Serie A

Parada de inverno: Milan

Nocerino e Boateng se cumprimentam: o primeiro é agradável surpresa e o segundo é peça-chave no meio-campo do Milan, setor que tem decidido partidas para o rossonero (Getty Images)
Campanha
1ª posição. 16 jogos, 34 pontos. 10 vitórias, 4 empates, 2 derrotas. 35 gols marcados, 16 sofridos.
Maior sequência de vitórias: 5, da 7ª à 11ª rodada
Maior sequência de derrotas: –
Maior sequência de invencibilidade: 10, da 7ª à 16ª rodada
Maior sequência sem vencer: 3, da 2ª à 4ª rodada
Artilheiro: Zlatan Ibrahimovic, 11 gols
Fair play: 34 cartões amarelos, 2 vermelhos

Time-base
Abbiati; Abate, Thiago Silva, Nesta (Bonera), Antonini; Aquilani (Seedorf), van Bommel, Nocerino; Boateng (Seedorf); Ibrahimovic, Robinho.

Treinador
Massimiliano Allegri. Desde a temporada 2010-11, a fórmula é a mesma: Allegri não abre mão de um Milan que jogue no 4-3-1-2 e atue de forma bastante coletiva. Meio-campistas fazem um trabalho muito bom no meio-campo, formando um conjunto que defendia melhor no ano passado, mas que tem criado com eficiência ainda maior: o Milan tem o melhor ataque da competição com 35 gols, oito a mais que a Juventus. Bater de frente com Pato, no entanto, pode trazê-lo problemas diplomáticos muito difíceis de contornar, especialmente porque nos últimos anos, quando Silvio Berlusconi se afastou da presidência do clube para seguir sua carreira política, sua filha Barbara, namorada de Pato, representou sua voz dentro do clube. Pressionado, qualquer fracasso pode azedar ainda mais suas relações com a alta cúpula rossonera e afastá-lo do comando do time. Vencer é mais que necessário.

Destaque
Kevin-Prince Boateng. Quem diria que o “príncipe” ganês teria tanto destaque em Milanello? Hoje, o Milan joga bem quando Boateng aparece para o jogo. Trequartista no 4-3-1-2 de Allegri, ele é o termômetro de um time que tem Ibrahimovic como maior destaque individual e fazedor de gols (são 11 até agora), mas que depende muito da chegada de meio-campistas ao ataque. Desde a última temporada, Allegri prioriza bastante a participação dos meias na construção e finalização das jogadas e, realizando esta função, Boateng achou seu espaço. É por esta característica do esquema que, além dele, nomes como Seedorf, Aquilani e Nocerino tem tanta importância para a fluência de jogo do Milan. Aposentado precocemente por espontânea vontade da seleção de seu país, Boateng ainda pode se dedicar exclusivamente ao clube, uma grande vantagem para o Diavolo que, por exemplo, não vai precisar abrir mão dele em janeiro, quando ocorre a Copa Africana de Nações. No meio-campo, quem também está voando é Nocerino, maior pechincha e melhor custo-benefício de todo o mercado de verão. O ex-jogador do Palermo custou apenas 500 mil euros a Silvio Berlusconi e tem correspondido muito bem, substituindo Gattuso (afastado por um problema no olho) à altura e sendo frequentemente o melhor em campo. Além disso, é o vice-artilheiro do time, com seis gols.

Decepção
Alexandre Pato. O namorado de Barbara Berlusconi, filha do manda-chuva do clube não tem feito uma temporada que mereça elogios. Pato marcou apenas um gol no campeonato italiano e acumulou péssimas exibições, frequentemente embaralhando posições em campo com Ibrahimovic. O atacante já chegou a alfinetar Allegri publicamente, dizendo que “se ele quer que eu jogue melhor, deve me explicar como. Ancelotti fazia isso”. O mal estar entre os dois (dizem as más línguas que a relação entre jogador e técnico é conturbada) já tem levado a especulações que cogitam uma venda multimilionária ao Paris Saint-Germain, que estaria disposto a pagar quase 50 milhões de euros por ele. O Milan não pensa em vendê-lo – sorte dele que é genro do dono do clube. Além de Pato, outro que não tem correspondido às expectativas é Mexès, que demorou demais de voltar de lesão sofrida quando ainda atuava pela Roma, na última temporada, e fez jogos ruins na reta final de 2011.

Perspectiva
Título. O elenco milanista é o mais forte da Serie A e, após se recuperar de um início de campeonato ruim, o time já se igualou em número de pontos à Juventus, dividindo a liderança. O futebol ainda não é o mesmo daquele demonstrado na última temporada, mas ao menos o ataque tem funcionado bem e é, de longe, o mais produtivo do torneio. Resta, agora, melhorar o desempenho da defesa: a da Juventus tem se saído melhor e, já que as duas grandes estão empatadas em pontos, levar menos gols pode ser o fiel da balança. Além disso, dosar bem a preocupação com campeonato e Liga dos Campeões pode ser o segredo para que o Milan garanta o bicampeonato, já que a Juve não joga competições continentais e deve ter menos desgastes físicos até o fim da temporada.

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