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Serie B: A força dos Golfinhos

Pescara, de Verratti, Insigne e Immobile, conseguiu acesso à Serie A após 20 anos de ausência, com futebol ofensivo e baseado nos jovens (Getty Images)

Após estar entregue às dívidas em 2008 e ter sido refundado em 2009, como Delfino Pescara 1936, o time do Abruzzo está de volta a Serie A. A equipe da cidade localizada às margens do Mar Adriático – nome do estádio pelo qual sedia seus jogos – mostrou grande poder de recuperação e retorna à elite depois de 20 anos fora de ausência.
A diretoria bancou e Zdenek Zeman mostrou o resultado em campo. Apostando na juventude e no futebol ofensivo, características de seu trabalho, Zeman e seu insano 4-3-3 (ou simplesmente “Zemanlandia”) mais uma vez abrilhantaram os campos italianos com goleadas, o que refletiu nas estatísticas de seu time. Em 42 jogos, foram incríveis 90 gols marcados, nenhum 0 a 0 e apenas três partidas em que não marcou um golzinho sequer. Algo inimaginável no futebol do país que é, para muitos – erroneamente –, considerado “retranqueiro”. Mas a estratégia ofensiva de Zeman também teve seus problemas: foram 55 gols levados, muitos sustos e também derrotas. Apesar disso tudo, o time mostrou garra, determinação e qualidade para se recuperar nas últimas rodadas e alcançar a glória máxima: o título da segundona.
E se o título foi para a equipe do centro da Itália, o Torino teve uma parcela de “culpa”. Com uma campanha regular, o time de Gian Piero Ventura vacilou em momentos cruciais, esses que, se aproveitados, poderiam ter garantido o título e a classificação com maior tranquilidade. Mas nada que tire os méritos da equipe grená, que, após três anos na segunda divisão, voltou para o seu devido lugar: a elite. Ao contrário do insano Zeman, Ventura procurou montar um time mais equilibrado e seguro na defesa, mas com a mesma objetividade do Pescara, o que também é refletido nos números. Foram apenas 28 gols sofridos em 42 jogos, sendo 57 tentos a favor. O 4-4-2 também foi um fator importante, já que as duas linhas de quatro ajudavam na compactação do time sem a bola e facilitavam na rápida transição ofensiva.

Sampdoria, de Gastaldello, nem demorou na segundona: mostrou força na segunda parte do campeonato e nos play-offs para retornar imediatamente à elite (Il Secolo XIX)

Na briga pela terceira vaga, o surpreendente Sassuolo de Fulvio Pea, ex-treinador da equipe Primavera da Internazionale, fazia parecido ao Toro. Com um 3-5-2, Pea conseguiu fazer o mesmo que Ventura, dando equilíbrio ao time, mas com objetividade nas ações ofensivas. Apenas três pontos atrás dos dois colocados, o mais “justo” seria que o time conseguisse a inédita promoção para a Serie A – vale lembrar que esta foi apenas a quinta participação do time neroverdi na Serie B –, mas a inexperiência pesou nos play-offs. Caiu para uma Sampdoria que mostrou poder de recuperação na segunda metade da temporada, conseguindo a improvável classificação para a disputa pela terceira vaga na elite. 

Na outra chave dos play-offs, outra equipe também tropeçou em suas próprias pernas. No caso, ao invés da inexperiência, o Hellas Verona sucumbiu à fragilidade defensiva somada à dificuldade em jogar fora de casa. O ex-líbero interista Andrea Mandorlini montou uma equipe distribuída no 4-3-3 com triângulo de base alta, que sabia muito bem aproveitar as facilidades criadas pelo esquema, como a criação de “sociedades”, facilitando a troca de passes por meio das triangulações. Talvez tenha sido a equipe com um futebol mais “vistoso” na Serie B, mas que falhou quando não podia – os gialloblù chegaram até mesmo a liderar o campeonato, mas perderam pontos em momentos importantes. A equipe, que havia subido para a Serie B nesta temporada, acabou cedendo para o organizado Varese de Rolando Maran, montado de forma bem semelhante ao Torino de Ventura.
Na final dos play-offs, Sampdoria e Varese protagonizaram dois jogos emocionantes, mas que evidenciaram a força da velha Samp. Esquematizada no 4-3-1-2 de Giuseppe Iachini, que deu outra cara aos blucerchiati, foi na bola parada (com seu capitão Gastaldello sendo decisivo, em duas cabeçadas) e no oportunismo de Pozzi que o time da Ligúria conseguiu a promoção após uma temporada para se esquecer em 2010-11.

Confira os diagramas táticos das equipes que ficaram na ponta da tabela
Na parte de baixo…
Na briga para evitar a despromoção, pouca surpresa entre os três que acabaram caindo após as 42 rodadas: a até então novata Nocerina acabou com 40 pontos e volta para a Lega Pro Prima Divisione juntamente com Gubbio (outro que havia recentemente voltado para a Serie B) e o lanterninha AlbinoLeffe, com 32 e 30 pontos respectivamente. No play-outs, o Empoli superou o Vicenza de forma heróica, com gol aos 94, marcado pelo carequinha Maccarone, mantendo-se na segunda divisão. Pouco antes, Paolucci havia desperdiçado um pênalti, que poderia deixar os vênetos em situação confortável, já que a partida de ida havia terminado empatada em 0 a 0.
Enquanto isso, na Lega Pro Prima Divisione, Ternana e Spezia garantiram um lugar na próxima Serie B, quando ambos alcançaram a primeira colocação nos grupos A e B, respectivamente. O primeiro não disputava a segunda divisão italiana desde a temporada 2005-06, enquanto o segundo, após enfrentar inúmeros problemas administrativos e financeiros, volta depois de participar em 2006-07. Nos play-offs, o sete vezes campeão da Serie A, Pro Vercelli, garantiu sua volta a segundona após 64 anos juntamente com o novato Virtus Lanciano, do Abruzzo.
A Serie B 2011-12 certamente superou as expectativas quanto ao que foi apresentado em campo, e também mostrou que é capaz de se vencer apostando no futuro, sem esquecer-se do passado. A nova safra de jogadores italianos é boa e não pode ser desprezada como outras gerações. 

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