Liga dos Campeões e também deu um belo passe para Höwedes marcar o segundo, pegando a defesa da Inter desprevenida, como tem sido praxe. Com os gols da noite de hoje, a Beneamata chegou aos 21 sofridos – 10 sob o comando de Leonardo – e fechou a participação na LC com a pior defesa do torneio. Com José Mourinho, o retrospecto era diametralmente oposto: apenas nove gols sofridos em treze partidas fizeram a Inter vencer a Champions com a melhor defesa do torneio.

Em uma noite em que a Inter parece ter chegado ao seu limite físico e psicológico, deixando a LC pela porta dos fundos, depois do título da última temporada, o objetivo mais realista da temporada passa a ser, ao menos momentaneamente, a Coppa Italia, enquanto torce que um tropeço do Milan a devolva de vez à corrida pelo título.

Hoje, a Inter tem apenas dois motivos para se consolar: o primeiro é que, depois das semifinais da Coppa Italia, o time jogará apenas uma vez por semana e os jogadores poderão se recuperar com mais eficiência. O outro aspecto é que, mais uma vez o melhor em campo pela equipe voltou a ser Nagatomo, talvez por estar com melhor condicionamento físico. O japonês fez a segunda partida consecutiva em substituição a Chivu e em ambas foi melhor do que o titular, fechando bem os espaços pelo lado esquerdo. Mais um dado que Leonardo deve anotar, na tentativa de diminuir os espaços de sua defesa, ainda que na reta final da temporada, quando já pode ser tarde demais.

Notas
Júlio César, 5,5 – nada pode fazer para evitar o resultado e não precisou fazer nenhuma grande defesa.
Maicon, 5,5 – participou muito das jogadas de ataque da Inter, mas não conseguiu criar grandes chances.
Lúcio, 5 – falhou ao não acompanhar Raúl no primeiro gol e acabou apenas se esforçando no resto do jogo para se achar, no posicionamento tático confuso do time de Leonardo.
Ranocchia, 5,5 – não teve o menor trabalho com Edu e não teve o que fazer nos dois gols.
Nagatomo 6,5 – deu mais opções de ataque, foi bem na cobertura e abusou da velocidade . Pode ganhar a titularidade.
Zanetti, 5,5 – bem no apoio a Maicon no lado direito.
Thiago Motta, 5 – não impediu que o meio-campo do Schalke 04 criasse e perdeu de novo os confrontos contra Jurado e Papadopoulos.
Stankovic, 6 – fez mais que Sneijder no primeiro tempo e acabou sacrificado para dar lugar a Pandev.
Sneijder, 4 – fantasma em campo, errou demais e esteve pouco criativo (Coutinho, 35′ st – sem nota).
Pandev (1′ st), 4 – alguém percebeu que ele estava em campo?
Milito, 5,5 – bem marcado pela defesa do Schalke, não recebeu nenhuma bola boa, mas se movimentou bem.
Eto’o, 5 – esgotado fisicamente, apenas tentou jogadas sem muita lucidez. Não marca gols há um mês.
Leonardo, 4 – errou ao deixar Cambiasso no banco, fazendo o time perder equilíbrio no meio-campo. Continua sem acertar a defesa e esteve pouco reativo no banco de reservas.

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