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O artilheiro Jürgen Klinsmann foi adorado pela torcida da Inter

Jürgen Klinsmann deu seus primeiros passos rumo ao sucesso no futebol em Göppingen e, desde cedo, mostrava a afinidade com as redes que o faria brilhar na Inter. A facilidade de marcar gols ficou clara já aos nove anos, quando defendia o TB Gingen e marcou 106 vezes em uma temporada – 16 deles na mesma partida. Logo Klinsmann se mudou com seus pais para Stuttgart, onde dividia seu tempo como jogador de futebol nas catoegiras de base com o ofício de aprendiz de padeiro na padaria da família. Nos quatro anos em que defendeu o SC Geislingen, foram mais de 250 gols, que o levaram à seleção sub-16 da Alemanha Ocidental. Os números impressionantes o levaram para Stuttgarter Kickers e, dois anos depois, aos 16, ele assinou seu primeiro contrato profissional com a equipe.

Aos 18 anos, Klinsmann já era titular da equipe, na segunda divisão alemã. Na temporada 1983-84 foram 19 gols marcados, que o levaram ao Stuttgart, principal time da cidade. O jovem Klinsi impressionava por aliar a boa técnica com a raça e também por fazer gols de todas as formas. Além disso, era muito eficiente no cabeceio e também muito rápido: conseguia correr 100 metros em apenas 11 segundos.

Na primeira divisão alemã, Klinsmann seguiu marcando gols e, logo na primeira temporada, fez 15, sagrando-se vice-artilheiro da equipe. A temporada 1987-88 colocou o atacante de vez sob os holofotes, pois ele terminou a Bundesliga como artilheiro, com 19 gols. Assim, fez seu debute pela seleção alemã e foi eleito o melhor jogador alemão do ano. Para completar a ótima temporada, Klinsmann foi o melhor marcador da seleção alemã, que conquistou o bronze olímpico em Seul.

Antes de deixar a Alemanha, o atacante ajudou o Stuttgart a chegar à final da Copa Uefa, mas a equipe perdeu para o Napoli de Maradona, Alemão e Careca e ficou com o vice. Na temporada seguinte, o alemão reencontrou os azzurri, pois acertou com a Inter, treinada por Giovanni Trapattoni. Nos nerazzurri, que tinham acabado se vencerem a Serie A, Klinsmann encontrou Lothar Matthäus e Andreas Brehme, seus companheiros na seleção alemã, e logo ganhou seu primeiro troféu na carreira, mesmo sem entrar em campo: a Inter conquistou a Supercoppa italiana, batendo a Sampdoria. Em sua primeira Serie A, o alemão marcou 13 vezes e foi o artilheiro nerazzurro, mas a Inter não passou do terceiro posto, que garantia vaga na Copa Uefa de 1990-91. Mesmo assim, Klinsmann já era ídolo da torcida, pela sua grande forma e por rapidamente ter aprendido a falar italiano.

O “Anjo loiro” entra em campo pela Inter contra o Stuttgart, clube em que se destacou (Goal.com)

Ao final da temporada, Klinsmann ficou na Itália durante as suas férias, mas por um bom motivo: a Copa do Mundo. O atacante interista marcou três gols e foi titular, ao lado de Rudi Völler, da Alemanha que se sagraria campeã do mundo pouco após a reunificação que veio com o fim da Guerra Fria. Klinsmann teve participação fundamental, ao jogar grande partida na revanche alemã contra a Holanda, nas oitavas de final, quando foi único atacante após a expulsão de Völler – que se desentendu com Frank Rijkaard – e mesmo assim marcou um gol e conseguiu ser a referência ofensiva do time – o outro gol da vitória por 2 a 1 foi de Brehme. Na final contra a Argentina, sofreu a falta que deixou os portenhos com dez em campo, e, novamente, Brehme foi fundamental ao fazer o gol do título.

Na volta à Inter, a dupla continuou tendo sucesso e a Inter conquistou a Copa Uefa 1990-91. Klinsmann, que havia marcado três vezes durante a campanha, jogou as duas partidas finais contra a Roma, não brilhou, mas viu seu compatriota Matthäus decidir e reafirmar a importância alemã naquele time. Na Serie A, nova terceira colocação, com 14 gols do atacante alemão, que marcou dois a menos que Matthäus, mas ficou entre os melhores marcadores da temporada.

O almoço do campeão tedesco (Interleaning)

A temporada 1991-92 foi a pior para Klinsmann, que havia renovado contrato até 1994, e para a Inter, que já não contava mais com o comando de Trapattoni. O alemão marcou viveu grande jejum ao longo do primeiro turno e marcou o primeiro apenas em 1º de dezembro, em dérbi contra o Milan que acabou empatado em 1 a 1. Depois disso, Klinsmann até melhorou, mas marcou apenas mais seis vezes no campeonato e a Beneamata ficou com a oitava colocação. O atacante deixou a Itália, com 123 partidas e 40 gols de quase todas as formas em nerazzurro (veja todos aqui), comemorando sempre de maneira explosiva.

Ele acabou se transferindo para o Monaco e passou duas temporadas na França, onde voltou a marcar muitos gols, recuperando a posição de titular perdida para o laziale Karl-Heinz Riedle, com a má fase vivida na última temporada em Milão. Após a boa passagem pela França, em que ajudou o Monaco a chegar às semifinais da Liga dos Campeões, Klinsi disputou o Mundial de 1994, quando marcou cinco vezes – incluindo um golaço contra a Coreia do Sul – e mesmo com a queda alemã nas quartas, ante a Bulgária, foi eleito o jogador alemão do ano mais uma vez.

Depois da Copa, o alemão foi para o Tottenham e logo recebeu críticas de jornalistas, que o acusavam de ser cai-cai. Em sua estreia, na vitória por 4 a 3 sobre o Sheffield Wednesday, marcou e comemorou com um irônico mergulho. Com humor e grandes prestações, o alemão alcançou o sucesso no clube londrino. Foram 21 gols na Premier League e 30 no total, que levaram os jornalistas a o elegerem o melhor jogador do campeonato. Fora de campo, Klinsi deu ainda mais certo: vendeu mais de 150 mil camisas. O grande desempenho levou Klinsmann de volta para a Alemanha, ao Bayern de Munique.

Klinsmann liderou os bávaros em gols nas duas temporadas em que ficou por lá e venceu mais dois títulos. Primeiro a sua segunda Copa da Uefa, quando alcançou a artilharia e o recorde de gols em uma edição da competição, com 15 – número batido na última temporada por Falcão García, do Porto. O segundo foi a Bundesliga de 1996-97, novamente sob o comando de Trapattoni, quando também marcou 15 vezes.

Pela Nationalelf, Klinsmann foi capitão e artilheiro da seleção, com três gols, na Eurocopa de 1996, disputada na Inglaterra, e sagrou-se campeão do torneio depois do vice em 1992. É um dos quatro jogadores a ter marcado em três edições cosnecutivas do torneio. Após a Copa de 1998, quando voltou a anotar três gols, sendo, ao lado de Ronaldo, os únicos jogadores a marcarem mais de três em três edições consecutivas do Mundial. Com isso, atingiu 11 em Copas, apenas dois a menos que Gerd Müller, e aposentou-se da seleção, com um total de 108 partidas disputadas e 47 gols marcados.

Antes da Copa do Mundo, Klinsmann teve ainda uma passagem inócua pela Sampdoria, em 1997, mas jogou apenas oito vezes e marcou dois gols pelos blucerchiati, que o emprestaram para o Tottenham. No retorno aos Spurs, ajudou o clube a escapar do rebaixamento e, após a Copa do Mundo de 1998, abandonou o futebol e se mudou para os Estados Unidos, onde viveria com sua esposa, a modelo Diana Chin. Em 2003, Klinsmann ainda voltou a jogar por um curto período no Orange Country Blue Star, clube semi-profissional norte-americano.

Rara comemoração de Klinsi com a camisa doriana (Italy Soccer)

Um ano depois de pendurar definitivamente as chuteiras, Klinsmann retornou à Alemanha para assumir o comando da seleção, e recebeu muitas críticas, que só acabaram com o bom desempenho na Copa de 2006, quando a anfitiriã ficou com o terceiro posto. Após dois anos sem treinar, assumiu o Bayern em 2008, e mesmo fazendo bom trabalho, foi demitido por diferenças com a direção. Em 2010, Klinsi passou a atuar como comentarista dos canais ESPN e do alemão, RTL, onde participou da cobertura da última Copa. Nesta sexta (29), o ex-atacante assumiu o comando da seleção norte-americana e tem a chance para retomar a sua trajetória como técnico.

Jürgen Klinsmann
Nascimento: 30 de julho de 1964, em Goppingen, Alemanha
Posição: atacante
Clubes como jogador: TB Gingen (1973-74), SC Geislingen (1974-78, Stuttgarter Kickers (1978-84), Stuttgart (1984-89), Inter (1989-1992), Monaco (1992-94), Tottenham (1994-95 e 1997-98), Bayern de Munique (1995-97), Sampdoria (1997) e Orange County Blue Star (2003)
Carreira como técnico: Seleção alemã (2004-06), Bayern de Munique (2008-09) e Seleção norte-americana (2011)
Títulos: Supercoppa Italiana (1989), 2 Copa Uefa (1990-91 e 1995-96), Bundesliga (1996-97), Copa do Mundo (1990) e Eurocopa (1996)
Seleção alemã: 108 partidas e 47 gols

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