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Renovação também no banco

Montella é considerado por muitos o treinador que fez o melhor trabalho nesta temporada da Serie A (Getty Images)

A temporada 2011-2012 no futebol italiano foi a de confirmação para a nova geração de bons treinadores do país. Se na temporada passada os técnicos dos três primeiros colocados na tabela tinham 50 anos ou menos, nesta temporada outros nomes de jovens comandantes também despontaram.

Para relembrar, há um ano a tabela da Serie A tinha Massimiliano Allegri, aos 44 anos, à frente do campeão Milan; o brasileiro Leonardo, de 42 anos, guiando a Internazionale, ainda com o título da Coppa Italia; e Walter Mazzarri, com 50 anos, levando o Napoli de volta à Liga dos Campeões. Não muito mais velho, com 56 anos, Francesco Guidolin deixou a Udinese na quarta colocação, também indo à maior competição do continente europeu. A atual temporada sequer acabou, mas é possível citar, pelo menos, três novos treinadores que se destacaram neste ano, todos com idade abaixo de 50 anos. Todos eles devem começar o próximo ano muito prestigiados e esse sucesso faz com que outras equipes apostem até mais  alto – caso da Inter, que deve efetivar Andrea Stramaccioni, de 36 anos e com currículo apenas na base, como técnico para o próximo ano.

A primeira menção não poderia deixar de ser para o campeão da temporada, Antonio Conte. Ele teve o primeiro bom trabalho na temporada 2008-2009 com o Bari, quando foi vice-campeão da Serie B. Após fracassar com a Atalanta, no ano seguinte, foi vice-campeão da Serie B de 2011-2012, perdendo o título para a Atalanta por apenas dois pontos. A boa campanha na Toscana o credenciou a ser a aposta do maior time do país, do qual foi ídolo e capitão por seis anos. E, na primeira vez em um grande clube do país, não decepcionou.

Assim como no Siena, que teve o melhor ataque da Serie B em 2011 com 67 gols, Conte chegou à Juventus procurando aplicar um sistema preferencialmente ofensivo, chamado por alguns de 4-2-4 no princípio da temporada. Durante o campeonato, porém, ele procurou variações táticas, aqui bem explicadas por Rodrigo Antonelli, que permitiram à Velha Senhora vencer seu primeiro scudetto pós-Calciopoli, de maneira invicta até então. As variações táticas aplicadas por Conte não impediram que os bianconeri fossem um dos melhores ataques da temporada, tendo, até o momento, 65 gols, perdendo só para o Milan, que tem 72. Também não impediram que a equipe tivesse uma defesa absurdamente sólida, que sofreu apenas 19 gols – o menor número nos grandes campeonatos europeus.

Outro nome que apareceu bem não é uma novidade no cenário italiano. Stefano Colantuono (49 anos) teve uma complexa trajetória nos últimos três anos, mas proporcionou à Atalanta uma ótima campanha em seu retorno à elite. Na temporada 2009-2010, Colantuono assumiu o recém-rebaixado Torino na Serie B e teve um ano difícil. Na 17ª rodada daquele campeonato, após uma derrota dentro de casa para o Crotone por 2 a 1, ele foi demitido. Porém, cinco rodadas depois foi chamado de volta. Nos 21 jogos do segundo turno, o Toro conseguiu 12 vitórias (no primeiro turno, haviam sido apenas sete), mas não conseguiu passar do Brescia no play-off.

Em junho de 2010 ele assumiu a Atalanta pela segunda vez em sua carreira e, como na primeira passagem em 2005-2006, ele levou La Dea ao título da Serie B, tendo garantido o acesso à Serie A com três rodadas de antecedência. De volta à elite, os nerazzurri começaram o campeonato com seis pontos a menos, em função de uma punição pelo envolvimento do clube nos escândalos de apostas. Poderia ser algo que pesasse contra o clube em uma eventual luta para se manter na Serie A, porém, a campanha dos bergamascos lhe credenciaria para disputar vaga na Liga Europa, caso não existisse a punição prévia.

Entre os grandes méritos do treinador, estão o fato de ter gerenciado as crises que afetaram o elenco em dois momentos: primeiro, com o envolvimento do capitão Cristiano Doni no escândalo, revelado logo no início da temporada, e, entre março e abril, quando Andrea Masiello também foi acusado. Além disso, Colantuono conseguiu fazer um elenco limitado jogar um bom futebol: quem diria que Denis, 31 anos, faria 16 gols em uma temporada após dois flops consecutivos? Além disso, a equipe tem a quarta melhor defesa do campeonato, sem contar com nenhum grande nome e com um goleiro extremamente inseguro como Consigli.

Quem, contudo, pode ser considerado um dos melhores treinadores desta temporada – alguns o colocando à frente, até mesmo, de Conte – é o segundo mais jovem treinador do campeonato: Vincenzo Montella (37 anos), do Catania. O ídolo romanista começou sua carreira em clubes profissionais sendo jogado em uma “fogueira”, na temporada passada. Ele assumiu o posto do demitido Claudio Ranieri, em fevereiro, na Roma. Em 13 partidas com os giallorossi, Montella obteve sete vitórias, incluindo uma de 2 a 0 no dérbi contra a Lazio. O excepcional aproveitamento de mais de 50% foi responsável por levar a Roma à Liga Europa, mas, ainda assim o time da capital optou por apostar em Luis Enrique na temporada seguinte.

Ele assumiu o Catania em junho e teve um começo ruim, com apenas uma vitória nas seis primeiras rodadas. Em muitos grandes clubes tal desempenho poderia significar uma demissão, mas a diretoria dos elefantes deu-lhe o voto de confiança e os resultados apareceram, fazendo do Catania a pedra no sapato de vários times. No primeiro turno, o clube derrotou a Internazionale, o Napoli, o Palermo e empatou com a Juventus, em Turim. A regularidade do time permaneceu no segundo turno, com uma vitória sobre a Lazio e empates contra Milan, Napoli e Inter. No mês de março, onde o Catania teve duas vitórias e três empates, Montella foi eleito o melhor treinador do mês, com o Catania plenamente vivo na briga por vaga na Liga Europa. A equipe até ultrapassou os 46 pontos (tem 48), chegando a seu recorde histórico na competição.

Nos últimos dias, alguns jornais italianos começaram, até mesmo, a sugerir que Montella poderia retornar à Roma, insatisfeita com a fraca campanha do time nas mãos de Luis Enrique – que já anunciou sua saída. Com milhões investidos na equipe, a Roma não teve mais do que cinco pontos a mais do que o Catania, que tem um elenco notoriamente mais limitado. Em resposta a um repórter após o empate contra a Roma no Olímpico, na 37ª rodada, Montella afirmou que só responde sobre seu futuro após o fim da temporada. Pela forte ligação do ex-atacante com o clube onde jogou por sete temporadas, não é surpresa que ele seja o nome que os torcedores mais gostariam de ver no banco de reservas romanista. Um retorno inesperado, ao menos para a diretoria, que teria de engolir o erro de não ter mantido o treinador no cargo.

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