Liga dos Campeões

O sonho continua vivo

A vitória foi lucro para o Arsenal diante da superioridade da Udinese; a boa partida em Londres mantém o sonho friulano vivo (Getty Images)

Quando foi questionado sobre as partidas contra o Arsenal pelos play-offs da Liga dos Campeões, Antonio Di Natale não titubeou: “São os jogos da minha vida”. E o capitão friulano realmente jogou com toda sua capacidade nesta tarde, quando a Udinese visitou os londrinos e foi injustamente derrotada por 1 a 0. Melhor em campo, o time italiano sofreu com a falta de entrosamento de sua defesa no começo do jogo e, ao longo do duelo, perdeu inúmeras chances. Mira agora a partida de volta, na qual precisa vencer para avanças à tão sonhada fase de grupos – sonho este que, apesar do revés, está muito vivo. Não foi preciso muito tempo para que a proposta de jogo inglesa ficasse bastante clara. Logo na primeira subida pelo lado direito – jogada característica dos Gunners na partida – a abertura do placar. Aproveitando a falta de entrosamento do lado esquerdo da defesa friulana, o Arsenal subiu bem com Ramsey, que, com belo cruzamento, deixou Walcott na cara do gol para inaugurar o marcador. Um banho de água fria em uma Udinese que nem tempo para mostrar sua proposta de jogo havia tido. O ataque letal londrino e a falta de comunicação entre Armero, Danilo e Neuton acabou sendo crucial para a construção do panorama da partida. E os donos da casa seguiram aproveitando excessivamente o lado direito de seu ataque para explorar a fragilidade da defesa italiana naquele flanco. Mas a Udinese não se encolheu e, como propôs Guidoloni, não se amedrontou com o tamanho do adversário. Passou a apostar na velocidade dos contra-ataques e, deste modo, teve duas ótimas chances de empate ainda antes dos 30 minutos. Primeiro em uma bola no travessão após falta cobrada por Di Natale; depois, com Armero roubando bola no meio-campo e desperdiçando sozinho a oportunidade ao chutar em cima do arqueiro Szczesny. Com uma marcação mal feita pelos dois times, a partida acabou sendo marcada pelas diversas investidas ofensivas ao longo da primeira etapa. Se atacavam com qualidade, dando suporte para Di Natale, os volantes Badu e Asamoah permitiam as subidas dos rivais sem oferecer muita resistência, defeito notado também na forma de marcação dos ingleses. Badu, na verdade, pareceu muito sobrecarregado na função. Pressionando o time da casa, os friulanos tentavam de todas as maneiras atacar o gol adversário, mas em nenhuma obtiveram sucesso. A derrota ao final do primeiro tempo, por mais que o Arsenal não estivesse mal, era injusta para uma Udinese que se postou bem em campo e pressionou o rival mesmo jogando fora de casa. O panorama se manteve no início do segundo tempo. Enquanto o Arsenal se perdia na organização de seu meio-campo, os friulanos aproveitavam e criavam boas oportunidades na base da pressão seguida de contra-ataques muito velozes. Com 15 minutos, Isla desperdiçou ótima chance em chute cruzado para fora após mais uma boa jogada de Di Natale. Pouco depois, a Udinese atacou pelo outro lado, com Armero chegando muito perto de empatar após belo chute de fora da área. Com uma marcação consistente no meio e ataques velozes pelas duas pontas, os italianos dominaram completamente a primeira metade do segundo tempo. E se na primeira etapa o grande nome friulano foi Di Natale, Armero cresceu muito nos 45 minutos finais e se tornou o melhor homem em campo, levando perigo ao gol inglês principalmente em chutes de longa distância. E se não marcou até o final da partida, fosse parando em ótimas defesas como a que Szczesny fez em cobrança de falta de Di Natale ou em chutes para fora, a Udinese consegiu vibrar em ótima defesa da Handanovic, que impediu de maneira espetacular que o Arsenal ampliasse a vantagem com Walcott já nos descontos. Se perdeu fora de casa, os friulanos devem lamentar muito mais as (muitas) chances perdidas do que o placar em si. A Udinese pode, é claro, sentir falta do gol que faltou no jogo de volta, quando o Arsenal provavelmente terá a volta de alguns titulares. Mas se atuar com a mesma vontade e disposição tática do confronto de Londres, os biaconeri têm muitas chances de avançar para a fase de grupos. Basta que todos façam como fez Di Natale hoje: joguem os jogos de suas vidas.

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