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Sebastiano Rossi acumulou títulos e recordes na meta do Milan

Rossi defendeu seis clubes e nunca deixou a Itália nos 24 anos em que passou dentro de campo. Durante a carreira, o goleiro foi ídolo no Cesena, de sua cidade natal, e também no Milan, onde ganhou todos os seus 12 títulos de sua trajetória futebolística. A principal característica do Ascensore umano – elevador humano, em português -, era o bom uso da sua altura: 1,98 m.

A estatura lhe trouxe uma questão fundamental muito cedo: jogar futebol ou basquete? Rossi treinava as duas modalidades, mas aos 15 anos decidiu ficar apenas com o esporte bretão e ingressou nos juvenis do Cesena. Nos cavalos marinhos, o goleiro fez toda a sua carreira juvenil e, em 1982, foi emprestado ao Forlì, da região de sua cidade natal. Nos galletti, o Ascensore umano fez sua estreia profissional e, pela Serie C1, jogou 11 vezes.

Na volta ao Cesena, ainda jovem, não teve espaço e logo foi emprestado mais uma vez. O Empoli era o destino, porém também não conseguiu jogar pelos azzurri. A Rondinella quis, mais uma vez, o empréstimo do goleiro e, em Florença, Rossi assumiu a titularidade e ganhou confiança para voltar como titular à sua Cesena. De volta aos cavalos marinhos, ajudou no acesso à Serie A e passou três temporadas na divisão de elite do futebol italiano com o time de sua cidade.

Em 1990, todavia, o goleiro não conseguiu resistir ao interesse do Milan, que vinha de dois títulos europeus consecutivos. Em Milão, Rossi se juntou ao time dos “invencíveis”, conhecido pela sólida defesa – Tassotti, Baresi, Costacurta e Maldini – e por ter o trio holandês a partir do meio-campo, composto por Rijkaard, Gullit e van Basten. Sebastiano Rossi chegou ganhando o Mundial e a Supercopa da Uefa, mas o titular à época era Andrea Pazzagli.

Contudo, Pazzagli se transferiu ao Bologna e deu espaço para a concorrência entre Francesco Antonioli e Sebastiano Rossi. Durante a temporada, a vaga entre os 11 iniciais ficou com o Ascensore umano. A parti daí, título atrás de título. O primeiro como titular foi o seu segundo scudetto. No ano seguinte veio o bicampeonato e, desta vez, a defesa composta por Rossi, Tassotti, Baresi, Costacurta e Maldini foi a menos vazada da Serie A. Rossi participou também da série de 58 jogos de invecibilidade do Milan de Capello, entre 1990 e 1992.

No final da temporada, o goleiro venceu a sua segunda Supercoppa pelo Diavolo, mas perdeu a disputa do Mundial. O Marseille, que havia sido o campeão da Liga dos Campeões em 1992-93, foi suspenso, dando espaço para que o vice-campeão Milan representasse a Europa no torneio. No entanto, os rossoneri acabaram derrotados pelo São Paulo de Leonardo e Telê Santana.

A temporada 1993-94 foi memorável: primeiro, mais um scudetto e, novamente, a melhor defesa do campeonato, sofrendo apenas 15 gols. Nesta temporada, o goleiro bateu o honorável recorde de Dino Zoff: mais tempo sem sofrer gols – 929 minutos -, entre 12 de dezembro de 1993 e 27 de fevereiro de 1994, entre a 16ª e a 26ª rodada. O Milan chegou a mais uma conquista continental, em 1993-94, em que os defensores também se destacaram e Rossi só foi vazado por duas vezes nas 13 partidas da LC. Na final, contra o Barcelona, o Milan venceu por 4 a 0 e resistiu sem levar gols a um ataque fortíssimo, com Romário e Stoichkov. Antes do Mundial no Japão, os rossoneri venceram mais uma Supercoppa e a Supercopa da Uefa. Porém, na sua segunda disputa intercontinental como titular, Rossi amargou mais uma vez um vice-campeonato – dessa vez, para o Vélez.

Mesmo como dono absoluto da baliza rossonera, o goleiro não teve chance na Nazionale. O problema era exatamente a sua forte defesa, pois com ela, muitas vezes, Rossi não era testado e, por isso, nunca pode entrar em campo vestindo a camisa azzurra. O milanista foi convocado apenas duas vezes, ambas em 1994, sob o comando de Arrigo Sacchi. Ele, porém, não jogou e tampouco teve alguma sequência em azzurro, já que Pagliuca era titular absoluto, tampouco ofuscado por Marchegiani, seu reserva.

O Ascensore Umano ainda venceu mais uma Serie A como titular. Em 1995-96, Rossi jogou todas as partidas e sofreu apenas 24 gols – novamente liderando a defesa menos vazada do campeonato. Aos poucos, o goleiro foi perdendo espaço para Taibi e Lehmann quando, por fim, viu Abbiati ser o titular de sua última conquista pelo Milan: a Serie A 1998-99. A partir de então, Rossi continuou no Milan, como segundo e terceiro goleiro, até deixar o clube em 2002.

Além das defesas, Rossi ficou marcado nos rossoneri por um lance de extrema infelicidade. Contra o Perugia, em 1998-99, Nakata marcou, de pênalti um gol. Porém, o goleiro milanista reclamou da invasão da área e, não satisfeito, avançou, agredindo Bucchi. O lance lhe rendeu a expulsão e cinco jogos de gancho. O curioso é que Rossi terminaria a carreira justamente no Perugia, em 2003, aos 39 anos.

Com o final de sua trajetória futebolística, o ex-goleiro voltou a ser manchete recentemente, quando agrediu um policial à paisana, em um bar de Cesena. Rossi foi preso, mas já voltou à liberdade, ainda que deverá ser julgado nos próximos meses. Antes de se envolver na polêmica, ele estava trabalhando no Milan, como treinador de goleiros da equipe Primavera.

Sebastiano Rossi
Nascimento: 20 de julho de 1964, em Cesena, Itália
Posição: Goleiro
Clubes: Cesena (1979-82, 1983-84 e 1986-90), Forlì (1982-83), Empoli (1984-85), Rondinella (1985-86), Milan (1990-2002) e Perugia (2002-03)
Títulos: 5 Serie A (1991-92, 1992-93, 1993-94, 1995-96 e 1998-99), 3 Supercopas Italianas (1992, 1993 e 1994), Mundial de Clubes (1990), 2 Supercopa da Uefa (1990 e 1994) e Liga dos Campeões (1993-94)

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