Técnicos

O inesquecível Vujadin Boskov mudou a vida da Sampdoria

Ex-jogador nas décadas de 1940 a 60, Vujadin Boskov teve passagens pela Sampdoria tanto como atleta quanto como treinador. Nascido em Begec, próxima a cidade de Novi Sad, o sérvio apenas vestiu a camisa da Vojvodina, da blucerchiata e por fim do suíço Young Boys nos seus tempos de ponta direita, sendo também importantíssimo para a sua geração na Iugoslávia. Esteve presente nos tempos áureos da seleção eslava nas duas Olimpíadas em que foram premiados com a medalha de prata na modalidade.

Iniciou sua trajetória como técnico em 1962 na mesma equipe aurinegra suíça pela qual pendurou as chuteiras, passando dois anos antes de assumir o comando da Vojvodina, cargo que ocupou durante sete temporadas, conquistando o caneco iugoslavo em 1966. O bom papel prestado com o plantel da Stara Dama lhe rendeu um chamado para ser assistente de Rajko Mitic na seleção nacional de seu país. Em 1971 foi efetivado e comandou os Plavi até 1973, pouco antes da classificação para o Mundial de 1974, na Alemanha.

Pouco depois, em território holandês, tomou as rédeas do ADO Den Haag, onde conduziu o modesto plantel verde e amarelo ao título da KNVB Cup, a Copa da Holanda, por um acaso o último troféu que fora conquistado pelas pobres cegonhas. Prestigiado nos países baixos, Boskov aceitou treinar o Feyenoord, em 1976. Com um quarto e um décimo lugar, respectivamente, na Eredivisie, não repetiu o sucesso de seu trabalho anterior. A mudança de ares era necessária em 1979, quando sentou ao banco do espanhol Zaragoza, para alcançar uma inexpressiva 14ª colocação.

Curiosamente, virou favorito da diretoria do Real Madrid para substituir o extremamente bem sucedido Luis Molowny, que havia assegurado um bicampeonato espanhol para os merengues. Foi nesse período, de 1979 a 1982, dirigindo a então principal força do país, que conseguiu manter a hegemonia madridista em 1980 na liga, além de duas Copas do Rei em 1980 e 1982. Também chegou a uma final de Copa dos Campeões.

Todavia, algo que chamou a atenção para esses anos no Bernabéu foi a sua incrível capacidade de proferir frases como a célebre “O futebol é tão imprevisível que todas as partidas começam em zero a zero” ou “Prefiro perder uma partida por nove gols do que nove partidas por um gol” – logo após uma incrível derrota por 9 a 1 ante o Bayern Munique, na Copa dos Campeões. Um verdadeiro gênio das tiradas extra-campo.

Boskov, então, tentaria reerguer o Sporting Gijón, em 1982, mas o máximo que conseguiria seria uma 13ª colocação, aparentando entrar em decadência. Passou em branco nas Astúrias e a Itália acolheria seu estilo de jogo defensivo, baseando a equipe em contra-golpes, durante os dez anos seguintes. O primeiro clube a contar com os serviços do treinador foi o Ascoli, que no segundo ano sob a batuta do sérvio conseguiu o tão sonhado acesso à Serie A, em ótima temporada dos meias Fulvio Bonomi, Giancarlo Pasinati e do atacante Giuseppe Incocciati.

O sucesso à frente do Ascoli fez com que a Sampdoria, que ainda contava somente com o troféu da Serie B em 1966-67, o contratasse. Somando a sua experiência com o forte plantel montado conforme o tempo passava, Boskov foi o líder que a blucerchiata precisava para se tornar um dos grandes esquadrões do fim dos anos 1980 e começo dos 90. Foram duas Coppa Italia (1987-88, 88-89), uma Recopa Europeia em 1989-90 e claro, a inesquecível Serie A de 1990-91.

Inesquecível talvez fosse pouco para aquela Sampdoria. A começar por Gianluca Pagliuca, a formação da agremiação de Gênova marcou época no futebol italiano com um estilo de jogo que parecia à frente do seu tempo. Passando por Srecko Katanec, Moreno Mannini, Attilio Lombardo, Giuseppe Dossena, Toninho Cerezo e os infernais “gêmeos do gol” Roberto Mancini e Gianluca Vialli, a glória passou muito perto de ser completa na caminhada até a final da Copa dos Campeões de 1992 contra o Barcelona, onde a Doria foi derrotada por um a zero.

Encerrando o ciclo no Luigi Ferraris em 1992, após a triste final europeia em Wembley, assinou com a Roma, onde foi finalista da Coppa Italia, mas não fez um bom trabalho na Serie A. Depois, passou pelo Napoli e pelo Servette, da Suíça, antes do retorno à Samp, em 1997, todos estes trabalhos sem o mesmo brilho de outrora e pior, nenhuma nova conquista para as galerias do treinador ou dos clubes. O Perugia foi o último time que comandou antes de encerrar de vez sua carreira em 2000, na Eurocopa, pela Iugoslávia. A eliminação nas quartas de final, frente a Holanda por incríveis seis a um representou o ponto final na longeva vida como técnico de futebol de Boskov.

Desde 2006 ocupa a função de olheiro na Sampdoria, onde teve seus melhores tempos no passado. Passado do qual nunca terá sua imagem desvinculada.

Vujadin Boskov
Nascimento: 16 de maio de 1931, em Begec
Posição: ponta-direita
Clubes como jogador: Vojvodina (1948-60), Sampdoria (1961-62), Young Boys (1962-64)
Clubes como treinador: Young Boys (1962-64 acumulando as duas funções), Iugoslávia (assistente técnico 1964-73), Den Haag (1974-76), Feyenoord (1976-78), Zaragoza (1978-79), Real Madrid (1979-82), Sporting Gijón (1982-84), Ascoli (1984-86), Sampdoria (1986-92, 1997-98), Roma (1992-93), Napoli (1994-96), Servette (1996-97), Perugia (1999).
Títulos como treinador: Campeonato iugoslavo (1966), Copa da Holanda (1975), Liga espanhola (1979-80), Copa do Rei (1980, 82), Serie B (1986), Recopa da Uefa (1990), Serie A (1991), Coppa Italia (1988, 89), Supercoppa Italia (1991)
Seleção iugoslava:  57 jogos, nenhum gol

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