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Especial: Ranking das transferências

Ele voltou! Luca Toni, ídolo da Fiorentina, acertou volta ao clube em que teve mais sucesso nos últimos minutos da janela italaia e foi uma das contratações mais inesperadas da janela (Football Wallpapers)

Depois de longos dois meses, acabou. A janela de transferências de verão está encerrada e, com seu fim, já podemos analisar que equipes se reforçaram melhor. Em um mercado no qual a Itália perdeu ótimos jogadores, como Ibrahimovic, Thiago Silva, Lavezzi, Borini e até mesmo a promessa Nastasic, alguns times parecem começar a temporada enfraquecidos, como Milan e Udinese. Outros, como Fiorentina, Inter e Roma, são vistos com outros olhos, após as contratações bem feitas. A Juventus, que fez ótimo mercado, evoluiu e ainda é o time a ser batido. Abaixo, confira as nossas análises, com notas para a ação de cada uma das equipes no mercado. E, para ter uma visão detalhada de quem chegou e de quem saiu de cada equipe, acesse nossa página de mercado. Boa leitura!

Fiorentina, 9

A ordem era renovar os ânimos do elenco e o objetivo foi cumprido à risca e a equipe subiu de patamar: de time que brigava pelo rebaixamento, em 2011-12, esta Fiorentina brigará no topo da tabela. A família Della Valle resolveu investir e montou um elenco pratcamente novo, sob as ordens do promissor Vincenzo Montella, um bom comandante para a renovação. A expectativa é que a viola, renovada por contratações interessantíssimas, consiga brigar por uma vaga na Liga dos Campeões e, ao contrário da temporada passada, jogue um bom futebol, encantando a torcida. Só entre os que ao menos frequentavam o time titular, deixaram a equipe Gamberini, Vargas, Montolivo, Kharja, Cerci, Kroldrup, Natali, Boruc, Amauri e Behrami, além de Lazzari, emprestado à Udinese. E, no último dia do mercado, o ótimo zagueiro Nastasic deixou a equipe rumo ao Manchester City, que ofereceu 12 milhões de euros. Irrecusável para um zagueiro de apenas 19 anos.

Se quase um time inteiro deixou o Artemio Franchi, os gigliatti até exageraram: 18 novos contratados formarão o elenco que disputará a atual temporada. Centrada no jovem craque Jovetic, a equipe dá espaço a outros bons jovens, como os zagueiros Roncaglia, Savic e Hegazy – que serão comandados por Gonzalo Rodríguez, também recém-chegado -, além do meia Cuadrado. O meio-campo, por outro lado está recheado de experiência: chegaram o leão de chácara Migliaccio, o polivalente Llama e os “intelectuais” Valero, Pizarro e Aquilani, que sabem o que fazer com a bola, pois são jogadores muito tático e, além de tudo, excelentes passadores. Para o gol, o nível foi mantido com a chegada de Viviano, candidato a ídolo. Ídolo como Luca Toni, que surpreendentemente fechou com a equipe nos últimos minutos da janela, retornando com um salário de apenas 500 mil euros para a temporada. O veterano atacante, de 35 anos, chega após as complicações com Berbatov, e briga pela titularidade com El Hamdaoui, ex-Ajax, “9”do elenco.

Juventus, 8

Campeã italiana, a Juventus reforçou ainda mais o seu elenco, ampliando a distância entre ela e a grande maioria das outras equipes italianas. No entanto, pelo segundo ano consecutivo, a Velha Senhora não conseguiu fechar com o tão sonhado atacante de nível mundial e, em termos de competitividade para a Liga dos Campeões, ainda está atrás dos rivais. Para comandar o ataque, a Juve sondou Dzeko, depois van Persie, chegou a negociar com Berbatov… e ficou com o contestadíssimo Bendtner. Para a Serie A, pode ser suficiente, mas e para jogar a Champions?

As outras contratações juventinas, no entanto, foram acertadíssimas. A contratação mais festejada foi a de Giovinco, que brilhou muito no Parma e retornou a Turim para dar fantasia à equipe. No entanto, as duas contratações que podem ser mais úteis são as vindas da Udinese. Do Friuli, o clube trouxe os ótimos Isla e Asamoah para dar mais vigor ao seu já combativo e criativo meio-campo. Para o setor mais forte do time, a Juve ainda trouxe a promessa Pogba, que não deve ter tantas chances, mas, em termos de futuro, foi uma bela compra. Outra promessa que a Juve garantiu, já pensando na aposentadoria de Buffon, foi o ótimo goleiro Leali, de apenas 19 anos, que jogará esta temporada emprestado à Virtus Lanciano, da Serie B. Chegaram, ainda, de graça, os brasileiros Rubinho e Lucio. O primeiro será terceiro goleiro e nem deve jogar, enquanto o segundo, se conseguir se readaptar com rapidez a uma defesa com três zagueiros, pode se inserir bem na defesa bianconera, a melhor de 2011-12 em toda a Europa.

Inter, 8

Renovar o elenco com qualidade e se desfazer de jogadores mais velhos e com altos salários eram os principais objetivos da Inter no mercado. De quebra, a equipe ficou muito competitiva e aparece como principal concorrente à Juventus pelo scudetto. A média de idade diminuiu consideravelmente com as aposentadorias de Córdoba e Orlandoni e saídas de Forlán, Lucio, Maicon e Júlio César – sem contar a economia em salários, em torno dos 50 milhões de euros. 

Os reforços não são craques, mas são ótimos jogadores e, sobretudo, funcionais, como Silvestre, Palacio e mesmo o “brucutu” Mudingayi. Sem Maicon, a Inter deve apostar as fichas nas subidas do ótimo lateral esquerdo Álvaro Pereira, contratado junto ao Porto. Para o gol, a Inter contratou Handanovic, melhor goleiro da Serie A nos últimos anos, e não deve sentir falta de Júlio César. Com a volta de Coutinho e a vantajosa troca de Pazzini por Cassano, o poder de fogo da equipe ficou tão grande que nem foi necessário contratar um reserva para Milito.

Roma, 7,5

Para atender às demandas da filosofia de jogo ofensiva de Zdenek Zeman, a Roma investiu no mercado buscando qualidade. A principal contratação foi a do atacante Destro, de boa temporada pelo Siena. Ele, que já faz parte da seleção italiana, deve ser favorecido pela ofensividade da equipe e é candidato a contratação da temporada na Serie A. Além dele, a Roma ainda trouxe dois meio-campistas incansáveis para o meio-campo: Tachtisidis (ex-Verona) e Bradley (ex-Chievo), fundamentais para o jogo de muita movimentação zemaniano. Quem também deve contribuir muito é Balzaretti, liberado pelo Palermo.

Na defesa – que deve sofrer muitos gols, pois não é preocupação de Zeman -, uma boa contratação: a de Leandro Castán, do Corinthians. Piris, do São Paulo, também pode ajudar a dar algum equilíbrio na defesa, já que é um bom marcador. Outros dois nomes que chegam do Timão (Marquinhos e Dodô) são promessas e devem jogar bem pouco. No mercado em saída, a Roma foi bem e se livrou de jogadores mais velhos e de salários altos, como Juan, Kjaer, Cassetti, Cicinho e Pizarro, além de vários que não corresponderam com a camisa giallorossa, como Bojan, Borriello, Rosi, Greco e José Ángel. Dos mais velhos, apenas Perrotta e Júlio Sérgio (que não aceitou a rescisão de contrato), ficaram. Entre os que podem fazer falta estão Borini, negociado com o Liverpool, Gago (que não continuou após o empréstimo do Real Madrid e foi para o Valencia), e até mesmo o voluntarioso Simplício. Os promissores Bertolacci, Vivianoi e Crescenzi também poderiam contribuir, mas foram ganhar experiência em equipes onde há mais espaço.

Napoli, 7

O grande golpe do mercado napolitano aconteceu no último dia do mercado. Não foi nenhuma contratação, mas o anúncio da renovação do contrato de Cavani até 2017 – e com multa rescisória de cerca de 60 milhões de euros. É verdade, Lavezzi, uma das pontas do ótimo tridente de outras temporadas foi vendido ao Paris Saint-Germain por 26 milhões, mas, apesar de sua qualidade e poder de decisão, quem talvez faça mais falta seja o volante Gargano. Primeiro porque o argentino já tem substitutos: o chileno Vargas, que decepcionou nos seus primeiros meses de Itália, mas pode voltar a ser aquele jogador da Universidad de Chile; e também o fantasista Insigne, que foi muito bem no Pescara (marcou 16 gols e foi a válvula de escape da equipe) e já está sendo cotado para a seleção italiana. Sem falar em Pandev, que tem outras características, mas pode ser importante para a equipe. 

Gargano, por sua vez, é um operário do meio-campo e tem um preparo físico invejável: corre o jogo todo tanto para roubar bolas quanto para armar jogadas. Obviamente, o Napoli pode se adaptar e jogar de outra forma, com a chegada de Behrami, um jogador mais lento, mas até o momento ele vinha sendo bem importante para o futebol que Walter Mazzarri fazia sua equipe jogar. A equipe ainda reforçou sua defesa com o sólido Gamberini, que deve ganhar a vaga de Aronica na trinca defensiva. Bruno Uvini deixa dúvidas por sua incostância, mas pode evoluir jogando na Itália e é uma promessa. O clube ainda foi bem ao contratar reforços pontuais, como o polivalente Mesto (a rigor, substituto de Maggio, mas pode fazer qualquer função nas alas) e o meia-atacante El Kaddouri, destaque do Brescia na última Serie B.

Parma, 7

A equipe emiliana pode surpreender mais uma vez, sobretudo pelo mercado inteligente. É verdade que Giovinco, o grande craque do time, acabou vendido à Juventus, mas a verba que chegou com a sua liberação foi reinvestida adequadamente. Só para o ataque, que também perdeu Floccari (retornou de empréstimo à Lazio), o Parma trouxe Amauri (de boa passagem pelo Tardini dois anos atrás), que pode garantir um bom número de gols e Pabón, destaque do Atlético Nacional, da Colômbia. Como opção, Belfodil, promessa francesa que estava no Parma, tem seu valor, enquanto Ninis chega para jogar pelos lados e dar uma alternativa ao jogo de velocidade de Biabiany.

Outras perdas importantes foram as de Jonathan e Mariga, que estavam emprestados pela Inter. No entanto, o diretor Tommaso Ghirardi agiu bem no mercado, ao repor bem a saída do queniano com Acquah, do Palermo, e, principalmente, com o bom Parolo, do Cesena, que tenta reencontrar seu melhor futebol. Rosi, substituto de Jonathan, não foi uma boa contratação, mas ao menos chegou a custo zero e permitiu que a equipe reforçasse mais sua defesa, que está envelhecida. Para renovar o setor, chegaram os promissores Fideleff e MacEachen. Benalouane, que teve boas temporadas no Saint-Étienne, mas foi mal no Cesena, muda de cidade na Emília-Romanha para ser opção no banco, ao lado de Santacroce, contratado em definitivo após empréstimo do Napoli.

Chievo, 7

Normalmente, o Chievo está envolvido em muitas transações no mercado – geralmente pequenos negócios e com jogadores mais jovens. A tendência se manteve, mas dessa vez a equipe foi um pouco mais ousada e fez um mercado interessante. Se bem gerida, a equipe pode até ficar entre os 10 primeiros colocados na Serie A. As únicas vendas importantes foram a de Bradley para a Roma e a de Acerbi para o Milan, prontamente revertidas em dois reforços para cada setor. Para a zaga, chegaram Papp e Farkás, que foram bem na campanha do Vaslui na última Liga Europa, e, para a volância, chegaram o experiente Guana e a promessa Cofie, de boa temporada pelo Sassuolo. 

Na negociação que levou Bradley à Roma, os clivensi ainda ficaram com o habilidoso meia-atacante Stoian, candidato a ser um dos melhores jovens da Serie A. Os burros alados ainda garantiram a permanência de Paloschi e melhoraram seu poder de fogo, com a contratação do experiente Di Michele, que estava no Lecce, e do malinês Samassa, vindo do Valenciennes. Quem pode se tornar o segundo ponto de referência da equipe, logo atrás do capitão Pellissier, é Marco Rigoni, que foi contratado por empréstimo após ser um dos poucos a se salvarem na campanha do Novara. Quem sabe, com esse conjunto, o Chievo deixe de ser uma equipe insossa?

Sampdoria, 6,5

De volta à Serie A, a Sampdoria contratou pouquíssimo e também se desfez de poucas peças. Primeiro, porque manteve boa parte da equipe que havia sido rebaixada para a segundona para a tentativa de retorno imediato à elite e, segundo, porque não chegou a vender suas principais estrelas – apenas as emprestou. Palombo, que volta da Inter, originalmente fora dos planos, não foi negociado e talvez ganhe sua chance. Tecnicamente, ao lado de Poli, que também retornou após um ano na equipe de Milão, é o melhor dos meias da equipe. O setor ainda foi fortalecido com a chegada de Maresca e de Estigarribia, que deve ser titular na ponta esquerda do 4-4-2 de Ferrara.

Se o jogo pelos lados deve ser forte durante o ano blucerchiato, a equipe acertou em buscar o lateral esquerdo Poulsen, do AZ Alkmaar e da seleção dinamarquesa. Muito bom no apoio e razoável marcador, pode ser um dos pontos forte da equipe. Para o ataque, Ferrara aposta as fichas na permanência de Pozzi, que fez 19 gols na última Serie B, mas nunca foi muito bem na elite. A chegada de Maxi López e a contratação de Éder em definitivo não devem ser suficientes para que a equipe seja uma máquina de fazer gols.

Cagliari, 6,5

Tradicionalmente, o Cagliari se mexe muito pouco nas janelas de transferências. O orçamento modesto do time não permite grandes loucuras e a equipe só parte para o mercado em caso de venda de alguma peça do elenco. Nesta janela não foi diferente e a equipe se preocupou apenas com duas coisas: garantir a permanência de jogadores que estavam emprestados, como Dessena, Eriksson e, sobretudo, Pinilla, e em repor as saídas do zagueiro Canini para o Genoa, do lateral esquerdo Agostini, em fim de contrato (assinou com o Torino, depois), e do meia Rui Sampaio para a Olhanense. Por isso, chegaram Rossettini, do Siena, o brasileiro Danilo Avelar, do Karpaty, e Casarini, do Bologna. Pouco, mas suficiente.

A diretoria ainda agiu tentando ampliar um pouco as opções para Massimo Ficcadenti na defesa e, para isso, trouxe o experiente lateral esquerdo Smit e o jovem e promissor zagueiro Camilleri. A grande contratação, no entanto, é o retorno do atacante Sau de empréstimo à Juve Stabia. Ele foi vice-artilheiro da Serie B, com 21 gols, e deve ser titular da equipe, que teve justamente no ataque ineficiente a maior deficiência na temporada 2011-12.

Lazio, 6

A janela de transferências foi praticamente uma formalidade para a Lazio. A equipe romana mal se mexeu no mercado e também não perdeu jogadores – apenas emprestou jovens, liberou atletas que não vinham jogando e, dentre os que integraram o elenco principal, só emprestou Garrido ao Norwich. Em suma, o time é quase o mesmo da temporada passada. O que não é exatamente bom, pensando que a torcida exigia um salto de qualidade para que os biancocelesti pudessem brigar pela Liga dos Campeões. A bem da verdade, a equipe já faz demais ao incomodar as grandes e conseguir classificação para a Liga Europa. Com o técnico Vladimir Petkovic o destino não deve ser diferente do do que a equipe teria se Edy Reja tivesse sido mantido.

Apenas o zagueiro Ciani chega para assumir vaga na equipe titular, considerando a instabilidade de André Dias, O meio-campista Ederson e os atacantes Floccari, Sculli e Foggia, que retornam após empréstimo, apenas irão compor elenco. O maior esforço de mercado laziale foi a negociação que garantiu a renovação do empréstimo do meia Candreva. Pouco, mas a aposta na manutenção da base e no entrosamento da equipe será válida, se a torcida e a diretoria não exigirem demais.

Genoa, 6

Sempre negociando a atacado, o Genoa de Enrico Preziosi esteve envolvido em cerca de 100 transações no mercado de verão. São tantos jogadores no cartel da equipe, que muitos chegam nem a vestir o azul e vermelho lígure. Desta vez, o Genoa teve como grandes méritos reduzir o seu grande elenco, se livrando de refugos como Birsa, emprestado ao Torino, e Zé Eduardo, que rumou ao Siena. Vários outros jogadores que não fizeram parte do elenco da última temporada e retornarvam de empréstimo acabaram negociados, o que deixou a equipe com os cofres mais cheios para investir melhor.

As principais chegadas, devido às saídas de Palacio e Gilardino (Inter e Bologna, respectivamente) estão no ataque: o promissor Immobile, artilheiro da Serie B, disputará uma vaga de titular com Borriello, que volta a Gênova, onde viveu sua melhor fase no futebol, emprestado pela Roma. Além deles, apenas (para o Genoa, acreditem, é pouco) cinco outros contratados devem brigar por vagas no time titular: os zagueiros Canini (ex-Cagliari) e Velázquez (ex-Independiente), e os meias Bertolacci (ex-Roma), Vargas (ex-Fiorentina) e Tõszér (ex-Genk). Ferronetti, Melazzi e o brasileiro Anselmo (ex-São Caetano) são opções de banco para De Canio. Em tese, as saídas que podem fazer falta são as de Palacio e Miguel Veloso (Dynamo Kyiv), já que eram os principais nomes do time, e Mesto (Napoli), pela falta de um lateral direito à sua altura. No entanto, o Genoa tem elenco para ficar no meio da tabela e não dar sustos na sua torcida mais uma vez.

Catania, 6

A saída do diretor esportivo Pietro Lo Monaco fez com que o Catania fosse mais comedido no mercado de verão. Normalmente, o executivo tinha boa visão para contratar promessas – principalmente sul-americanas -, mas dessa vez os etnei ficaram mais preocupados em assegurar a permanência dos principais jogadores. Permanecem, portanto, o maestro do time, Lodi, responsável direto por cerca de um terço dos gols da equipe na última campanha, e Gómez, o toque de velocidade da equipe, que se caracterizou por fazer rápidas transições entre defesa e ataque. Do elenco principal, além dos que estavam emprestados, saiu apenas Llama, em empréstimo para a Fiorentina.

No mercado em entrada, apenas dois nomes chamam a atenção: o de Rolín, que disputa uma vaga no centro da zaga ou na lateral esquerda do esquema do estreante Rolando Maran, e Lucas Castro, que fez boa temporada com o Racing. Os dois não devem ser titulares, ao contrário de Andújar, que apesar de ter insultado a diretoria, em janeiro, retorna para ser titular, à frente de Frison. Quem também está de volta é o atacante Morimoto, em busca de redenção após três péssimas temporadas. Para maior segurança, faltou ao Catania contratar um goleador, já que Bergessio dificilmente ultrapassará a cota de 10 tentos no ano e não tem um reserva prolífico.

Torino, 6

No último dia de mercado, o Torino ainda buscava completar o seu elenco com um lateral esquerdo, um meia ofensivo, um volante e um atacante. Os planos ficaram pela metade: chegaram apenas o lateral Agostini e o meia Birsa. Eles se juntam a uma série de jogadores experientes e medianos, como Santana (ex-Napoli), Brighi (ex-Roma), Gazzi (ex-Siena) e Rodríguez (ex-Cesena), como reforços pontuais de uma equipe que tenta permanecer na primeira divisão. A grande contratação foi o seguro goleiro Gillet, que chegou do Bologna, seguido pelo meia-atacante Sansone, autor de 20 gols na Serie B. Cerci, que foi contratado junto à Fiorentina, também é um nome nome, mas sua irregularidade pode pesar. A seu favor, conta o fato de que será treinado por Gian Piero Ventura, que o fez crescer no Pisa, quando tinha menos de 20 anos.

O maior feito do mercado granata foi, no entanto, segurar o defensor Ogbonna, pretendido pelo Napoli. Destaque do time e membro da seleção italiana, o descendente de nigerianos pode ser o fiel da balança na manutenção do equilíbrio defensivo caso o forte meio-campo formado pelos novos contratados não segurar a barra. No mercado em saída, inclusive, o Toro perdeu pouquíssimos jogadores que possam lhe fazer falta. Antenucci e Surraco, que foram bem na Serie B, nunca se deram bem na elite – prova disso é que continuaram na segundona após o acesso da equipe de Turim.

Atalanta, 6

Em seu mercado, a Atalanta deu preferência por manter a base da boa campanha que fez em 2011-12 e segurou os principais jogadores, como Denis e Cigarini – o primeiro, contratado em definitivo junto à Udinese, e o segundo, após renovação de empréstimo junto ao Napoli. O time titular permanece praticamente o mesmo da última temporada e os reforços foram pontuais, com o intuito de dar mais profundidade ao elenco e, também, para ocupar os lugares das três saídas mais importantes – o volante Brighi, que pouco jogou, e os atacantes reservas Tiribocchi e Gabbiadini. Deve ser suficiente para um campeonato sem sustos.

Na defesa, Stendardo foi contratado em definitivo junto à Lazio e o setor foi fortalecido com a chegada do argentino Matheu e, principalmente, do lateral esquerdo Brivio, de ótima temporada pelo Lecce. No meio-campo, Biondini chega emprestado pelo Genoa para dar qualidade no passe e na marcação. As melhores novidades, no entanto, estão mais à frente: Moralez enfim tem um reserva – Troisi, ex-Kayserispor, e da seleção astraliana -, enquanto Parra e De Luca são boas aquisições. Especialmente o segundo, que é um dos melhores sub-21 do país, como o negociado Gabbiadini.


Udinese, 5,5

A fórmula de comprar jogadores promissores e revendê-los a preços altos parece não ter dado certo nesta temporada. Depois de vender Zapata, Inler e Sánchez em 2011-12, desta vez a Udinese negociou outra boa parte de sua base – Isla e Asamoah com a Juventus e Handanovic com a Inter – e, até o momento, os novos contratados são vistos com desconfiança. A equipe jogou mal nas três partidas da temporada, sem repetir a mesma filosofia de jogo bonito das últimas temporadas. Alguns dos mais criticados nesses jogos – Willians e Maicosuel – chegaram nesta janela em Údinese. Claro, os jogadores podem melhorar e surpreenderem até mesmo quem, aqui no Brasil, tinha dúvidas de seu potencial. No entanto, os olheiros da Udinese podem, simplesmente, ter cometido erros de avaliação em alguns casos. Erros como o não-aproveitamento de Cuadrado, que brilhou no Lecce e foi emprestado à Fiorentina.

Além dos ex-jogadores do Flamengo e do Botafogo, os principais reforços da Udinese nesse mercado são goleiro Brkic, que retornou de bom empréstimo ao Siena para assumir a titularidade, o colombiano Muriel, que estava no Lecce e é candidato a alar as viúvas de Sánchez, o promissor esterno Faraoni, ex-Inter, e Allan, do Vasco, que chega para substituir Isla. Dos brasileiros, talvez seja o que mais chances tem de vingar, por ter características muito semelhantes às do jogador negociado. A falta de consistência no meio-campo fez com que, no penúltimo dia do mercado, a Udinese contratasse Lazzari, da Fiorentina, um jogador de boa técnica e que pode ajudar a resolver o problema. No ataque, que viu Torje e Floro Flores serem emprestados ao Granada, chegou o sueco Ranégie, de 28 anos. Aposta estranhíssima, já que ele nem era o principal jogador do Malmö. Uma amostra de que os friulanos estão um pouco perdidos.

Milan, 5

A palavra para o Milan é redimensionamento – ou existe alguma outra para explicar a tentativa de contratação de Zé Eduardo para repor saída de Ibrahimovic e lesão de Pato? Foram 11 as saídas de jogadores do elenco principal – incluindo, aí, nomes como Ibrahimovic, Thiago Silva, Gattuso, Nesta, Seedorf e Cassano -, e as contratações não atenderam as expectativas da torcida. O mercado rossonero foi muito confuso, vide as inexplicáveis chegadas de Constant e Bojan, em baixa no Genoa e na Roma. Até chegaram bons nomes, como os zagueiros Acerbi e Zapata, mas substituir Thiago Silva – e mesmo um Nesta bem fisicamente – é praticamente impossível para qualquer um. 

No ataque, Pazzini pode muito bem reeditar a ótima dupla com Montolivo – outra boa contratação – e fazer muitos gols, mas dificilmente decidirá jogos como Ibrahimovic. De Jong pode dar ao Milan uma pegada semelhante à de van Bommel, necessária a um meio-campo que se pretende ofensivo, mas também não chega para resolver. Allegri pode até formar um time consistente, de operários, mas dificilmente terá tempo para isso.

Bologna, 5

Perder três dos quatro principais jogadores do time é motivo para se preocupar. Sobretudo quando as reposições, quando feitas, estão cercadas de dúvidas. As saídas do goleiro Gillet, do meia-atacante Ramírez e do goleador e capitão Di Vaio devem ser sentidas – principalmente a do uruguaio, que não foi substituído. Para o gol, chega o instável Curci, que estava encostado na Roma e não é nem sombra do ótimo Gillet, que trocou os felsinei pelo caçula Torino. Gilardino está em má fase técnica e, ao contrário de Di Vaio, não pode ser considerado uma garantia de gols – assim como o mediano Acquafresca e o recém-contratado Gabbiadini, que precisará de tempo de adaptação e minutos para mostrar seu potencial. Pelas ações de mercado, é possível que a equipe atue cada vez mais no 3-4-1-2, com Diamanti como único armador de ofício – a não ser que Pioli avance Taïder ou utilize Pasquato, Abero ou Riverola ao lado do trequartista italiano.

O setor de marcação do time, no entanto, ganhou bons reforços. O volante Mudingayi saiu, mas foi bem substituído com as contratações de Pazienza e Guarente. O clube ainda fechou com Kone, que estava emprestado pelo Brescia, e retornou para a equipe no último minuto da janela. Os três, juntos, e principalmente Guarente, se estiver em boa forma física, podem fazer com que o clube deixe de ser refém do temperamental Pérez. Na defesa, a chegada de Natali melhora o setor, que também terá o brasileiro Roger Carvalho. Como falamos, Curci não é confiável, e os dois devem ter responsabilidade dobrada. Ou triplicada, já que o Bologna substituiu o regular Raggi, na ala direita, pelo fraco Motta. Na estreia, contra o Chievo, o jogador emprestado pela Juventus já deu mostras de que será o ponto mais vulnerável do time.

Palermo, 4,5

Mais uma vez, o Palermo faz um mercado modestíssimo. Muitas das contratações que não deram certo em anos anteriores, em ocasiões nas quais o planejamento foi ruim, acabaram sendo negociadas ou emprestadas. Outros, como Viviano, Della Rocca, Balzaretti e Silvestre atraíram o interesse de equipes maiores (Fiorentina, Roma e Inter) e foram liberados por Maurizio Zamparini. Já o caso de Migliaccio, vice-capitão da equipe, foi diferente: Giuseppe Sannino não contaria com ele e o liberou para empréstimo à Fiorentina. Em suma, apenas Hernánez, Ilicic e Miccoli restaram, entre os melhores jogadores do elenco. 

A reposição foi modesta tanto em número – o que, para o Palermo, é um feito – quanto em qualidade. Se contratou pouco, porque o elenco já era extenso, os rosanero não se preocuparam em elevar o nível da equipe, para que ela brigasse por uma vaga europeia. O zagueiro Von Bergen, o goleiro Ujkani, o volante Arévalo e o meia Brienza são nomes razoáveis, mas insuficientes para fazer o time brigar na metade de cima da tabela – a não ser que o competente Sannino tenha a tranquilidade necessária para fazer um ótimo trabalho, como fez no Siena. Dybala, atacante argentino do Instituto, é uma aposta interessante e pode ganhar chances ao lado ou na ausência de Miccoli.

Siena, 4

O Siena começou a temporada com seis pontos negativos e já precisaria se desdobrar para evitar o rebaixamento. Com o mercado cheio de apostas arriscadas, precisará de um fôlego extra. O calcanhar de Aquiles da equipe deve ser o ataque, que perdeu o eficiente Destro e ganhou Zé Eduardo, autor de nove partidas e nenhum gol pelo Genoa, em 2011-12. O brasileiro foi anunciado no último dia da janela, juntamente com outros quatro novos contratados, o que, no caso da Robur, mostra a falta de planejamento. Entre esses quatro, está Rosina, que tenta resgatar sua carreira na Itália após quase sumir no Zenit de Luciano Spalletti. Para isso, terá de perder muito peso, já que está fora de forma. Principalmente porque terá de substituir Brienza, que jogou 36 dos 38 jogos no último campeonato e com muita constância. 

A saída do goleiro Brkic não será sentida, já que Pegolo vinha o substituindo bem, quando estava lesionado. À sua frente, muitas dúvidas: Rossettini foi negociado com o Cagliari e Terzi pegou gancho de três anos e meio por envolvimento no escândalo de apostas. Devem ser substituídos por dois entre Felipe, Paci e Dellafiore, que não inspiram confiança, assim como Contini. Neto, que fez bom campeonato português pelo Nacional, e Martínez, que se destacou no Racing, são boas apostas, mas apenas isso. No meio-campo, muitas indefinições e outras apostas que trazem poucas garantias. Valiani, ex-Parma, e Rubin, ex-Bologna e Torino, chegam para ocupar as alas no novo 3-5-2 de Serse Cosmi. Para o setor, também brigam por vagas Rodríguez, ex-Belgrano, e Campos, ex-Granada. O treinador vai ter trabalho para entrosar tantos novos e medianos jogadores. Ele já conseguiu milagres algumas vezes, mas terá êxito agora?

Pescara, 4

A equipe do Abbruzzo premete fortes emoções nesta temporada. Não as mesmas emoções que dava aos torcedores, na Serie B, quando gols a favor e contra eram frequentes, mas o time treinado por Zdenek Zeman raramente perdia. Os golfinhos perderam o técnico e muitos dos principais jogadores (Insigne retornou ao Napoli e Immobile, Koné, Sansovini e Verratti se transferiram, respectivamente, para Genoa, Varese, Spezia e Paris Saint-Germain) e fez apostas muito arriscadas. Desde o técnico Giovanni Stroppa, que teve apenas um trabalho na terceira divisão, às contratações feitas sobretudo para o ataque. Immobile, Sansovini e Insigne marcaram, juntos, 60 gols – dois terços do total – e foram substituídos por incógnitas. Como Abbruscato, de números modestos, e Celik e Vukusic, que nunca atuaram na Itália. A aposta mais segura entre os atacantes, para se ter noção, é o brasileiro Jonathas, ex-Cruzeiro, que fracassou no AZ Alkmaar e só desabrochou em sua segunda temporada no Brescia, quando fez 16 gols na Serie B. Convenhamos, é muito pouco.

O Pescara tem o elenco com menos jogadores com experiência na elite. Ao menos, se o ataque foi reformulado, a base da defesa foi mantida, e os promissores Romagnoli e Capuano continuam. O setor ainda ganhou o reforço dos experientes Terlizzi e Modesto e dos promissores Cosic e Crescenzi. O meio-campo, seguindo o exemplo da defesa, ganhou em experiência – mas pouco em qualidade – com as contratações dos volantes Colucci e Blasi, e também foi reforçado com jogadores habilidosos e de boa perspectiva, como o islandês Bjarnasson, o colombiano Quintero e o eslovaco Weiss (candidato a principal jogador do time, ao lado de Caprari, contratado junto à Roma em janeiro). Debaixo das traves, sai o medianíssimo Anania para a chegada de Perin, uma das revelações da posição no futebol italiano. Perin estará em evidência, já que certamente será muito exigido ao longo do ano.

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