Seleção italiana

Procura-se criatividade

É bom observar bem, Prandelli: afinal, está difícil achar a criatividade italiana, não é? (Getty Images)
Foi
o jogo recente com maior grau de dificuldade para a Itália. Diante da sensação
do futebol mundial pós-Copa do Mundo, os italianos sofreram e se despediram de
2011 com uma derrota que não acontecia desde 2006. Atuando em Roma, revés por 1
a 0 para o Uruguai e, de quebra, final de uma sequência invicta em seus
domínios que durava havia cinco anos. Pior que isso, porém, foi a constatação
de que a criatividade italiana deverá ser o fator que gerará as maiores dores
de cabeça para Cesare Prandelli até a Euro-2012.
Com
Balotelli mais uma vez entre os titulares, a esperança azzurra estava toda
concentrada em mais uma boa atuação do atacante. O adversário, porém, era muito
maior do que os que haviam sido batidos – com certa dificuldade, é bom frisar –
no passado mais recente. Se não vinha atuando bem desde a maiúscula vitória
sobre a campeã mundial Espanha, a Nazionale sofreu com o poder uruguaio.
Atuando com velocidade, a Celeste não demorou para impor seu jogo e abrir o
placar: não eram marcados nem quatro minutos quando Fernandez recebeu
cruzamento e venceu Buffon, astro da noite ao entrar pela 112ª vez em campo
pela Itália, deixando pra trás ninguém menos do que a lenda Dino Zoff.
O
placar adverso, apesar de assustar, poderia ser considerado completamente
normal tendo em vista que o Uruguai vem praticando futebol vistoso e vencedor
recentemente. Poderia, mas não foi devido às ausências mais do que sentidas do
lesionado Forlán, do poupado Luis Suárez e de Loco Abreu, que preferiu não
viajar à Roma para ajudar seu Botafogo. A Celeste que vencia a Itália logo de
cara estava toda desfigurada e transformava uma eventual vitória italiana
praticamente em obrigação. Sabendo disso, Prandelli mandou seus comandados ao
ataque e iniciou um bombardeio na zaga – também desfalcada – do adversário.
Com
Osvaldo de titular do ataque – no único teste feito, em clara tentativa de
agradar a torcida local – a Itália chegava ao campo adversário com muitos
jogadores, mas pouca criatividade. Balotelli, apagado, não ajudou como na
partida anterior e, com isso, escancarou a falta de um armador na Nazionale.
Montolivo, mais uma vez atuante como trequartista, foi nulo também por mais uma
vez. O jogador da Fiorentina, que mostra a cada partida não parecer ter ombros
suficientes para carregar a armação italiana, sofreu com a boa marcação
uruguaia, demonstrando também falta de recursos na hora de se livrar da defesa.
Pior para a Squadra Azzurra, que ainda viu Muslera fazer uma série de boas
defesas em investidas italianas.
E
se já estava desfalcado, o Uruguai ainda passou os últimos dez minutos de jogo
sem Alvaro Pereira, expulso após entrada de Pepe – que, por sua vez, havia
entrado em campo na tentativa desesperada de Prandelli de atacar o adversário.
E mesmo com uma a mais, a Itália seguiu sem fazer gols e viu sua invencibilidade
em casa ruir. Resultado ruim em partida boa para que os italianos estejam
cientes de que o caminho até uma boa campanha na Euro-12 é longo e cheio de
percalços. Na competição europeia, os italianos caíram no pote 2 do sorteio, ao
lado de Alemanha, Inglaterra e Rússia. Confira abaixo todos os potes do
torneio:
Pote
1 (cabeças-de-chave):
Polônia (país-sede), Ucrânia (país-sede), Espanha e
Holanda
Pote
2:
 Itália, Alemanha, Inglaterra e Rússia
Pote
3:
Croácia, Grécia, Portugal e Suécia
Pote
4:
Dinamarca, Irlanda, França e República Tcheca

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