Liga Europa

Sem impressionar

No White Hart Lane, a Lazio, de Ledesma, conseguiu segurar um empate importante contra o Tottenham, maior adversário no grupo J (Getty Images)

A estreia das equipes italianas na fase de grupos da Liga Europa não foi impactante. Inter, Lazio, Napoli e Udinese não perderam, mas não impressionaram. Nem mesmo o Napoli, que aplicou um 4 a 0 sobre o mdesto AIK, da Suécia, fez algo que dele não se esperava. O restante das equipes empatou, mantendo a invencibilidade “azzurra” na primeira rodada, mas apenas a igualdade laziale é de se comemorar. Vamos às análises.

Tottenham 0-0 Lazio

Estreando contra a principal adversária no grupo J, a Lazio passou bem no teste em Londres e terá mais tranquildade nos outros jogos. A equipe de Vladmir Petkovic, que havia vencido os cinco jogos oficiais que disputou na temporada, não saiu do White Hart Lane com os três pontos, mas teve atuação consistente. Os dois times foram a campo com quase todos os titulares à disposição, o que, tanto para Spurs quanto para laziali, na Liga Europa, é fato raro: para o jogo do fim de semana, contra o Genoa, a Lazio deve até poupar titulares, mostrando que ao menos no início, dá importância à competição continental. A escolha pelos titulares, no entanto, não resultou em grande jogo. A partida, em ritmo lento, não teve grandes ocasiões.

A Lazio soube se defender bem, apesar de ter sofrido três gols, todos eles anulados pelo árbitro romeno Hategan. O primeiro, de Dempsey, em impedimento, e o terceiro, de Caulker, por falta sobre Mauri, geraram polêmicas (o segundo, com Defoe, aconteceu com ação já interrompida, por impedimento anterior), já que foram lances muito duvidosos. A sensação é de que apenas o do jogador norte-americano foi válido, já que Caulker pareceu se apoiar no capitão biancoceleste para cabecear para as redes. A principal chance da Lazio aconteceu no primeiro tempo, quando González acertou o travessão. Com um ponto na bagagem, a equipe romana agora enfrenta, no dia 4 de outubro, o Maribor, que surpreendeu o Panathinaikos com um sono 3 a 0.

Inter 2-2 Rubin Kazan

A equipe de Andrea Stramaccioni também estreou contra o adversário mais forte do seu grupo, o H, mas não comemorou o empate. A Inter fez um jogo muito ruim, foi inferior ao Rubin, oitavo colocado no campeonato russo, durante os 90 minutos, e segue sem comemorar uma vitória em casa na atual temporada, assim como o Milan. Já são sete jogos no Giuseppe Meazza sem vitória dos donos da casa, o que não acontecia há 25 anos. Nesta quinta, a Inter precisou empatar duas vezes – a última, definitiva, apenas nos acréscimos – para não ver o seu maior adversário no grupo pular à frente logo na estreia.

Logo no início, os nerazzurri saíram atrás, depois de pênalti infantil de Jonathan, um dos poucos reservas em campo – descansaram, na Inter, Milito, Sneijder, Guarín e Álvaro Pereira. Handanovic, especialista em pegar pênaltis, ainda defendeu a cobrança de Natkho, mas Ryazantsev conferiu, no rebote. Não demorou muito para que Livaja, substituto de Milito, aproveitasse boa trama entre Cassano e Cambiasso para empatar. O segundo tempo, após a entrada de Guarín na Inter, foi um pouco mais parelho, embora os russos tivessem as melhores ocasiões, com Rondón, Eremenko e Karadeniz. O venezuelano, que veio do Málaga, aproveitou erro de posicionamento da zaga nerazzurra e, mesmo com a pressão de Ranocchia, marcou o segundo, a 10 minutos do fim. Apenas nos acréscimos, depois de cruzamento de Milito, Nagatomo, com belo voleio, deixou tudo igual, e evitou o vexame. O tropeço só não foi pior porque os fracos Neftchi Baku e Partizan empataram em 0 a 0. No dia 4 de outubro, a Inter faz longa viagem ao Azerbaijão, para enfrentar o Neftchi.

Napoli 4-0 AIK

Devidamente aproveitado, o teste contra o AIK, da cidade sueca de Solna, foi muito tranquilo para o Napoli. O jogo serviu, principalmente, para dar rodagem aos reservas (dos que começaram jogando, apenas apenas Gamberini e Behrami são titulares) e para dar moral a um jogador que chegou à Campânia em janeiro e só agora tem feito bons jogos. Vargas, grande destaque no time da Universidad de Chile campeã da Copa Sul-Americana, fez uma boa estreia na Serie A, contra o Palermo, mas só contra a equipe escandinava apareceu, de fato. O chileno foi o grande destaque do jogo, com três gols, todos em jogadas velozes. Dzemaili, no final, fez o quarto gol napolitano.

Se Vargas, atuando mais próximo ao gol, surge como boa opção para mudar o jogo, sobretudo quando Cavani, a referência, não está bem, o jovem Insigne aparece como grande referência na criação de jogadas. Encantando muito desde quando estava no Pescara, na Serie B, já mostrou ter muita visão de jogo. Na quinta, deu duas asssitências para Vargas marcar, além de ter feito uma partida muito boa. Dos três tenores (Cavani, Pandev e Hamsík), apenas o último jogou. Entrou no segundo tempo e acabou expulso, por revidar uma falta sofrida. Não jogará no próximo dia 4 de outubro, quando o Napoli terá um duro jogo contra o PSV, em Eindhoven. Os holandeses estrearam mal e perderam, na Ucrânia, para o Dnipro, do ótimo Konoplyanka. Um resultado que, desde já, embola o grupo F. Para o Napoli ter mais segurança, conseguir ao menos um pontinho no Philips Stadion será fundamental, uma vez que os ucranianos são favoritos contra os suecos, no outro jogo do dia.


Udinese 1-1 Anzhi

No outro duelo entre italianos e russos do dia, a Udinese precisou de Di Natale para garantir um pontinho. Em plena crise, a Udinese segue sem vencer na temporada, e acabou salva da derrota apenas no finzinho, pelo seu capitão que saiu do banco para marcar. Novamente, assim como no último ano, Francesco Guidolin prefere optar por um time repleto de reservas na Liga Europa, e paga o preço pela escolha. Neste caso, em um grupo difícil, como o A, que tem, além do Anzhi, o tradicionalíssimo – embora em má fase – Liverpool, e o traiçoeiro Young Boys, perder pontos em casa pode resultar em eliminação.

A Udinese saiu atrás, depois de um erro incrível do goleiro Padelli, que substituía o lesionado Brkic e, ao tentar cortar chute cruzado de Traoré, desviou a bola para as próprias redes, e teve de ir em busca do resultado. Jogando melhor que seu adversário estrelado, a equipe friulana poderia ter feito melhor, caso estivesse com os titulares. Depois da entrada de Di Natale, o time cresceu e jogou bem até com dez jogadores, depois que Domizzi se lesionou e as três substituições haviam sido feitas. Foi em um rebote bobo do goleiro Pomazan que o capitão deixou tudo igual, em um merecido empate. Mas, caso Eto’o ainda estivesse jogando no mesmo nível que tinha no Barcelona ou na Inter, ou mesmo que Guus Hiddink estivesse em seus melhores tempos, como treinador, a história poderia ter sido outra. Contra o Liverpool, em Anfield Road, no dia 4, a Udinese não poderá dar sopa ao azar. O time terá a oportunidade de aproveitar a má fase dos Reds, que vem mal na Premier League e também na Liga Europa. Na quinta, venceram o Young Boys, em Zürich, por 5 a 3, mas deram mostras de que tem muitas fragilidades defensivas.

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