Liga dos Campeões

O destino e suas ironias

Walcott corre para comemorar seu gol no Friuli: após marcar nas duas partidas, o atacante foi o grande carrasco da Udinese (Getty Images)Um final triste e agonizante para o sonho da Udinese. A torcida fez sua parte e compareceu em peso ao Friuli, fazendo muita festa antes e durante a partida. O Arsenal faria seu primeiro jogo após as vendas de Fàbregas e Nasri pressionado por imprensa e torcedores. A Udinese queria transformar o sonho de chegar longe na Europa em realidade. Mas quis o destino que logo Antonio Di Natale, maior ídolo recente dos friulanos, fosse do céu ao inferno e ajudasse a decretar a eliminação dos bianconeri, derrotados em casa pelos Gunners por 2 a 1. A partida começou com uma tônica diferente da que se imaginava. Sem prezar o resultado feito em Londres, o Arsenal partiu para o ataque e tentou logo de cara definir o jogo. Abdicando da defesa, os ingleses pressionaram e foram melhores nos primeiros minutos, sendo abafados apenas pela iniciativa friulana de partir para cima e também expor seus defensores. Com isso, a partida se tornou totalmente aberta e ótima para os apreciadores do futebol ofensivo. Sinal dessa forma de jogar é que com menos de dez minutos, os visitantes já haviam atacado com perigo em duas oportunidades e Di Natale já tinha tido um gol (bem) anulado. Com ritmo muito forte, o duelo começou a pender mais para os friulanos, que dominavam as ações investindo principalmente em jogadas pelos lados do campo. E foi em uma delas que Di Natale cruzou e Armero subiu mal dentro da pequena área, desperdiçando ótima chance para os donos da casa. Na sequência, mais uma jogada pela lateral e, depois de bom cruzamento de Badu, o capitão friulano acertou a trave, acendendo de vez a torcida presente no Friuli. E se a Udinese pressionava, o Arsenal aproveitava os contra-ataques para dar sustos nos italianos. Em um deles, aos 32 minutos, Gervinho fez ótima jogada e colocou a bola na área. Walcott, autor do gol londrino no primeiro jogo, dominou e bateu, forçando duas ótimas defesas consecutivas de Handonovic. Na sequência, mais velocidade dos friulanos e Pinzi levantou na área para Di Natale subir e cabecear com força para as redes, explodindo o Friuli e se colocando no céu. Após o gol, os friulanos pressionaram muito nos últimos minutos da primeira etapa, acuando o Arsenal, que só fazia se defender. A tática, porém, não surtiu efeito e as equipes foram para os vestiários com um 1 a 0 no placar que levaria o duelo à prorrogação. A torcida, porém, cantava e festejava pelos ótimos 45 minutos que os bianconeri fizeram. O segundo tempo, porém, começaria com uma mudança crucial no Arsenal: o volante Frimpong foi sacado e deu lugar ao mais ofensivo Rosicky. A partir daí, os visitantes começaram a ganhar o meio-campo e reverteram o domínio visto na primeira etapa. Aos nove minutos, Gervinho mais uma vez desceu muito bem e cruzou para Van Persie, suspenso no primeiro duelo, marcar e silenciar o Friuli. O baque do gol sofrido atordoou os donos da casa, mas a Udinese voltou a ter a posse de bola e logo se reestruturou com pênalti assinalado após a bola bater na mão de Vermaelen. O que seria o retorno da Udinese ao jogo, porém, acabou surtindo efeito contrário. Di Natale bateu e o goleiro Szczesny fez defesa espetacular, jogando um balde de água fria na reação friulana. A perda da penalidade, além de murchar o clube italiano, fez com que os friulani jogassem no tudo ao nada, partido para o ataque. De forma desorganizada e atordoada, os bianconeri davam brechas para o Arsenal contra-atacar e mal assustavam o goleiro adversário. O resultado de tanta abertura foi um gol que sepultou de vez as ambições da Udinese. Em rápido contra-ataque, Walcott invadiu a área, chutou sem chances para Handanovic e fez os friulani acordarem de seu sonho com um banho de água muito fria. Sem mais reações, coube aos donos da casa esperar o árbitro apitar e lamentar. O sonho da Udinese de avançar na Europa cresceu nos pés de Di Natale e, por ironia do destino, morreu com o capitão.

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