Serie A

Revolução, ainda que tardia

Stankovic e Samuel se lamentam: fim da linha da Inter na Liga dos Campeões e talvez fim da linha deles no clube (Reuters)

Com a eliminação na Liga dos Campeões frente ao Marseille está, definitivamente, acabado um dos ciclos mais vitoriosos da Inter. A queda na competição veio de forma traumática, com dois gols nos acréscimos nas duas partidas contra o Olympique de Marseille, mas não foi a grande responsável pelo encerramento do ciclo. Foi, no entanto, seu marco. A Inter vive momento muito parecido com o intervalo entre as temporadas 1967-68 e 1968-69, quando o presidente Angelo Moratti e o técnico Helenio Herrera deixaram o clube juntamente a vários jogadores-chave, após um período de vitórias e o time estagnou por duas temporadas.

Desta vez, a Inter atravessa este momento com o filho de Angelo Moratti, Massimo. Pela primeira vez na temporada, o atual presidente falou abertamente em renovação do elenco. “Seria sábio reconstruir o elenco pensando em não conseguir resultados imediatos. Alguns [dos mais velhos] irão permanecer, alguns jogadores novos serão contratados”, disse o mandatário nerazzurro. Moratti acredita que ficar fora da próxima Liga dos Campeões pode acabar acelerando o processo. Atualmente, a Inter está oito pontos atrás da zona de classificação para a LC e seis atrás da zona de Liga Europa. 

Claudio Ranieri, mantido no cargo, terá agora o difícil objetivo de levar a Inter novamente à Europa, sem a garantia de que será o treinador na próxima temporada. O romano não tem preservado a titularidade de alguns dos senadores do elenco (Cambiasso, Sneijder e Forlán não são inquestionáveis em sua opinião), tem agora a chance de dar mais espaço aos novos jogadores do elenco, sem tanta responsabilidade, já que a diretoria já está ciente do redimensionamento de objetivos. Poli ganhou a vaga de Cambiasso nos últimos jogos e Obi tem sido o décimo-segundo jogador do elenco. Guarín deve retornar de lesão nos próximos jogos e estrear pela Inter. Castaignos, que esteve suspenso, já está disponível. 

No entanto, Ranieri ainda parece meio perdido com o elenco que tem em mãos: se, em um jogo, Faraoni é titular e joga bem, não é nem relacionado para três jogos restantes. Palombo, contratado em janeiro, fez apenas três partidas com a camisa nerazzurra. Talvez seja a hora de reduzir, de vez, o espaço de alguns jogadores mais experientes do elenco e trabalhar com os mais novos, preparando-os para o futuro em Appiano Gentile. Quando trabalhou com menos pressão de resultados, como no Parma em 2006-07, Ranieri fez um dos melhores trabalhos de sua carreira – deu espaço, por exemplo, a Giuseppe Rossi. Falta, agora, ter peito de fazer o mesmo na Inter e, pelo menos, salvar parte do seu trabalho ajudando a Inter a ter um futuro mais sólido. Com ou sem ele.

O jogo

Na partida realizada no estádio Giuseppe Meazza, a Inter foi melhor do que o Marseille. Precisava ir para cima e, desde o início, buscou o gol. No primeiro tempo, após duas jogadas pelo lado direito, teve chances com Sneijder e Milito, mas Mandanda fez duas grandes defesas. Se a Inter tivesse marcado no primeiro tempo, a história poderia ter sido outra, já que o gol forçaria o Marseille a se defender menos e a retardar menos o jogo, já que um eventual 1 a 0 levaria o jogo para a prorrogação.

No segundo tempo, Ranieri optou por tirar Sneijder e Forlán e colocar Obi e Pazzini. O time melhorou, muito porque Obi conseguiu dar mais força física ao meio-campo,que vinha perdendo em combatividade para os franceses, que tinham os fortes Mbia e Diarra na volância, auxiliados por Amalfitano. Sneijder não vinha bem, mas poderia ter sido importante em dois momentos decisivos, quando a Inter já vencia por 1 a 0 e teve duas faltas perigosas na entrada da área.

A entrada fundamental, mesmo, foi a de Cambiasso. O argentino substituiu Poli e deu experiência de Champions a um meio-campo que apesar de combater, parecia perdido na criação de jogadas. Foi em uma jogada do Cuchu que surgiu o escanteio que originou o gol de Milito, aos 30 minutos. Cambiasso ainda teve uma chance de cabeça, mas não deu sorte. 

Não dá sorte também a Inter de ter Ranocchia lesionado em um momento em que Lucio parece estar entrando de vez na fase descendente da carreira. No gol de empate de Brandão, o zagueiro brasileiro errou o tempo de bola no chutão que veio de Mandanda – ele cometeu erro semelhante no empate por 4 a 4 contra o Palermo – e permitiu que o atacante saísse na cara de Júlio César para eliminar a Inter. Pazzini sofreu e converteu pênalti no último lance do jogo, apenas ampliando a melancolia que tomou conta do Meazza na noite desta terça.

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