Liga dos Campeões

Um mundo rosa chamado Champions

Todos abraçam o Pazzo: na Liga dos Campeões, Inter joga com a tranquilidade que precisa para melhorar no campeonato italiano, onde vai mal (Getty Images)

Quem acompanha a Inter nos últimos anos pode se perguntar porque a equipe virou o fio completamente. Jogando muito mal na Serie A, a equipe de Claudio Ranieri vai fazendo ótima campanha na fase de grupos da Liga dos Campeões, cenário completamente oposto aos dos últimos anos, no qual a Inter costumava ter dificuldades para superar a fase de grupos da competição continental. Agora, a derrota em casa para o Trabzonspor, na primeira rodada, parece coisa do passado depois de duas vitórias conseguidas em solo estrangeiro.

Jogando contra a segunda força do grupo – em teoria, já que na prática o Lille ainda não venceu e é lanterna do grupo B -, a Inter contou com o retorno de Sneijder, que começou jogando desde o primeiro minuto, servindo de suporte a um ataque formado por Zárate e Pazzini. E foi justamente em uma jogada dos três que a Inter abriu o placar, aos 21 minutos do primeiro tempo. Sneijder fez boa tabela com Zárate, que cruzou na área para Pazzini chutar de primeira e vencer o goleiro Enyeama. Zárate, que tem uma cláusula de bônus por assistências em seu contrato, ganhou 15 mil euros pelo passe. No restante do jogo, Sneijder não apareceu tanto, mas foi sempre perigoso nas bolas que pegou e sua simples presença já fez diferença, uma vez que a Inter tinha em quem confiar para dar cadência no meio-campo.

Logo após o gol, Ranieri pediu que a Inter segurasse um pouco o jogo. Desta vez, o meio-campo concedeu pouco e, mesmo quando o Lille passou a ter três atacantes, com a entrada de Payet no lugar de Balmont, e o treinador mexeu, tirando Zárate e Sneijder e colocando Obi e Stankovic, constituindo um 4-4-1-1, a segurança não foi abalada. Na defesa, que não tinha Ranocchia e Samuel, machucados, Chivu foi deslocado para o centro da zaga e fez ótima partida. Quando nem ele nem Lúcio conseguiram evitar maiores perigos, Júlio César estava lá para resolver.

No momento, vencer, conceder poucas chances ao adversário e não sofrer gols, sobretudo frente a um goleador, como Moussa Sow, é suficiente para a Inter. A equipe passou mensagens importantes, tanto individualmente, como no caso de Júlio César, quanto setorialmente, já que defesa, meio-campo e ataque pela primeira vez na temporada se comunicaram como deveriam. O problema nerazzurro, na verdade, tem sido confirmar a reação em território italiano. No domingo, a equipe jogará em casa, contra o Chievo, e terá mais uma chance para reafirmar suas intenções.

Um Napoli que não sucumbe

Mesmo com o San Paolo lotado e a torcida empurrando o Napoli até mesmo antes de a bola rolar, não havia como tirar o rótulo de favorito à vitória do Bayern de Munique. Recheado de craques e com tradição de sobra, o time alemão chegou à Itália como maior candidato ao triunfo no duelo que valia a liderança do grupo A da Liga dos Campeões. E apesar de um início fulminante dos bávaros, o empate em 1 a 1 foi de ótimo grado para os italianos, que seguraram o ímpeto do melhor time de sua chave e ainda se mantiveram na segunda colocação, posição que garante vaga na próxima fase aos partenopei. O Napoli, assim como a Inter, vai confirmando a boa fase das equipes italianas na competição continental, pouco esperada por todos.
Toda a empolgação da torcida que mais uma vez lotou o San Paolo não foi suficiente para frear o ótimo começo do Bayern. Aproveitando falha de posicionamento dos três zagueiros do Napoli, os bávaros não precisaram nem de dois minutos para abrir o placar. Em jogada rápida de seu forte ataque, Toni Kroos apareceu como elemento surpresa e não deu chances para De Sanctis, abrindo o placar. Se o panorama pré-partida não era dos mais otimistas, ficou ainda pior com o tento marcado de maneira tão rápida. Cabia ao Napoli, então, tentar bater uma das melhores defesas da Europa e buscar pelo menos um ponto dentro de casa.
E se bater um goleiro com mais de 1000 minutos sem tomar gols era missão difícil, atacar um time com uma saída de bola veloz e um ataque fulminante também não foi tarefa das mais simples. Mas foi a solução encontrada pelos azzurri para reagir dentro da partida. E e tanto atacar, o Napoli acabou fazendo da defesa alemã sua maior inimiga. Em bela descida pela lateral, Maggio cruzou bola na área e viu o zagueiro Badstuber desviar para sua própria meta, encerrando uma sequência de nada menos do que 1140 minutos do goleiro Neuer sem sofrer sequer um gol. Festa no San Paolo e fim de um primeiro tempo bastante movimentado no sul italiano.
Na volta do segundo tempo, mais blitz alemã em busca da vitória. Melhor postado em campo, porém, o Napoli dava conta de segurar o ímpeto bávaro com boas intervenções de seu sistema defensivo, principalmente do goleiro De Sanctis. Tudo isso até ver o árbitro marcar pênalti duvidoso a favor dos visitantes. A sensação de que todo o esforço da primeira etapa só foi deixada de lado quando Mario Gomez partiu para a cobrança e viu o arqueiro napolitano se consagrar como melhor homem em campo ao defender a penalidade. Mais do que não ficar atrás no placar, os partenopei tiveram com a defesa de seu goleiro a moral necessária para manter o empate até o final do duelo.
Com a igualdade em 1 a 1 ao final da partida, os dois clubes se mantiveram nas primeiras colocações do grupo, tendo o Bayern sete pontos e o Napoli cinco. Na próxima partida, ambos voltam a se enfrentar, desta vez na Alemanha. Para os partenopei, será a prova de fogo dos limites do time nesta Liga dos Campeões. Caso passe ileso e mantenha sua invencibilidade no torneio continental, a chance de avanço à fase seguinte cresce. E o sonho que parecia distante ficará cada vez mais próximo do San Paolo. (Leonardo Sacco)

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