Serie A

Voltando a voar

Contratação de Cissé é um dos fatores que motivam a Lazio (GloboEsporte)

Um fato: o futebol romano está longe de seu ápice. Aqueles anos em que Nesta, Nedved, Stankovic; Samuel, Cafu e Batistuta defenderam equipes da capital, dentre vários outros nomes de qualidade, foram marcantes para o fã da Serie A. No fim do século passado e no início deste, mais do que os dois scudettos seguidos (2000, Lazio; 2001, Roma), os dois clubes conseguiram impor um respeito impensável para os padrões atuais. Seguiram-se, por motivos não tão distintos, anos de queda e limitação financeira.

A partir de 2005, sob o comando de Luciano Spalletti, a Roma esboçou uma ressurreição, freada, dentre vários fatores, pela sequência implacável da Internazionale; por desgaste interno; pela indisposição de fundos para investimento e até pela derrota humilhante de 7 a 1 contra o Manchester United, na Liga dos Campeões, em 2007. A Lazio, levemente penalizada no escândalo do Calciocaos, largou atrás e passou alguns anos assumindo papeis coadjuvantes na divisão máxima. Hoje, nota-se que a ambição é maior.

Mesmo quando pegou a terceira posição da Serie A, em 2007-08, a Lazio não exalava a confiança do momento atual. Primeira entre os times quilometricamente afastados de Inter e Roma, os laziali foram à Liga dos Campeões e caíram na primeira fase, ano seguinte. Já em 2009, um título: a Coppa Italia veio, taça que não parava com os celestes desde 2004. Seguiu-se a época 2009-10 sem brilho, cujo apogeu esteve na vitória sobre a Inter, na Supercoppa.

Por fim, a temporada passada levantou a moral laziale. Houve um período na liderança, e um jogador capaz de tomar conta do time. Por mais que Mauri já tenha passado por ao menos uma grande fase depois de deixar a Udinese, e por mais que Rocchi seja um atacante bastante completo, foi o encaixe rápido e natural de Hernanes que elevou o nível do plantel. Participativo no ataque e na defesa, organizador e artilheiro, o ex-atleta do São Paulo conquistou os torcedores de imediato, e já faz a Lazio pensá-lo como cérebro da equipe.

Em meio à atual fase de transição da Roma – em processo amplo de renovação sob seus novos donos -, dois jogadores da Lazio aproveitaram para demonstrar confiança: Mauri e Brocchi levantaram voz em favor do clube, afirmando estarem numa equipe superior à rival. O mercado trouxe ao menos duas razões para ânimo: Klose e Cissé, se não são grandes craques, ao menos devem ajudar. A negociação de Lichtsteiner será sentida, mas não fará o torcedor laziale perder o sono, ainda mais com as chegadas de Lulic, Konko e Marchetti. Com o bósnio, o time deve voltar a ter um lado esquerdo forte, como tinha quando por lá jogava Kolarov.

Além das próprias participações, Klose e Cissé contribuirão para uma rotatividade mais qualitativa do elenco. Nos últimos anos, a Lazio esteve abarrotada de jogadores sem muitas virtudes, isto é, grande quantidade e baixa qualidade. O alemão vem de duas temporadas fracas, é verdade, mas não se tem dúvidas quanto ao seu faro de gols. Para quem há três anos precisava pensar em Igli Tare ou Simone Inzaghi para substituir os titulares, ter Rocchi, Klose, Cissé ou Zárate no banco parece ótimo.

Mauro Zárate é um capítulo à parte: depois de uma ótima temporada de estreia, o argentino sumiu. Ofuscado pelas próprias tentativas de querer resolver tudo sozinho, caiu, e muito, de rendimento. Questionado até pelo ídolo laziale Paolo Di Canio, não se sabe mais o que esperar de seu futebol. Aí surge outro ponto favorável nas contratações de Klose e Cissé: com menos pressão e urgência de resultados sobre si, é mais provável que ele volte a trabalhar com tranquilidade em busca das atuações de 2009.

Embora Rocchi e os dois atacantes recém-chegados já tenham mais de trinta anos, não é nada fantasioso pensar que esta pode ser a temporada de levantamento definitivo da Lazio. O que não significa necessariamente ganhar a Serie A ou a Liga Europa – isso talvez seja muito, e sim se restabelecer como uma das fortes equipes italianas. Desde que Claudio Lotito assumiu o clube, em 2004, o atual momento é o que mais dá esperanças para crer nisso.

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