Serie A

Guia da Serie A 2012-13, parte I

Campeã na última temporada, Juventus largou na frente no mercado e vai para
a Serie A com vantagem na defesa do scudetto (Getty Images)

No próximo fim de semana, a partir das 13 horas (horário de Brasília), do sábado (25), começa a Serie A 2012-13, com a partida entre Fiorentina e Udinese. As duas equipes devem ser ótimas coadjuvantes em um campeonato no qual o nível técnico não será dos maiores, mas que promete diversão e times com futebol ofensivo.

A Juventus, campeã em 2011-12, vai em busca da defesa de seu título com uma boa vantagem sobre suas concorrentes. A equipe manteve a base, se reforçou bem no mercado (veja aqui as negociações de todos os clubes italianos), e ainda vê o Milan em processo de desmanche e Inter e Roma em um momento de renovação e algumas incertezas. O Napoli, assim como a Juventus, manteve a base e fez reforços pontuais, e talvez largue como a equipe que mais claramente possa ameaçar a Velha Senhora. Fiorentina, Udinese, Lazio e Parma também são candidatos a brigar por vagas europeias.

Como sempre, a presença de jogadores brasileiros na Serie A é grande. Nesta temporada, eles estão presentes em 17 dos 20 clubes – apenas Catania, Napoli e Palermo não tem um canarinho em seus elencos. Ao todo, são 50 brasileiros atuando na primeira divisão italiana – alguns deles obscuros, como Willyan, do Torino, e Marcos de Paula, do Chievo. Roma e Udinese são responsáveis por quase um terço desse número, já que cada uma das equipes tem sete atletas brasileiros.

O Campeonato Italiano deste ano, ao contrário de anos passados, não terá transmissão da ESPN e da RedeTV. A FoxSports adquiriu os direitos de transmissão do certame e será o canal para os amantes do futebol do Belpaese, ao lado da Rai International, que após algumas incertezas, anunciou que manterá o campeonato em sua grade. Sem mais delongas, acompanhe o nosso guia e conheça nossos prognósticos para a temporada que vem aí. Boa leitura!


Atalanta
Cidade: Bérgamo (Lombardia)
Estádio: Atleti Azzurri D’Italia (24.642 lugares)
Fundação: 1907
Apelidos: Nerazzurri, La Dea, Orobici
Principais rivais: Brescia, Inter e Milan
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 5ª colocação)
Na última temporada: 11ª colocação
Brasileiros no elenco: Adriano Ferreira Pinto (meio-campista)
O destaque: Germán Denis (atacante, foto)
A promessa: Moussa Koné (meia-atacane)
O treinador: Stefano Colantuono (3ª temporada)
Principais reforços: Carlos Matheu (z, Independiente), Davide Brivio (le, Lecce) e Moussa Koné (a, Pescara)
Principais perdas: Andrea Masiello (ld, suspenso), Simone Tiribocchi (a, fim de contrato) e Matteo Brighi (v, Roma)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-4-1-1): Consigli; Matheu (Bellini), Lucchini (Stendardo), Manfredini, Peluso; Schelotto, Cigarini, Carmona (Koné), Bonaventura; Moralez; Denis.

Começar o campeonato com dois pontos negativos não deve ser um problema para a Atalanta permanecer na Serie A. Afinal, o time bergamasco conseguiu segurar seus principais jogadores e provavelmente vai estrear na competição com a mesma equipe que fez boa campanha na temporada passada. A quarta melhor zaga do último campeonato perdeu Masiello, mas continuará contando com o bom futebol de Lucchini, Mandredini e Peluso. O argentino Matheu chega para o lugar de Masiello e deve ser a única novidade no time titular. No meio, os jovens Schelotto e Bonaventura vão tentar repetir as boas atuações da temporada passada e contarão com a ajuda de Moralez para dar criatividade ao setor. Na frente, a esperança de gols continua sendo Germán Denis, artilheiro dos nerazzurri no campeonato passado, com 16 tentos.

Os destaques em todos os setores do campo mostram o equilíbrio conquistado pelo técnico Colantuono, que já chega à sua terceira temporada à frente do clube. Para tentar manter o rendimento, o treinador ganhou boas peças de reposição. Quando olhar para o banco de reservas, enxergará opções para mudar o ritmo do jogo ou simplesmente substituir um jogador cansado sem perder muito em termos de qualidade. O marfinense Koné, que vem de boa temporada com o Pescara, atua tanto no meio quanto no ataque e pode dar maior velocidade ao time. Para a reserva de Denis, chega o também argentino Facundo Parra, que pode não ser grande artilheiro, mas tem boa presença de área. O maior desafio dos orobici será manter o alto nível do meio de campo durante um campeonato tão longo, uma vez que ainda não chegaram grandes nomes para o setor, que pode ter mais um reforço pontual. (Rodrigo Antonelli)

Bologna
Cidade: Bolonha (Emília-Romanha)
Estádio: Renato Dall’Ara (39.444 lugares)
Fundação: 1909
Apelidos: Rossoblù, Felsinei, Petroniani
Principais rivais: Cesena e Fiorentina
Títulos da Serie A: sete
Na última temporada: 9º colocação
Brasileiros no elenco: Roger Carvalho (zagueiro)
O destaque: Alessandro Diamanti (meio-campista, foto)
A promessa: Martì Riverola (meio-campista)
O treinador: Stefano Pioli (2ª temporada)
Principais reforços: Marco Motta (ld, Juventus), Gianluca Curci (g, Roma) e Tiberio Guarente (v, Sevilla)
Principais perdas: Marco Di Vaio (a, Impact Montreal), Jean-François Gillet (g, Torino) e Gaby Mudingayi (v, Inter)
Objetivo: terminar entre os dez primeiros
Time base (3-4-2-1): Curci; Antonsson, Natali, Cherubin; Motta, Taïder, Pérez (Guarente), Abero; Diamanti, Ramírez; Acquafresca.

Desde que saiu do Palermo, Stefano Pioli teve tempo, condição e motivação para trabalhar – relembrando os tempos de Chievo, há dois anos. Taticista, ele fixou o 3-4-2-1 e terá boas peças para a nova campanha, que será iniciada no próximo final de semana. Roger Carvalho, Natali, Motta e Abero chegaram neste verão e devem brigar por vagas de titulares da equipe. Mais uma vez o Bologna tem um elenco razoável para a disputa da Serie A, pois há gente no banco de reserva pronto para suprir a necessidade do treinador e jogar tão bem (ou melhor) que o titular.

Ramírez não forçou saída, mas ainda pode deixar o clube até o fim da janela de transferências – principalmente se o Southampton, único clube que fez proposta oficial pelo uruguaio, subir a oferta. Por enquanto, ele fará parceria com Diamanti, que assume de vez o posto de principal jogador da equipe, após a saída de Di Vaio. O jogador da seleção italiana tem, enfim, sido regular em suas apresentações e vem com moral pela participação na Euro 2012. A dúvida maior está no ataque, já que Acquafresca não tem sido o goleador que se imaginava anos atrás. Por isso, a possível chegada de Gabbiadini, da Atalanta, deve ser importantíssima. (Murillo Moret)

Cagliari
Cidade: Cagliari (Sardegna)
Estádio: Is Arena (16.500 lugares)
Fundação: 1920
Apelidos: Rossoblù, Isolani, Sardi e Castéddu
Principais rivais: Napoli
Títulos da Serie A: um

Na última temporada: 15º colocado
Brasileiros no elenco: Danilo Avelar (lateral esquerdo), Nenê (atacante) e Thiago Ribeiro (atacante)
O destaque: Mauricio Pinilla (atacante)
A promessa: Vincenzo Camilleri (zagueiro)
O treinador: Massimo Ficadenti (2ª temporada)
Principais reforços: Danilo Avelar (le, Karpaty), Marco Sau (a, Juve Stabia) e Luca Rossetini (z, Siena)
Principais perdas: Michele Canini (z, Genoa) e Alessandro Agostini (le, fim de contrato)
Objetivo: evitar o rebaixamento
Time base (4-3-3): Agazzi; Pisano, Rossettini, Astori, Danilo Avelar; Dessena, Conti, Nainggolan; Ibarbo (Sau), Pinilla (Thiago Ribeiro), Cossu.

Se a última temporada do Cagliari foi uma luta contra o rebaixamento, nada além disso os torcedores rossoblù devem esperar de 2012-13. As duas perdas, na defesa – Canini e Agostini -, foram repostas com jogadores de mesmo nível, e o time é quase o mesmo da última temporada. Ficadenti poderá arrumar a casa, afinal, seus principais jogadores permaneceram, casos de Nainggolan, Conti, Agazzi, Astori e principalmente Pinilla, cujo qual foi adquirido junto ao Palermo e foi o grande artilheiro do time, mesmo jogando apenas metade da temporada. O treinador, agora, precisa contar com a volta do futebol do ídolo Cossu, que foi muito irregular na última temporada. O problema é que, quando o trequartista de origem joga pelo lado esquerdo, como deverá atuar novamente nesta temporada, tem dificuldades para jogar bem.

Boa parte dos reforços vieram quase que retornando de empréstimo ou com o time da Sardegna fazendo jus a propriedade de compra, como acontecido no caso de Pinilla, um dos salvadores do time na última temporada, e de Sau, que retorna após cinco anos de empréstimos – pela Juve Stabia, na última temporada, foi vice-artilheiro da Serie B. Se com o ataque a preocupação não é tanta, ela é sentida nos outros setores. Mesmo servido com alguns bons jogadores que já se destacam a um bom tempo na Série A, ainda faltam peças de reposição. Mais uma vez, o elenco do Cagliari é curto, mas a diretoria parece convicta de que, se isso não deu errados nos últimos anos, não tem porque dar agora. Ainda há expectativas para o novo estádio do time, que deixou o problemático Sant’Elia e arrendou um campo de uma equipe amadora da cidade. A estrutura temporária da Is Arena ainda gera dúvidas sobre questões como segurança e conforto para os torcedores. (Caio Dellagiustina)

Catania


Cidade: Catania (Sicília)

Estádio: Angelo Massimino (20.266 lugares)
Fundação: 1908 (refundado em 1946)
Apelidos: Rossoazzurri, Etnei, Elefanti

Principais rivais: Palermo e Messina

Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 11ª colocação)
Na última temporada: 11ª colocação
Brasileiros no elenco: nenhum

O destaque: Francesco Lodi (meio-campista, foto)
A promessa: Lucas Castro (meio-campista)
O treinador: Rolando Maran (1ª temporada)
Principais reforços: Alberto Frison (g, Vicenza), Lucas Castro (m, Racing) e Amidu Salifu (m, Fiorentina)
Principais perdas: Felipe Seymour (m, Genoa), Marco Motta (d, Bologna) e Juan Pablo Carrizo (g, Lazio)

Objetivo: meio da tabela
Time-base (4-3-3): Frison; Álvarez (Belluschi), Spolli, Legrottaglie, Marchese; Izco, Lodi, Almirón; Gómez, Bergessio, Castro (Barrientos)

Após a sua melhor temporada na elite italiana, a equipe, ainda recheada de argentinos, conseguiu superar algo que nas temporadas anteriores o fez sofrer: as saídas de seus principais jogadores para clubes maiores. Foi assim com Silvestre, Terlizzi, Ledesma, Sardo e Mascara, mas desta vez as saídas importantes dizem respeito apenas a jogadores que estavam emprestados. Permanecem, portanto, o maestro do time, Lodi, responsável direto por cerca de um terço dos gols da equipe na última campanha, e Gómez, o toque de velocidade da equipe, que se caracterizou por fazer rápidas transições entre defesa e ataque. Com a série de campanhas sólidas, uma base melhor estruturada e melhor condição financeira, a realidade passou a ser outra no lado rossoazzurro siciliano.

Apesar disso, o time sofreu uma perda considerável: Vicenzo Montella. De saída para a renovada Fiorentina, o técnico, que realizou ótimo trabalho na temporada passada, fará falta. Para seu lugar, porém, o clube mostrou boa visão, contratando Rolando Maran, que vem de dois bons trabalhos por Vicenza e Varese. Em ambos os trabalhos, Maran trabalhou com o 4-4-2, mas não parece disposto a desfazer a base montada por Montella e seu 4-3-3 com triângulo de base alta no meio de campo, também variando para o 3-5-2, que o próprio Maran já trabalhou no Vicenza. Quem pode fazer falta, a longo prazo, é o diretor esportivo Pietro Lo Monaco, responsável por sanear as finanças do clube e achar ótimos talentos em ligas menores. Seu substituto, Sergio Gasparin, já mostrou menos ideias, apesar de ter trazido Castro, que se destacou pelo Gimnasia La Plata, emprestado pelo Racing. (Arthur Barcelos)

Chievo
Cidade: Verona (Vêneto)
Estádio: Stadio Marc’Antonio Bentegodi (38.402 lugares)
Fundação: 1929
Apelidos: Gialloblù, Ceo, Burros Alados
Principal rival: Hellas Verona
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 4ª colocação)
Na última temporada: 10ª colocação
Brasileiros no elenco: Luciano (meio-campista) e Marcos de Paula (atacante)
O destaque: Sergio Pellissier (atacante, foto)
A promessa: Isaac Cofie (meio-campista)
O treinador: Domenico Di Carlo (2ª temporada)
Principais reforços: Marco Rigoni (m, Novara), Paul Papp (Vaslui) e David Di Michele (a, Lecce)
Principais perdas: Michael Bradley (m, Roma) e Francesco Acerbi (d, Milan)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-3-1-2): Sorrentino; Sardo (Frey), Andreolli (Cesar), Papp (Dainelli), Jokic (Dramé); L. Rigoni, Guana, Hetemaj; M. Rigoni (Théréau); Paloschi (Di Michele) e Pellissier.

Com a quarta melhor defesa da Serie A 2011-12, o Chievo não teve dificuldades para terminar o campeonato na décima colocação. O 4-3-1-2 esquema escolhido por Di Carlo para a equipe também ajudou ao bom desempenho da retaguarda, que contou com os três meias fazendo muito bem a proteção à linha defensiva. Porém, para este ano, dois jogadores fundamentais para o bom funcionamento da defesa se foram para times grandes: Bradley (Roma) e Acerbi (Milan) – e Andreolli ainda pode sair. A saída do defensor deve ser reposta por Papp, jovem da seleção romena, que é uma aposta. A perda do norte-americano tende a ser bem sanada com a entrada de Guana, que formará um bom tridente no meio com Hetemaj e L. Rigoni. Como mostram os parênteses, Di Carlo gosta muito de fazer rodízio na equipe, o que mostra também a principal força do Chievo: o conjunto.

Na última temporada, os gialloblù não conseguiram ir mais longe na tabela de classificação pelo fraco desempenho do ataque, o segundo pior do certame e, por isso, a diretoria focou as ações de mercado no principal problema do elenco. A principal novidade é Marco Rigoni, que chega com moral do Novara, onde marcou 11 gols na última Serie A. Ele deve ser o novo trequartista do meio-campo. Na mesma função, a permanência de Théréau, que marcou seis vezes no ano passado, dá opções ao sistema ofensivo. No comando do ataque, continuam o artilheiro e capitão Pellissier e Paloschi, que terão a ajuda do experiente Di Michele, artilheiro do rebaixado Lecce na Serie A 2011-12. Os jovens meias Cofie e Stoian podem aparecer bem e ajudar na composição do elenco, que segundo treinador Di Carlo está completo. (Pedro Spiacci)

Fiorentina
Cidade: Florença (Toscana)
Estádio: Artemio Franchi (46.389 lugares)
Fundação: 1926
Apelidos: Viola, Gigliatti
Principais rivais: Juventus, Roma e Bologna
Títulos da Serie A: dois
Na última temporada: 13ª posição
Brasileiros no elenco: Neto (goleiro), Felipe (zagueiro) e Rômulo (lateral direito)
O destaque: Stefan Jovetic (atacante, foto)
A promessa: Haris Seferovic (atacante)
O treinador: Vincenzo Montella (1ª temporada)
Principais reforços: Emiliano Viviano (g, Palermo), Alberto Aquilani (m, Liverpool) e Juan Cuadrado (m, Udinese)
Principais perdas: Riccardo Montolivo (m, Milan) e Alessandro Gamberini (z, Napoli)
Objetivo: vaga em competições europeias
Time base (3-5-2): Viviano; Roncaglia, Rodríguez, Nastasic; Cuadrado, Aquilani, Pizarro, Borja Valero, Pasqual; Jovetic, El Hamdaoui.

Os tempos são outros em Florença. A temporada da Fiorentina começa cheia de esperança, depois de um 2011-12 muito complicado, que teve vários protestos da torcida e risco real de rebaixamento. Agora, a família Della Valle, que vinha gastando pouco, resolveu meter a mão no bolso e contratou um time inteiro de jogadores, muitos deles para assumirem vaga no time titular. Por si só, as chegadas de nomes como Viviano, Roncaglia, Gonzalo Rodríguez, Pizarro, Aquilani, Cuadrado, Borja Valero, Matías Fernandez e El Hamdaoui credenciam a equipe à briga por uma vaga europeia. Além disso, a permanência de Jovetic, em volta de quem girará o esquema da equipe, será vital para as pretensões do clube. Com a saída de Montolivo e Gamberini, ele assume a faixa de capitão e comandará o novo momento da equipe.

Além de novos – e bons – jogadores, a Fiorentina também tem novidade no banco de reservas. Vincenzo Montella, um dos melhores técnicos da última temporada em sua passagem pelo Catania, chega com respaldo para dirigir a renovação da equipe, que com ele deve ter rápida transição de esquemas – 3-5-2 para 4-3-3 – e de fase defensiva para ofensiva. O treinador vai ter trabalho para entrosar a equipe, que está recheada de nomes novos – entre os prováveis titulares, apenas três jogaram ano passado -, mas terá um ambiente completamente diferente do que se via no Artemio Franchi. A desmotivação dá espaço para a empolgação e o sentimento de que é possível voltar a brigar no topo da tabela, como cinco anos atrás. (Nelson Oliveira)

Genoa
Cidade: Gênova (Ligúria)
Estádio: Stadio Luigi Ferraris (36.536 lugares)
Fundação: 1893
Apelidos: Grifone, Grifo, Rossoblù, Vecchio Balordo
Principal rival: Sampdoria
Títulos da Serie A: nove
Na última temporada: 17ª colocação
Brasileiros no elenco: Anselmo (volante) e Zé Eduardo (atacante)
O destaque: Alberto Gilardino (atacante, foto)
A promessa: Ciro Immobile (atacante)
O treinador: Luigi De Canio (2ª temporada)
Principais reforços: Michele Canini (z, Cagliari), Daniel Tozsér (m, Racing Genk) e Ciro Immobile (a, Pescara).
Principais perdas: Rodrigo Palacio (a, Inter) e Miguel Veloso (m, Dynamo Kyiv)
Objetivo: meio da tabela
Time base (4-3-3): Frey; Tomovic (Mesto), Granqvist (Velásquez), Canini, Antonelli (Moretti); Rossi, Tozsér, Kucka; Jankovic, Gilardino, Zé Eduardo (Immobile).

Nos últimos anos, o Genoa se notabilizou por ser um time que mirava vagas europeias, gastava muito e tinha Palacio como grande destaque. Para esta temporada, nenhum dos três faz parte da reliade do clube genovês. Os grifoni quase caíram na Serie A 2011-12 e alcançaram a salvezza na última rodada, depois que Luigi De Canio assumiu o comando da equipe e passou a montar o time de forma mais simples. Sobre os investimentos, o presidente Enrico Preziosi não colocou a mão no bolso e, por isso, o grande jogador rossoblù, Palacio e Miguel Veloso deixaram o clube para jogar na Inter e no Dynamo Kyiv, enchendo os cofres da equipe, que também negociou vários outros jogadores que estavam emprestados, com o objetivo de fazer caixa. Por outro lado, as principais chegadas foram Immobile, artilheiro e campeão da Serie B pelo Pescara, os defensores Michele Canini (Cagliari), e Julián Velásquez (Independiente) e o meia da seleção húngara, Daniel Tozsér (Racing Genk). O redimensionamento é evidente.

Com investimento muito menor, o grifone optou por se reorganizar fora de campo, embora o ambiente siga conturbado. Primeiro, não mudou o comando e De Canio segue no cargo. Segundo, trouxe Pietro Lo Monaco, ex-diretor esportivo do Catania, mas uma briga entre ele e Preziosi já colocou tudo a perder. Dentro de campo, Immobile é uma aposta interessante e barata: ele poderá compor bem o setor ofensivo, principalmente, com Gilardino, que deu sinais de recuperação ao chegar em Gênova. A defesa, que foi a pior da Serie A 2011-12, recebeu reforços e tem chance de até ser totalmente diferente da que terminou o campeonato passado jogando. Ajustar a defesa já pode ser suficiente para uma temporada tranquila, mirando o meio da tabela. (Pedro Spiacci)

Inter
Cidade: Milão (Lombardia)
Estádio: Giuseppe Meazza (80.018 lugares)
Fundação: 1908
Apelidos: Nerazzurri, Beneamata, Biscione
Principais rivais: Milan e Juventus
Títulos da Serie A: 18
Na última temporada: 6ª posição
Brasileiros no elenco: Júlio César (goleiro), Maicon (lateral direito), Jonathan (lateral direito) Juan (zagueiro) e Philippe Coutinho (meio-campista)
O destaque: Wesley Sneijder (meio-campista, foto)
A promessa: Samuele Longo (atacante)
O treinador: Andrea Stramaccioni (2ª temporada)
Principais reforços: Samir Handanovic (g, Udinese), Rodrigo Palacio (a, Genoa) e Philippe Coutinho (m, Espanyol)
Principais perdas: Andrea Poli (v, Sampdoria) e Lucio (z, Juventus)
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time base (4-3-2-1): Handanovic; Maicon, Ranocchia (Silvestre), Samuel, Zanetti; Guarín, Cambiasso, Mudingayi; Sneijder, Coutinho (Palacio); Milito.

Depois de uma temporada cheia de problemas dentro e fora de campo, a Inter chega em 2012-13 com o objetivo de cortar alguns males pela raiz e começar quase do zero. O jovem Andrea Stramaccioni ganhou a oportunidade de iniciar seu primeiro trabalho no comando de uma equipe profissional e tem como principais tarefas renovar a equipe e, ao mesmo tempo, torná-la mais competitiva que nos dois anos anteriores. Para isso, tem agido de forma taxativa, excluindo do elenco os jogadores que não considera adequados para dar continuidade a seu trabalho, iniciado no fim de 2011-12. Assim, saíram do time Lucio, Forlán, Zárate, Palombo e Castaignos, enquanto Júlio César, Stankovic e Pazzini ainda devem deixar o clube até o fim da janela. Entre os que saíram, o único arrependimento do clube é não ter acertado com a Sampdoria a permanência de Poli, que seria útil na renovação.

Os jogadores que chegaram, à exceção de Coutinho, que briga por uma vaga de titular, não são muito jovens – alguns, como Palacio e Mudingayi, ultrapassam os 30 anos -, mas outros, como Handanovic, Jonathan e Silvestre estão na faixa dos 25-28 anos, quase inexistente no elenco da última temporada, um misto de jogadores muito experientes com outros muito jovens. Jovens como Mbaye, Duncan e Longo, que devem ganhar espaço com Stramaccioni, sem tanta responsabilidade de decidir. Apesar de tudo, os principais nomes continuam os mesmos: Sneijder, Milito e o interminável capitão Zanetti. Quem pode se juntar a eles é Coutinho, dono de uma pré-temporada muito promissora. No 4-3-2-1 de Stramaccioni, ele pode ser o fiel da balança e, de fininho, se tornar fundamental para a equipe. Assim como Cassano, que pode chegar nos últimos dias do mercado, em uma troca por Pazzini. (Nelson Oliveira)

Juventus
Cidade: Turim (Piemonte)
Estádio: Juventus Arena (41.000 lugares)
Fundação: 1897
Apelidos: Bianconeri e Velha Senhora
Principais rivais: Torino e Inter
Títulos da Serie A: 28
Na última temporada: campeã
Brasileiros no elenco: Lúcio (zagueiro), Guilherme Appelt (meio-campista) e Gabriel Appelt (meio-campista)
O destaque: Andrea Pirlo (meio-campista, foto)
A promessa: Paul Pogba (meio-campista)
O treinador: Antonio Conte/Massimo Carrera (2ª temporada)
Principais reforços: Kwadwo Asamoah (m, Udinese), Sebastian Giovinco (a, Parma) e Lucio (z, Inter)
Principais perdas: Alessandro Del Piero (a, fim de contrato), Milos Krasic (m, Fenerbahçe) e Marco Borriello (a, Roma)
Objetivo: título
Time base (3-5-2): Buffon; Bonucci (Lucio), Barzagli, Chiellini; Lichtsteiner (Isla), Vidal, Pirlo, Marchisio, Asamoah (De Ceglie); Vucinic e Giovinco (Matri).

O favoritismo da Juventus ao bicampeonato italiano é incontestável no momento. Enquanto seus principais rivais passam por períodos de reconstrução, o time de Turim manteve a base campeã e ainda fez bons investimentos no mercado. Para a defesa, Lucio chegou a custo zero e pode até ficar com uma vaga no time titular, apesar de precisar de tempo de readaptação para jogar em uma linha de três zagueiros. Além dele, outra boa contratação para o setor foi o goleiro de 19 anos Nicola Leali, já de olho na renovação debaixo das traves. Para melhorar o já forte meio de campo, chegam Asamoah e Isla, ambos ex-Udinese e com condições de titularidade. No ataque, a volta de Giovinco é ótima, mas ainda não representa muito se o time quiser chegar longe na Liga dos Campeões. Por isso, a principal preocupação da Juve nesse fim de mercado é a contratação de um grande atacante. Llorente e Dzeko são os nomes mais cotados no momento.

O que pode atrapalhar a Velha Senhora na caminhada até o título são os fatores extracampo. Isso porque, apesar de o time não estar envolvido diretamente no último escândalo de apostas, Pepe, Bonucci e Conte ainda respondem a processos na justiça. Os jogadores foram absolvidos em um primeiro momento, mas ainda podem ser punidos após o recurso da procuradoria. Conte, por outro lado, já está suspenso por 10 meses e tenta diminuir a pena. O treinador não vai parar de treinar a equipe durante a semana, mas sua ausência à beira do gramado (está sendo substituído por Massimo Carrera, coordenador das divisões de base) pode fazer falta em jogos decisivos. Por causa da chegada de Isla, nem mesmo um possível assédio do PSG para contar com o futebol de Lichtsteiner contribui muito para tirar o sono dos juventinos nos próximos dias. Nada que atrapalhe muito as ambições do time que pela primeira vez desde 1992 não vai contar com Alex Del Piero no elenco. (Rodrigo Antonelli)

Lazio
Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olímpico de Roma (73.481 lugares)
Fundação: 1900
Apelidos: Biancocelesti, Biancazzurri, Aquilotti
Principais rivais: Roma, Napoli, Livorno, Pescara, Milan, Juventus e Atalanta
Títulos da Serie A: dois

Na última temporada: 4ª colocação
Brasileiros no elenco: André Dias (zagueiro), Hernanes (meio-campista), Matuzalém (meio-campista) e Ederson (meio-campista)
O destaque: Miroslav Klose (atacante, foto)
A promessa: Eddy Onazi (meio-campista)
O treinador: Vladimir Petkovic (1ª temporada)
Principais reforços: Ederson (m, Lyon), Mauro Zárate (a, Inter) e Sergio Floccari (a, Parma)
Principais perdas: Javier Garrido (le, Norwich)
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Time base (4-2-3-1): Marchetti; Konko, Diakité, André Dias, Radu; Ledesma, Hernanes (Lulic); Ederson (Candreva), Mauri (Zárate); Klose

Depois de falhar por dois anos consecutivos no objetivo de ir à Liga dos Campeões, a Lazio mudou de treinador, mas o elenco continua praticamente o mesmo. Vladimir Petkovic, que chega com a proposta de futebol ofensivo, terá o desafio de manter as boas campanhas de Edy Reja e vencer a desconfiança dos torcedores em seu primeiro ano na Itália. No entanto, o trabalho está começando devagar e os amistosos de pré-temporada não definiram qual será a nova Lazio do treinador bósnio. Derrotas para Torino, Siena, Galatasaray e Getafe só aumentaram a preocupação da torcida laziale. A falta de reforços também irrita os torcedores: no amistoso contra a Salernitana, foi exibida uma faixa com um ultimato: “31-8-2012: fim da janela de transferências. 31-8-2012: fim da nossa paciência” É com este clima conturbado que a Lazio chega para a temporada. Espera-se pelo menos um time que brigue na parte de cima da tabela; a meta é novamente a terceira posição. 

Debaixo das traves, Marchetti segue com a segurança mostrada no último campeonato. A defesa, muito irregular, precisa de reforços. Diakité cresceu bastante na temporada passada, mas com André Dias o panorama é oposto. As frequentes lesões dos laterais também são sérios problemas para Petkovic. No meio-campo, a situação é diferente: há poucas vagas, e Ledesma parece ser o único com lugar garantido. Hernanes, Cana, González, Mauri, Ederson, Lulic e Candreva terão de mostrar bom futebol para garantirem espaço. O ataque continua com o artilheiro Klose, e conta com as voltas de Floccari e Zárate, velhos conhecidos da torcida, que estavam emprestados a Parma e Inter, respectivamente. O experiente Rocchi e os jovens Kozák, Alfaro e Rozzi também são opções para o setor. Com alguns ajustes, o time de Petkovic pode conseguir o que o de Reja não conseguiu, e chegar entre os três primeiros. Mas é importante manter os pés no chão, para não ter uma decepção ainda maior. (Cleber Gordiano)

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