Seleção italiana

Um empate que basta

Coincidência ou não, desde que Zdenek Zeman assumiu o comando técnico da Roma, Osvaldo vem gozando de uma boa fase: em 3 jogos oficiais na temporada, já foram 4 gols marcados (Getty Images)
Na última sexta-feira, 7, a Itália entrou em campo para confronto válido pelas Eliminatórias europeias para a Copa do Mundo de 2014, contra a Bulgária, em Sofia. Após a derrota para a Inglaterra em amistoso que Cesare Prandelli fez vários testes, o bresciano voltou a contar com sua base, boa parte formada por jogadores da Juventus – foram 7 bianconeri convocados, todos titulares.
Como adiantado pelo próprio Prandelli, na coletiva pré-jogo, o esquema seria o 3-5-2, mesmo que o técnico soubesse que o adversário jogaria num 4-3-3 que, em casa, costuma ter uma postura agressiva – no “bom” sentido. O treinador também avisou que o sistema tático fora escolhido para este jogo, sem defini-lo como o “principal”, aliviando muitos que são contrários ao referido sistema.
Com a bola rolando, porém, a tal profundidade pedida por Prandelli na coletiva não houve, assim como o controle do meio de campo, apático durante boa parte do primeiro tempo. Os búlgaros, por sua vez, eram mesmo agressivos e num flexível 4-3-3 – que facilmente variava para o 4-4-2 -, criaram boas chances em velocidade.
Quando os donos da casa construíam sua jogada e a Itália se recompunha aos 29’, o ponta-direita Manolev se deslocou para o centro e surpreendeu com um ótimo chute de fora da área, sem receber o combate de De Rossi ou Giaccherini, vencendo o capitão e arqueiro Buffon, que falhou ao calcular o tempo de bola.
E foi exatamente após o gol búlgaro que a Squadra Azzurra finalmente se impôs. O trio de meio-campistas passou a ditar o ritmo do jogo e explorar os alas – especialmente Giaccherini pela esquerda -; Barzagli, Bonucci e Ogbonna passaram a auxiliar mais a saída de bola e construção das jogadas, acuando o adversário, enquanto Giovinco e Osvaldo, apáticos até então, passaram a se movimentar e também buscar o jogo.
Aos 36’, o beque central Bonucci – que vem numa ótima crescente desde que passou a compor o centro do trio de zaga no 3-5-2 na Juventus de Conte -, aproveitou o generoso espaço à sua frente e da intermediária lançou Marchisio dentro da área adversária. O meia tocou de cabeça para Osvaldo, com oportunismo, igualar o marcador.
Três minutos depois, a equipe vinha em rotação alta e Giaccherini avançou pela esquerda, em velocidade. O juventino centrou para Osvaldo, novamente oportunista, virar o placar – a bola ainda desviou no desligado Ivanov, mudando a trajetória da bola e “matando” Mihaylov.
Já na segunda etapa, os comandados de Prandelli voltaram a se acomodar e procuraram muito mais em ocupar os espaços e bloquear os adversários, que propriamente buscar um resultado mais favorável. E assim, a Bulgária acuou a Itália e com a entrada de Micanski, passou a explorar mais as deficiências da defesa azzurra.
Prandelli e sua comissão técnica logo perceberam isso e então Giaccherini foi sacado para a entrada de Diamanti. Assim, Maggio foi compor uma linha de quatro junto aos três defensores, enquanto o trequartista do Bologna formou um losango com o trio de meio-campistas.
A ideia era boa e a mudança necessária, porém, a formação da linha de quatro e a recomposição dos meias não foi correta aos 65’, logo após a entrada de Diamanti, quando pela direita e sem a percepção de Ogbonna, Micanski centrou para Milanov, completamente livre de marcação, dominar e concluir na saída de Buffon, igualando o placar.
Para piorar a situação, minutos depois, em rápido contra-ataque puxado e desperdiçado por Manolev, De Rossi voltou a sentir a parte posterior da coxa direita – o mesmo problema que lhe tirou ainda no primeiro tempo de Inter 1-3 Roma e fez ser dúvida para o referido jogo deve lhe deixar afastado dos campos por um mês. Ogbonna e Giovinco já haviam saído para as entradas de Peluso e Destro – que perdeu ótima chance no fim. Ou seja, a Itália ficou com um a menos. A pressão búlgara aumentou, já que a equipe estava na busca da vitória em casa, o que não veio a acontecer, para o alívio de Prandelli e companhia.
Espera-se que o treinador e seus comandados tenham aprendido algumas lições acerca do jogo, e na coletiva deste sábado, Prandelli deu a entender que sim. O resultado, num geral, não é ruim, principalmente por ser muito difícil vencer a Bulgária fora de casa, ainda mais quando se joga na capital do país. Vale lembrar que a Itália jamais venceu no país do leste europeu. No entanto, a Itália levou o mesmo número de gols durante toda a campanha nas Eliminatórias para a Euro 2012, uando jogava com uma linha de quatro na defesa. Até por isso, o 3-5-2 é questionado.
Em busca do melhor time, Prandelli ainda tem outros problemas para resolver, como a defesa. Quando tem o 3-5-2, falta a colaboração dos meio-campistas, quando tem o 4-3-1-2, falta um lateral-direito que saiba recompor pelo flanco e fazer a cobertura. Ofensivamente, falta ao time mais variações, mais volume e mais profundidade. (Getty Images)
A equipe voltará a jogar já nesta terça-feira, 11, contra a fraca Malta, na Emília-Romanha, em Modena. Uma vitória é mais que obrigação, e uma vitória convincente e evolução no aspecto tático é esperada.
Ficha do jogo
Bulgária (4-3-3): Mihaylov; Y. Minev, Bodurov, Ivanov, V. Minev; Gadzhev (Sarmov), Dyakov, G. Milanov; Manolev, Gargorov (Micanski), Popov (Tonev).
Treinador: Luboslav Penev.
Itália (3-5-2/4-3-1-2): Buffon; Barzagli, Bonucci, Ogbonna (Peluso); Maggio, Marchisio, Pirlo, De Rossi, Giaccherini (Diamanti); Giovinco (Destro), Osvaldo.
Banco: De Sanctis, Acerbi, Cassani, Nocerino, Poli, Verratti, Borini, Insigne, Pazzini. 
Treinador: Cesare Prandelli.
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