Seleção italiana

A Itália de Balotelli?

Balotelli é abraçado após seu gol: a ascensão do jogador em campo torna a Itália mais forte (Reuters)
Balotelli é daquele tipo de jogador que não se vê muitas vezes. Em um futebol no qual a imagem do bom moço é muito mais quista e bem vista, o atacante do Manchester City se destaca por seu futebol incisivo e, em muitas vezes, pelas polêmicas nas quais se mete. E desde que foi destaque no clássico de Manchester pelos gols marcados, vem chamando ainda mais a atenção do mundo. Na oportunidade, ao marcar pela primeira vez, mostrou uma camisa com os dizeres “Why always me?” (Por que sempre eu?, em português). Parecia querer uma explicação para aqueles que vem mais seu comportamente explosivo do que seu futebol diferenciado. Na partida contra a Polônia, atuando pela Itália, Super Mario deu mais um passo para ser tido por todos mais como jogador e menos como problema.
Classificada para a Euro-12, a Itália enfrentou a Polônia em seu primeiro amistoso preparatório. Com a espinha dorsal de seu time definida, Cesare Prandelli voltou a fazer testes apenas na defesa. Ao lado de Ranocchia, Chiellini e Criscito, promoveu a primeira partida de Abate pela Nazionale. Além disso, optou por um ataque mais leve, com Balotelli e Pazzini, formando pela primeira vez em sua gestão uma linha ofensiva sem Rossi ou Cassano – este último afastado por problemas de saúde. E as mudanças deram certo. Com seus atacantes flutuando entre os dois lados do campo e mudando constantemente de posição, a Squadra Azzurra confundiu a defesa polonesa e chegou facilmente às investidas na frente.
Contra uma Polônia que apostava na defesa forte e nos contra-ataques, a Itália dependia de seu apagado meio-campo para chegar ao gol adversário. Montolivo, mais uma vez como trequartista, foi figura nula e dificultou as coisas no início da partida. A situação só melhorou quando Pazzini e Balotelli passaram a atuar com mais entrosamento e, consequentemente, confiança. E foi justamente em uma jogada confiante que o atacante do City abriu o placar aos 30 minutos, acertando belo chute no ângulo de Szczesny. Na comemoração de seu primeiro gol pela Azzurra, Super Mario beijou a camisa e mostrou ter dado um passo importante para sua consolidação no plantel que Prandelli deverá levar à Euro.
Sem restrições quanto ao número de substituições, a partida acabou virando, no segundo tempo, um laboratório para o técnico italiano. Logo de cara, De Rossi e Pirlo foram sacados para as respectivas entradas de Pepe e Thiago Motta. A Itália, então, passou a atuar de forma mais incisiva, no 4-3-3. E, neste novo esquema, não tardou para que os azzurri fechassem o placar da partida. Em boa jogada de Balotelli, com participação de Pepe, Pazzini colocou para dentro aos 15 minutos da segunda etapa e selou de vez a boa partida da dupla de ataque italiana. Ao final da partida, Ranocchia cometeu pênalti desperdiçado por Blaszczykowski.
Se não teve um meio-campo tão participativo quanto nas últimas partidas, a Itália saiu de campo com dois alentos: o raro funcionamento da dupla de ataque e aquele que pode ter sido um começo para Balotelli, cada vez menos problema, cada vez mais solução. Se Super Mario colocar sua cabeça no lugar, deverá ser peça fundamental na caminhada azzurra pelo título europeu. E então passará a se perguntar por que sempre ele… que decide partidas a torto e a direito com seu futebol ofensivo e alegre. E em pouco tempo o atleta do Manchester City poderá dar à Itália algo que lhe tem faltado desde a Copa de 2006: um atleta com potencial de ataque capaz de decidir partidas. 

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