Liga dos Campeões

Estado de graça

Marca sempre Cavani: com um matador em estado de graça, o Napoli cresce nos grandes jogos e tem tudo para chegar às oitavas da Liga dos Campeões (Reuters)

Independentemente de esquemas táticos e adversários, o Napoli sempre conta com um jogador a mais quando enfrenta qualquer time no San Paolo. A mística do estádio o faz um dos maiores alçapões da Europa e, consequentemente, do mundo. Independentemente de marcadores e esquemas alheios, o Napoli sempre conta com um matador em alta com Cavani. Quando o estádio e o atacante resolvem funcionar juntos, dificilmente os partenopei são parados. Foi assim que a equipe de Walter Mazzarri deu um importante passo para se classificar na Liga dos Campeões ao bater o Manchester City, mostrando, mais uma vez, força nos principais jogos da temporada.

Como esperado, os milionários ingleses se postaram de maneira ofensiva mesmo jogando fora de casa. Existem aqueles que falaram em desrespeito, que os Citizens haviam esquecido que o Napoli é muito mais forte quando atua diante da sua torcida. Mas não, essa é a maneira de jogar dos comandados de Roberto Mancini e, diante dos partenopei, não seria diferente. E como no primeiro duelo entre as equipes, o jogo de ataque contra defesa foi constante, com os mandantes apostando principalmente nos contra-ataques buscando Cavani.

E foi em um escanteio obtido após ótimo chute de Inler que o atacante uruguaio abriu o placar, após cruzamento certeiro de Lavezzi. O gol de Cavani fez explodir um San Paolo que já fervia e empurrava bastante o Napoli tanto na hora de atacar quanto nas (muitas) horas de defender. Atordoado, o City piorou bastante e concedeu mais chances para os partenopei, que por sua vez não souberam aproveitá-las. Não demorou, então, para que os Citizens voltassem ao jogo, dominando em ações rápidas e com boas trocas de passes. Em uma delas, Balotelli jogou um balde de água fria na festa da torcida, empatando a partida após defesa de De Sanctis em bom chute de David Silva.

O gol sofrido só não surtiu um efeito completamente negativo para o Napoli pois pouco depois foi chegado o intervalo. Na volta dos vestiários, os jogadores azzurri foram levados ao campo com uma ensurdecedora festa da torcida. Foi a vez, então, de a torcida e Cavani formarem a dupla que sacramentaria a vitória italiana. Logo aos três minutos Lavezzi disparou e mais uma vez assistiu para o uruguaio, que bateu sem chances para Hart. Gol e mais festa no San Paolo. O Napoli, então, se fechou. Deixou de atacar com frequência, é verdade, mas ganhou o meio-campo e a partida, sobretudo com um muro chamado De Sanctis, que fez pelo menos três defesas complicadas e salvou o resultado. Assim, os napolitanos viram, então, a torcida festejar de maneira incansável e emocionante.

Embalado pelo hino da Liga dos Campeões entoado pelos fãs, os jogadores partenopei deixaram o campo com uma missão mais do que cumprida. Ultrapassaram o City na classificação e dependem apenas de si mesmos para obterem uma sonhada vaga na segunda fase. O próximo adversário, fora de casa, é o Villarreal, time que tem cinco derrotas em cinco partidas disputadas. O rival pela vaga será o City. A missão inglesa, nada fácil, consiste em secar os italianos e, mais do que isso, bater o Bayern de Munique, que sobrou nesse grupo A. (Leonardo Sacco)

Inter classificada

A viagem nerazzurra à Turquia, para enfrentar o Trabzonspor foi quase turística, apesar do frio que fazia na cidade banhada pelo Mar Negro. Quando entrou em campo ontem, a Inter já havia garantido a classificação para as oitavas de final, graças à vitória do Lille contra o CSKA, em Moscou. Faltava, ainda, garantir a primeira colocação no grupo B, que se confirmaria se a Inter não saísse de campo derrotada. E, preguiçosamente, foi o que aconteceu. O 1 a 1 em Trabzon não foi um primor, mas foi suficiente para que a Inter garantisse a liderança e, consequentemente, tenha sua vida facilitada nas oitavas, o que não vinha acontecendo.

Em campo, Ranieri optou por um 4-1-4-1, com Cambiasso à frente da defesa, Álvarez aberto pela direita e Zárate pela esquerda, com Stankovic e Zanetti pelo centro do meio-campo. Mesmo com menos volume de jogo pelo centro, devido à ausência de Sneijder, a Inter não ficou restrita a ataques pelos flancos, porque Zárate e, principalmente, Álvarez, centralizavam bastante o jogo. O ex-meia do Vélez, finalmente, tem aparecido bem após sua transferência para o futebol italiano. Depois de uma boa partida contra o Cagliari, Álvarez também jogou bem nesta quarta, fazendo um belo trabalho de cobertura e também na criação de jogadas. Foi através de uma iniciativa sua que a Inter chegou ao gol. Ele driblou um adversário, tabelou com Milito e concluiu para o gol, marcando seu primeiro com a camisa nerazzurra. Em um momento em que Sneijder está lesionado e só deve voltar em janeiro, é fundamental para a Inter que o argentino comece a aparecer e ganhar confiança.

Defensivamente, apesar de alguns apagões de Lucio, a Inter não chegou a sofrer tanto. O gol, de Altintop, saiu apenas porque um chute de fora da área desviou em Samuel e enganou Júlio César. No segundo tempo, o Trabzonspor, ainda lutando pela segunda vaga no grupo, que será definitivamente decidida em seu confronto contra o Lille, na França, pressionou bastante e acertou a trave, com Adrian, e teve algumas chances menos claras com Alanzinho e Kaplan. No segundo tempo, apostando em contra-ataques, Zárate teve duas chances para colocar a Inter novamente em vantagem, mas as desperdiçou. Menos mal que não foi necessário e que Claudio Ranieri só precisará pensar na LC a sério em fevereiro. No próximo jogo, contra o CSKA, deve dar rodagem aos mais jovens do elenco e àqueles que não tem tido oportunidades.

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