Seleção italiana

Apatia e indefinição

Pouco satisfeito com a atuação de seu time, apesar da vitória, Prandelli segue na busca do “time ideal”. Enquanto isso, a Itália é líder em seu grupo nas eliminatórias. (Getty Images)
Se contra a Bulgária, em Sofia, a Itália sofreu com alguns problemas defensivos e alternou bons e maus momentos na partida, nessa terça-feira, 11, a Azzurra venceu Malta, por 2 a 0, em Modena uma das cidades mais afetadas dos terremotos ocorridos na Emília-Romanha. A vitória, magra, aponta que a atuação foi tão decepcionante quanto a contra os búlgaros.
Promovendo, de fato, a volta de seu 4-3-1-2, Cesare Prandelli buscou, através do sistema tático e dos jogadores escolhidos, fazer o meio de campo se impor novamente, como na Euro 2012. Porém, diante da modesta equipe de Malta, isso não veio a acontecer. De novo. E se o meio de campo não funciona como deveria, todo o resto do time também não.
Contra o 4-4-1-1 montado pelo treinador italiano Pietro Ghedin – ex-treinador da seleção italiana feminina -, o meio de campo azzurro poderia facilmente se impor, mas com um Pirlo um tanto despretensioso, um Diamanti sumido e apenas Marchisio e Nocerino buscando criar algo, o jogo italiano não fluiu, ainda mais com dois laterais (Cassani e Peluso) que, apesar de avançarem bastante, eram nulos no apoio. À frente, Destro e Osvaldo, dois centroavantes giallorossi, poderiam render juntos, mas por causa de todos os fatores citados, acabaram falhando em seu objetivo.
Como exemplo de como é importante a imposição do meio de campo, foi exatamente através dos pés de meio-campistas que saíram os gols. Primeiro, com Marchisio, que, do círculo central, lançou Destro nas costas dos defensores malteses. O atacante inaugurava o placar – e sua contagem de gols pela Squadra Azzurra – logo aos 5 minutos. Segundo, em escanteio cobrado por Pirlo, no qual Peluso soube aproveitar a desatenção do adversário, já aos 92 minutos.
Há de relevar que a Itália também teve alguns pontos interessantes e que merecem lembrança: a boa partida de Marchisio, que costuma ter tímidas atuações na seleção; a presença ofensiva de Destro, que apesar de nem sempre ter recebido a bola em boas condições, batalhou, se movimentou e ainda marcou o primeiro gol, e a entrada de Insigne, comprovando que merece uma vaga no time, talvez como alternativa, imprimindo boa velocidade e profundidade pelo flanco esquerdo, quando Prandelli alterou o esquema tático para o 4-3-3.
Depois de ter estreado no último mês, Destro conseguiu marcar seu primeiro gol com a  Seleção principal. Os italianos esperam que esse seja o primeiro de muitos. Potencial para isso acontecer, Mattia tem de sobra. (Getty Images)
Após o seu 29º jogo no comando técnico da Itália – 14 vitórias, 8 empates e 7 derrotas -, Cesare Prandelli destacou que o mês de setembro não costuma ser proveitoso para a Seleção, uma vez que os jogadores não estão em sua melhor forma. Historicamente, de fato, a seleção italiana demora um pouco para engrenar. Além disso, o bresciano ainda não encontrou a forma de montar o “time ideal”. Até aqui percebe-se que o treinador tem três “bases” claras: o 4-3-1-2, o 4-3-3 e o 3-1-4-2.
Quanto à primeira opção, Cassani e Peluso parecem não serem as melhores opções, e a expectativa é que Balzaretti volte para ocupar a faixa canhota. Também não podemos esquecer de Criscito, que foi inocentado das acusações de envolvimento com o escândalo de manipulação de resultados, quando jogava no Genoa. Na direita, permanece a indefinição, mas aparentemente, os rossoneri Abate e De Sciglio são alternativas. Maggio, que também costuma frequentar as convocações de Prandelli, pode perder espaço, já que atua mais como ala e tem dificuldades na marcação.

O outro problema para Prandelli no 4-3-1-2 se deve ao trequartista, já que Diamanti novamente não correspondeu. Nomes que poderiam ser avaliados? Verratti e Montolivo, ambos registas, mas que têm capacidade para atuar ali e o principal, fazer o meio de campo funcionar. No ataque, com Destro e Osvaldo, ainda que o primeiro se movimentasse bem, sentiu-se a falta de alguém que realmente tenha qualidade para encostar no “9” e auxiliar o trequartista. Um legítimo fantasista (ou seconda punta). E Prandelli tem em mãos Cassano, Giovinco, Insigne e Rossi. O ataque, aliás, é um dos setores mais fortes no futuro azzurro, já que além desses nomes, Prandelli ainda tem opções de bom nível, como Matri, Immobile, Borini, e, claro, Balotelli, que é titular e só não jogou porque fez uma cirurgia no olho.

Em relação ao 4-3-3, é importante ressaltar que o esquema exige uma maior aplicação e entrega dos meio-campistas, o que não vem ocorrendo no 4-3-1-2. Mas o principal ponto no sistema se deve ao trio ofensivo. Hoje, há uma nítida falta de pontas, ou outros que saibam jogar por ali, na atual geração italiana, fruto da consolidação do 4-4-2 (losango ou em linha) nas últimas três décadas. Aparentemente, teríamos como opções para as pontas Borini, Insigne, Giovinco, Destro, Pepe, El Shaarawy e Fabbrini. Todos jovens (exceto Pepe) e ainda buscando espaço com Prandelli.
Por sua vez, seria melhor definir o 3-5-2 como uma alternativa ao 4-3-1-2 e 4-3-3, e não propriamente o sistema principal. E Prandelli em recente coletiva, deu a entender que pensa assim. Desta maneira, e já sabendo do bom entendimento do trio defensivo – Barzagli, Bonucci e Chiellini, enquanto Ogbonna, Astori, Acerbi e Ranocchia são opções -, além do ataque bem definido – um centroavante e um fantasista, como no 4-3-1-2 -, resta o setor de meio de campo. Sempre que atuou no 3-5-2, a Itália teve pouca profundidade, muito por causa da falha participação dos alas na construção das jogadas, ficando muito fixos à faixa lateral. No mais, nada muito a acrescentar quanto ao trio central, uma vez que a base montada por Prandelli é a mesma para os três sistemas referidos.
Líder do Grupo B com 4 pontos e +2 no saldo de gols, a Itália só voltará a entrar em campo no dia 12 de outubro, contra a Armênia, em Ierevan, capital da ex-república soviética. Em casa, joga somente no dia 16 do mesmo mês, diante da Dinamarca, em Milão – que não recebe um jogo da Azzurra desde setembro de 2007. Na ocasião, a Itália empatou com a França pelas eliminatórias da Euro 2008. Resta saber como a Itália entrará em campo nos dois jogos, que prometem ser mais duros que os dois desta semana.
Ficha do jogo: Itália 2-0 Malta
Gols: 5’ Destro, 92’ Peluso

Itália (4-3-1-2/4-3-3): Buffon; Cassani, Barzagli, Bonucci, Peluso; Nocerino, Pirlo, Marchisio; Diamanti (Insigne); Destro (Giovinco), Osvaldo (Pazzini).
Banco: De Sanctis, Sirigu, Acerbi, Maggio, Ogbonna, Giaccherini, Poli, Verratti e Borini.
Treinador: Cesare Prandelli.

Malta (4-4-1-1): Hogg; Borg, Dimech, Agius, Muscat; Bogdanovic (Cohen), Briffa, Sciberras, Herrera; Schembri; Mifsud.
Treinador: Pietro Ghedin.
Para mais detalhes do Grupo B, clique aqui.
Gols do jogo, aqui.

Deixe um comentário