Liga Europa

O verdadeiro valor

Di Natale, sempre ele para salvar a Udinese (UEFA)

Não dá pra dizer o que passava na cabeça dos friulanos na noite desta quinta-feira. O duelo contra o Celtic era crucial na sobrevivência na Liga Europa, e mesmo com a motivação de ter a sua torcida empurrando o plantel, sofreu para simplesmente conseguir somar pontos diante de um atrapalhado selecionado dos hoops, que estão em visível decadência nos últimos cinco anos.

A tendência seria uma só: bola com Armero e Abdi mirando sempre um Di Natale que levaria perigo com fortes chutes. Assim foi até os 29 do primeiro tempo, quando os visitantes de kilt resolveram mostrar a que vieram. Uma vitória escocesa significaria a classificação, além de enterrar os bianconeri em sua própria inoperância. Hooper aproveitou falha de posicionamento de Ekstrand (que ficou na frente do rebote dado por Handanovic e deu passe involuntário para o atacante rival) e marcou o primeiro. Acendia-se o sinal amarelo em Udine.

Claro que antes do intervalo, alguém sempre decisivo iria aprontar das suas. Di Natale recebeu um passe aéreo de Armero e empatou a peleja. Antes do soar do gongo para o intervalo, dava a impressão de que a Udinese estava apenas a brincar em campo. Os 45 minutos finais trataram de mostrar que era bem aquilo, o desinteresse que quase custou a vaga nos 16 avos de final.

O capitão bianconero brincou de finalizar durante a etapa derradeira. Testando as capacidades do ótimo arqueiro Forster, a Udinese errou muito e ficou por um fio de levar o segundo, graças a bola na trave que resvalou nas costas de Handanovic. No fim, deu tudo certo, a simples proposta de não ser derrotada vingou.

Contudo, que sirva de alerta para o próximo estágio da competição, quando enfrentará o traiçoeiro PAOK, em fevereiro. Ou será que vão preferir se manter apenas na briga pelo scudetto? Estranhamente isso dependerá da presença ou não de Di Natale no duelo continental. Só aí saberemos.

A águia acordou?
Um dia antes, na quarta, a Lazio também garantiu sua classificação. Como se tornou um hábito nas últimas partidas (exceto contra o Novara, quando a vitória foi construída no primeiro tempo), a equipe romana mais uma vez entrou em campo sonolenta. Nem parecia que a equipe necessitava da vitória para passar de fase e estava com força quase total para garantir o feito. O único que demonstrava um pouco mais de compreensão com a situação e atitude era Cissé, embora a individualidade tenha atrapalhado um pouco. Já no Sporting, o clima dos jogadores era de tranquilidade, uma vez que a equipe entrou em campo já classificada para a próxima fase.

Apenas aos 25 minutos a Lazio teve uma chance concreta de gol. Sculli passou pelo goleiro e, sem ângulo para finalização, preferiu rolar para trás, mas Kozák chegou atrasado e foi travado na hora de chutar para o gol vazio. Um pouco antes, o mesmo Sculli fez uma jogada parecida, mas menos perigosa, e Hernanes chutou fraco. Tão fraco quanto seu desempenho na partida, muito abaixo das expectativas.

O jogo continuou em um certo marasmo até os 42 minutos. Após um escanteio mal sucedido, Lulic recolheu a sobra no lado esquerdo da grande área e cruzou com açúcar para Kozák abrir o placar. A zaga do Sporting estava tão mal posicionada que, caso a bola passasse pelo atacante tcheco, haviam outros dois jogadores em condições de estufar as redes.

No segundo tempo, o Sporting avançou um pouco mais, mas as finalizações de fora da área, sem muita direção, não assustavam Bizzarri. Para reconquistar o meio-campo, Reja colocou sangue novo na equipe: Álvaro González substituiu Cana. Pouco depois, Diakité se empolgou, arrancou até a intermediária adversária e descolou ótimo passe para Sculli, que cara-a-cara com o goleiro brasileiro Marcelo Boeck, ampliou o placar. Tento merecidíssimo para o camisa sete, que após a queda de rendimento de Cissé, era o melhor jogador em campo.

Enquanto tudo isso acontecia em Roma, na Suíça o Zürich abriu o placar diante do Vaslui, resultado que tirava um peso e tanto das costas dos jogadores azzurri, já que os romenos ficariam com a vaga em caso de vitória diante da equipe eliminada. Com os dois resultados favoráveis, além de colocar Klose no jogo, Edy Reja promoveu também a entrada de Enrico Zampa, de apenas 19 anos, na vaga de Hernanes.

Antes do apito final soar no Estádio Olímpico, a torcida laziale ainda teve tempo de comemorar o segundo gol do Zürich, que decretava de vez a passagem da equipe italiana para a próxima fase. Para continuar avançando na competição europeia, a Lazio vai precisar de um melhor futebol. O Atlético de Madrid, adversário na próxima fase, não é nenhum bicho-papão, mas ficou à frente da Udinese no grupo I. A Lazio não pode mais bobear. (Anderson Moura)

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